SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Quem gosta de especulações históricas, divirta-se com a questão.

O primeiro disco de samba foi gravado simultaneamente com o primeiro disco de jazz. A fonte veio de Jorginho Guinle no livro autobiográfico “Um Século de Boa Vida”.

Donga gravou o primeiro samba na Casa Edison do Rio de Janeiro, enquanto isso, na Columbia Records de Nova York, a banda The Original Dixieland Jazz gravava a música dos negros do Sul dos Estados Unidos. Eram as faixas Darktown Struttes’ Ball e Indiana, no velho 78 rotações.

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The Original Dixieland Jazz

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Pelo Telephone – Ernesto dos Santos – Donga

 Os discos foram gravados em janeiro de 1917, por coincidência no mesmo mês e ano.

30/08/2009 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

“Eu não consigo lembrar de nada que não valha a pena” – Miles Davis.

Em 1959, o inovador Miles Davis era vigiado pelo mercado do jazz que a cada suspiro seu mudariam a direção – o trompetista ditava o caminho a ser seguido.

No dia 17 de agosto o álbum mais popular e um dos mais influentes do jazz completou 50 anos do lançamento pela Gravadora Columbia Records.

Kind of Blue

Esse foi o ano do insuperável Kind of Blue, disco-marco na história do jazz moderno. Após três anos do vício em heroína, sua primeira temporada no inferno, Miles vinha para revolucionar novamente o jazz. A primeira vez foi com o cool jazz – quando indagado sobre esse tipo de som, disse: “Eu queria apenas um som suave e relaxado”.

 No mundo dos negócios, Miles Davis era conhecido pela visão aguçada, sempre articulando e achando que era hora de “coisa nova”. Época em que se vestia elegantemente – nos últimos anos passou a comprar, criar e a costurar tecidos que se transformaria na própria roupa de apresentação dos shows.

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O escritor Renzo Mora, em seu livro Fica Frio! Uma Breve História do Cool, narra um episódio que é puro Miles Davis: ao ver que estava errado após uma discussão tola com Eric Nisenson, autor de Round about Midnight – A Miles Davis Portrait, o trompetista disse: “Você está vendo todos aqueles prêmios na parede, Eric? Eu só ganhei por uma razão: eu não consigo lembrar de nada que não valha a pena.”

29/08/2009 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

Imagine-se sentado ao balcão de um bar, a três tamboretes de Julie London…

A carreira de Julie London coincidiu com a época dos discos conceituais (da década de 50). Os discos eram bem produzidos com músicas selecionadas: Cry me a River, You’ve Change, Something CoolSão pequenas obras-primas.

Julie London 4

 Julie London tinha uma beleza única e uma voz quente e sensual. O impressionante é que a sua carreira durou muito pouco – de 1955 a 1967.

 

 Segundo o escritor Ruy Castro,  a gravação de “Cry me a River” desfez vários casamentos…

28/08/2009 Posted by | Uncategorized | , | 4 Comentários

O melhor James Bond.

Já no primeiro filme da série (007 Contra Goodfinger) o crítico de cinema José Lino Grünewald previu bem: O seriado ficou e já tem seu signo. No começo de todos os filmes, o olho da câmera focaliza o herói através de um cano raiado de arma de fogo. Mas Bond nunca está no lugar do tiro. A roleta da morte não pára em James Bond.

James Bond - moscow contra 007

Considero “From Rússia With Love” – no Brasil, “007 Contra Moscou” – o melhor filme da série.

Claro, teve Goldfinger, Dr. No, e outros vilões, porém é Donald “Red” Grant, interpretado pelo ator inglês Robert Shaw, o inimigo “perfeito” de James Bond.

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O personagem de Shaw está no auge da forma física. É inteligente e perigosamente frio e silencioso.

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Já o escocês Sean Connery, tem olhos de lince, é másculo e cínico – exatamente como imaginava Ian Fleming, criador do personagem James Bond.

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Uma luta empolgante e mortal a bordo do Orient Express e a Bond-Girl mais sensual dos seriados, a atriz Daniela Bianchi. Esse replay é dos bons.

28/08/2009 Posted by | Uncategorized | , , , | 10 Comentários

Kirk Douglas – Ainda resta o filho do trapeiro.

“Por muito tempo não fui ninguém” – Issur Daníelovitch Demsky.

“Ninguém” significava ser filho de analfabetos imigrantes judeus russos em Nova York no lado pobre da cidade.  O pai, com um cavalo e uma pequena carroça, comprava roupa velha, pedaços de metal e sucatas por algum centavo.

Estou falando de Kirk Douglas, 92 anos de idade. Um dos ícones de Hollywood, subiu na vida à custa de sacrifícios sem conta e de uma desesperada vontade de escapar do inferno de miséria e frustração que foi a sua infância.

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Sucesso, prestígio, riquezas e belas mulheres não o fizeram esquecer sua origem miserável. The Ragman’s Son é um belo romance autobiográfico.

Sobre terapia, ele diz ter aprendido o seguinte:

1 – Todos têm problemas, alguns maiores, outros menores. Simplesmente, determinadas pessoas conseguem lidar com eles melhor que outras;

2 – Ninguém pode se formar em análise;

3 – Meu médico era mais enrolado do que eu.

Palavra de Spartacus.

25/08/2009 Posted by | Uncategorized | , | 7 Comentários

“Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol…”

Procura-se o maior compositor cearense, autor de “Divina Comédia Humana” e um dos maiores sucessos de Elis Regina, “Como Nossos Pais”.

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Conheci Belchior há seis anos atrás, foi quando pude dizê-lo pessoalmente o que milhares já o haviam dito:

Que admirava as suas composições e durante toda a sua carreira artística nunca havia se desviado pelos modismos, no intuito de apenas ganhar dinheiro e conseguir participações em programas de televisão. Ele sorriu, agradeceu e, com elegância, paciência, em uma simplicidade impressionante, continuou a conversar com todos que o abordavam. Não havia estrelismo algum.

Espero que Belchior seja encontrado ou se encontre o mais breve possível…

24/08/2009 Posted by | Uncategorized | 8 Comentários

O que você faria ou deixaria de fazer se tivesse que recomeçar tudo de novo? Com a palavra, John Huston.

O diretor de filmes memoráveis, entre eles os clássicos “Relíquia Macabra”, “Uma Aventura na África”, “Moby Dick” e  “O Homem que Queria ser Rei”, viveu aventuras do tamanho dos filmes que dirigiu.

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John Huston e o amigo Humphrey Bogart nas filmagens do clássico noir “Relíquia Macabra”.

John Huston e Jack Nickolson

O diretor e aventureiro com o genro Jack Nicholson (na época teve um romance duradouro com a filha de Huston, a atriz  Angelica Huston), atuaram juntos no clássico “Chinatown”.

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Em 1980 no livro autobiográfico intitulado An Open Book,  John Huston responde assim à clássica pergunta:

Passaria mais tempo com meus filhos.

Ganharia dinheiro antes de gastar.

Aprenderia a apreciar os prazeres do vinho em vez das bebidas mais fortes.

Não fumaria cigarros quando tivesse pneumonia.

Não casaria pela quinta vez.

 Palavras sábias do grande diretor.

 

 

 

22/08/2009 Posted by | Uncategorized | , | 2 Comentários

Senhoras e senhores, com vocês, Mabel Mercer.

Frank Sinatra, o maior cantor popular do século 20, mesmo após 10 anos de sua morte, continua a influenciar cantores do mundo inteiro. Mas quem o influenciou?

Sinatra, em diversas entrevistas, afirma que o ex-patrão Tommy Dorsey, a Diva do Jazz Billie Holiday e o excepcional crooner Bing Crosby, foram fontes inspiradoras. Porém quando a cantora de saloon Mabel Mercer faleceu, em 1984, aos 84 anos, os jornais e revistas ouviram Sinatra dizer ao jornalista Walter Winchell, o seguinte: “Tudo que aprendi sobre cantar, devo a Mabel Mercer”.

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Mabel Mercer

“A cantora mais sofisticada da música popular americana do século XX”, palavras do jornalista e escritor Ruy Castro, era elegante e articulada. Frank Sinatra interpretava a canção da mesma maneira – entendendo o sentido de cada palavra que o compositor quis demonstrar.

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                                                    Disco genial: Mabel Mercer interpretando Cole Porter.

Mabel Mercer reconhecia a supremacia da letra sobre a melodia e sempre atenta ao que a letra dizia. Seguidores devotados de Mabel Mercer:

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Frank Sinatra

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Nat King Cole

 

 

 

Mabel Mercer em ação.

21/08/2009 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

Uma proposta irrecusável: Aceita pôr azeite na salada?

A azeitona é o fruto das oliveiras (olea europea), árvore predominantemente mediterrânica e que pode chegar até aos mil anos de longevidade. Tudo bem. Isso tem no dicionário.

O que não se encontra sobre o fruto em dicionários está no livro Azeitonas – Vida e Saga de um Nobre Fruto do escritor norte-americano e cultivador de oliveiras Mort Rosenblum. O autor dedica um capítulo inteiro ao envolvimento da Máfia na produção de azeite.

 

Azeitona

 

 No filme O Poderoso Chefão, Don Vito Corleone foi baleado fora da empresa de comercialização de azeite de oliva da sua família, em Manhattan, o coração do seu império. De tanto ouvir falar no envolvimento da Máfia, Rosenblum resolveu perguntar diretamente a Mario Puzo, que respondeu: “Não sei nada sobre azeitonas, muito menos sobre a verdadeita Máfia. Eu inventei tudo”. Tá bom, eu acredito…

 

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                                                                   Marlon Brando – Don Vito Corleone

 

Nick Pileggi, repórter que trabalhava na Associated Press, autor de Wise Guy, livro que traça o perfil do membro de uma quadrilha de criminosos que tramava entre as famílias ligadas ao crime em Nova York, disse a Mort Rosenblum o seguinte: “Puzo descreveu tudo exatamente como era”. Depois entregou ao autor do livro anotações e este começou a investigar e a descobrir histórias interessantes sobre o envolvimento da Máfia na produção de azeite.

 

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Durante a maior parte deste século, o azeite tem sido tão apreciado pela Máfia quanto os sapatos de concreto” – Mort Rosenblum.  

  

21/08/2009 Posted by | Uncategorized | , | 2 Comentários

Surpresa boa nunca é demais.

Há 5 anos comprei o Livro “Sinatra – O Homem e a Música” de 2001, do paulistano Renzo Mora (renzomora.wordpress.com). Inicialmente relutei em adquirir, pois achei que se tratava de mais um aproveitador do mito Sinatra. Ledo engano. Renzo é um profundo conhecedor de Frank Sinatra, foi amigo de Roberto Quartin (1943-2004) que, simplesmente, participou in loco do clássico Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim, além de ter sido um dos maiores colecionadores do Frank.

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No livro, Renzo Mora relaciona fatos a canções eternizadas por Sinatra, cada tema, cada época é esmiuçada detalhadamente de maneira leve, o que torna a leitura extremamente agradável. Há ainda histórias surpreendentes sobre diversas celebridades, políticos e gângsters da época.

O prefácio de Roberto Quartin é emocionante. Não fez por fazer. Há sentimento e orgulho pelo trabalho que o Renzo desenvolveu. Leitura indispensável para os fãs do “Blue Eyes”.

17/08/2009 Posted by | Uncategorized | , | 16 Comentários