SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Johnny Weissmiller – o inesquecível Tarzan.

Se você acredita na velha frase de que, no Brasil, é preciso matar um leão por dia, ponha-se no lugar do Tarzan.” – Ruy Castro

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Os diversos seriados antigos estão em DVD nas prateleiras das locadoras. Um dos destaques foi Tarzan, interpretado pelo campeão olímpico (de 1924 1 1928) Johnny Weissmiller, considerado o melhor Tarzan do cinema.

 Nos filmes, o Homem-Macaco tinha a companhia da Jane, papel que ficou com a bela atriz Maureen O’Sullivan (mãe da atriz Mia Farrow), a macaca Chita, e o filho Boy, interpretado pelo ator Johnny Sheffield.

E o grito do Tarzan? Na verdade, o famoso grito foi produzido em estúdio: um mix de vozes e ruídos, entre os quais uma soprano de ópera e sirenes, conta Ruy Castro no Livro “Um filme é para sempre” (Companhia das Letras, 2006). Impossível um ser-humano reproduzir todos àqueles sons através apenas da voz.

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O criador do personagem foi o escritor americano Edgar Rice Burroughs que escreveu ao todo 23 romances sobre o Homem das Selvas.  – todos em toque de caixa: em média um a cada dois meses.

Quando Weissmiller engordou e deixou de interpretar o Tarzan ressurgiu em um novo papel, baseado nas histórias em quadrinhos de Alex Raymond sobre um caçador branco na África: Jim das Selvas. Na verdade, como disse um crítico de cinema, era um “Tarzan com roupas”. A agilidade não era a mesma, mas o carisma do ator-nadador continuou na nova série.

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Afumalakatchumba!” –  Tarzan “chamando os elefantes”, segundo o escritor Ruy Castro.

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30/09/2009 Posted by | Uncategorized | , , , | 2 Comentários

Mais uma do polêmico Roman Polanski: foi receber um prêmio na Suíça e acabou preso.

Na década de 70 Roman Polanski estava na casa do ator Jack Nickolson e se envolveu com uma menor de 13 anos de idade, sendo acusado de estupro e de drogá-la. Ao suspeitar que pudesse ser preso fugiu para a França e nunca mais voltou aos Estados Unidos. O caso nunca foi encerrado. Em 2003, Polanski não foi receber o Oscar pela direção do excelente filme “O Pianista” (The Pianist, 2003). Neste mês o diretor foi preso quando estava na Suíça para receber um prêmio pelo conjunto da obra no Festival de Cinema de Zurique.

Roman Polanski e Sharon Tate

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Isso é uma gota no oceano quando nos lembramos da carnificina que o psicopata Charles Mason causou em 1969. Polanski era casado com Sharon Tate, uma das mais belas atrizes de Hollywood que estava em ascensão e filmara três sucessos: “A Dança dos Vampiros” (The Fearless Vampire Killers, 1967), “O Vale da Bonecas” (Valley of the Dolls, de 1967) e o último filme da série Matt Helm, com Dean Martin. Roman Polanski estava na Europa quando houve a tragédia.

Sharon Tate: Uma beleza impressionante

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Mentor intelectual da chacina, o psicopata Charles Mason, juntamente com outros malucos: Charles “Tex” Watson, Susan Atkins e Patrícia Krewinkel assassinaram a atriz Sharon Tate e mais quatro amigos do casal. Sharon estava grávida de oito meses e meio e foi encontrada com um ferimento de bala e uma corda de nylon no pescoço numa cena que aparentava um ritual macabro. Com o sangue da atriz a criminosa Susan Watson (que morreu na última quinta, dia 24) escreveu na porta da casa do casal o nome “porco”.

Roman Polanski é um diretor excepcional e fez filmes geniais, mas a vida pessoal supera qualquer roteiro.

29/09/2009 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

“Someone said, drink the water, but I will drink the wine…” – Frank Sinatra.

A Família Sinatra (Vinícola Sinatra Family Estates) lançou um vinho, Cabernet Sauvignon, batizado “Come Fly With Me”, álbum clássico da época da Gravadora Capitol com temas musicais de várias cidades e países que obteve estrondoso sucesso.

 “Há vários anos procurávamos pelo vinhedo ideal para esse projeto e estamos encantados com a qualidade das uvas produzidas“, falou John Schwartz, empresário e parceiro da Sinatra Enterprise

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No rótulo há um disco de 45 rotações, com o selo da Reprise. Serão lançamentos anuais acompanhados de itens de colecionadores. Cada caixa contém seis unidades. O preço? Algo em torno de US$570, além de custos e impostos.

 Parece uma união perfeita: A vida complexa, a obra rica de Frank Sinatra (um descendente de italianos) unido à complexidade dos grandes vinhos. Era comum Frank terminar os shows brindando com a platéia da seguinte maneira:

 “Que vocês vivam cem anos e que a última voz que vocês escutem seja a minha.”

 Um brinde a Frank Sinatra! Apesar de ele preferir o seu Jack Daniels…

28/09/2009 Posted by | Uncategorized | | 5 Comentários

Um show histórico: Sarah Vaughan e Wilson Simonal.

Na década de 70 Ronaldo Bôscoli e Miele dirigiram um espetáculo que reuniu Sarah Vaughan e Wilson Simonal no palco. Bôscoli disse o seguinte:

 

Quando Sarah chegou, perguntamos:

– O que a senhora deseja fazer?

– O que vocês querem que eu faça?

– O que a senhora quiser fazer pode fazer, que está tudo beleza.

Claro, é brincadeira imaginar que pudéssemos dirigir uma cantora com a voz e a experiência de Sarah Vaughan. Apenas paginamos as músicas, botamos uma para ela cantar com o Simonal e só.

 

 O show foi um arraso, principalmente devido à “desobediência” do Simonal em resolver testar a Diva: foi fazer scat e suingar acima do previsto. Sarah Vaughan sentiu-se provocada então arrebentou.

 

 

Cá pra nós, o Simonal também entendia do traçado…

27/09/2009 Posted by | Uncategorized | | 2 Comentários

Sarah Vaughan possuía uma técnica incomparável.

Certa vez a Diva disse que “mulher preta, feia e pobre só tem dois caminhos. O segundo foi o que segui: ser cantora”. Sarah tinha uma sensibilidade impressionante, cada scat, cada improvisação carregava a sua assinatura.

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Na biografia do escritor Leslie Gourse, Sassy, The Life of Sarah Vaughan (1993), Sarah disse que “não existem canções antigas, apenas cantores cansados” – o que não se encaixa no próprio perfil, pois nunca aparentava cansaço algum.

Da mesma forma que dizemos: É uma Billie Holiday! É uma Ella Fitzgerald! Podemos dizer na mesma entonação: É uma Sarah Vaughan! Se a dor ensina a gemer ninguém gemeu tanto. Talvez Billie Holiday.

Mesmo perto do fim o swing ainda impressionava. Morreu em 1990, mas ainda cantava com uma voz que resistia ao inexorável tempo.

27/09/2009 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

Um faroeste de primeira classe: “O Homem Que Matou o Facínora” (The Man Who Shot Liberty Valantine, 1962).

Ante “The man who shot Liberty Valance”, até aqueles críticos rebeldes por estudada atitude ou sofisticados por formação não puderam reprimir o espanto.” – Antonio Moniz Viana.

Aos sessenta e sete anos o diretor John Ford manteve o alto nível que lhe era característico. Não se pode dizer que na época do lançamento os fãs foram surpreendidos pelo grande filme feito pelo genial diretor.

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No clássico faroeste há mitos e grandes atores do cinema por todo lado: James Stewart, no papel do advogado que é transformado em herói, John Wayne interpretando o pistoleiro mocinho, Lee Marvin (o bandido Liberty Valance) e a bela atriz Vera Miles que também atuou em Rastros de Ódio.   

Ford trata de temas que se entrelaçam e sobre a criação de heróis através de fatos nunca investigados profundamente. Durante o filme ocorre um equívoco crucial e no final um personagem da trama diz uma frase que se tornou clássica e até hoje é lembrada por todos os admiradores da sétima arte.

 “Quando a lenda se torna fato, publique a lenda.”

26/09/2009 Posted by | Uncategorized | , , | 2 Comentários

E por falar em Dick Farney…

 

“Quem não tem Sinatra, caça com Dick Farney”

 

A frase, do compositor Ronaldo Bôscoli, está no livro autobiográfico “Eles e Eu” (Editora Nova Fronteira, 1994). Na verdade não se trata de imitação, mas estilo, jeito de cantar.

Dick, segundo Bôscoli, era introvertido e adorava Sinatra. Apesar de trabalhar em boates, principalmente, paulistanas, não era boêmio. Além de cantor e pianista foi um decorador famoso em São Paulo. Elis Regina queria que decorasse o seu apartamento quando casou com Ronaldo Bôscoli.

Voz limpa e pianista exímio – gravou em 1960 um disco de jazz fabuloso: Dick Farney e seu Jazz Moderno no Auditório de O Globo. Por ser pianista admirava Nat King Cole, George Sharing e Dave Brubeck.

 

Dick Farney – a voz e o piano.

 No início da carreira morou nos Estados Unidos e se deu bem em Nova York, conforme escreveu Ruy Castro no livro “A onda que se ergueu no mar” (Companhia das Letras, 2001). Nesse período chegou a ser citado na Revista Time como uma das grandes promessas da época, ao lado dos também iniciantes Mel Tormé e Johnny Desmond. Porém teve que retornar ao Brasil – o motivo era simples: os discos que gravara antes de embarcar estouraram nas paradas.

 

Com uma voz assim até a nossa cantora maior se derrete…

Já no Brasil, Dick descobriu que já era famoso para um grupo de jovens talentosos que fundaram o Sinatra-Farney Fan Club na década de 60, tendo como um dos sócios, João Donato.

Assim como o destino agiu na vida de Dick Haymes, que nasceu na Argentina mas fez sucesso nas terras do Tio Sam, Dick Farney, se tivesse permanecido por lá, teria o mesmo ou maior sucesso que alcançou no Brasil, com uma vantagem: pelo menos não seria esquecido.

Há algum tempo assisti ao Globo Repórter de agosto de 1987 que lhe foi dedicado quando da sua morte. Trata-se de uma bela homenagem ao cantor que mais representou Sinatra no Brasil.

 

A segunda e emocionante parte do programa dedicado a Dick Farney.

 

 

25/09/2009 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

“A Noite do Meu Bem” de Dolores Duran na voz de Dick Farney me traz profundas recordações.

Hoje eu quero a rosa mais linda que houver

E a primeira estrela que vier

Para enfeitar a noite do meu bem

Hoje eu quero a paz de criança dormindo…

 Sempre ouvia meu pai cantá-la quando eu era criança. Sempre que a escuto volto a um passado distante (as mesmas lembranças os mesmos sentimentos sinto com Father and Son de Cat stevens, apesar de não ser o estilo musical dele).

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Por tal razão, sempre gostei de Dolores Duran e do intérprete maior dessa canção: Dick farney. São momentos de calmaria. Não tem preço ouvir uma música que nos traz boas lembranças. É, como diz a letra da canção, “a alegria de um barco voltando”…

24/09/2009 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

Lana Turner mereceu um Oscar pela superação.

 – Quer trabalhar no cinema?

 – Vou perguntar para a mamãe.

Lana Turner Começou a carreira quando foi vista por Bill Wilkerson, um caçador de talentos, que lhe fez a clássica pergunta. Na época, a loura mais famosa do cinema na década de 40, tinha dezesseis anos e tomava um milk-shake quando respondeu inocentemente.

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Teve uma vida pessoal e profissional tumultuada. Casamentos (vários) fracassados e tragédias de proporções inimagináveis: o quarto marido da atriz, Lex Barker (ex-Tarzan) violentou a filha da atriz, Cheryl Christina, então com 10 anos. Lana descobriu e, com um revólver na mão, pôs o Tarzan para correr de casa. A mesma filha matou o amante mafioso de Lana Turner – Johnny Stompanato – com uma faca de vinte centímetros cravada no estômago. Foi absolvida no Tribunal pelos jurados.

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Lana sobreviveu a tudo. Trabalhou até 1991 e faleceu em 1995. Nos extras do clássico Assim Estava Escrito (The bad and the beautiful, de Vincente Minnelli, 1952) tem um documentário extenso sobre a tumultuada vida da atriz. Há outro filme que gostei: o clássico noirO destino bate à sua porta” com o astro John Garfield (The Postman Always Rings Twice, de Tay Garnett, 1946) . Houve uma versão em 1981 com Jack Nicholson e Jessica Lange.

A saudosa jornalista Dulce Damasceno de Brito, no livro “Lembranças de Hollywood” disse que Lana Turner era apontada por muitos americanos como “a mais ninfomaníaca de todas as estrelas de Hollywood”. Tolice deles…  

Homenagem a Lana Turner – Moonlight in Vermont na voz de Margaret Whiting.

20/09/2009 Posted by | Uncategorized | , | 4 Comentários

Robert Mitchum: acordar bem é assim…

Existiram determinados atores famosos que souberam lidar com ironia no sistema que Hollywood impunha aos astros da época – todos com talento, não cederam às armadilhas que a fama proporcionou, optaram ter uma vida à parte – Dean Martin e Humphrey Bogart são exemplos.

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Mitchum também fez parte dessa turma. Certa vez, ironicamente, disse a Shirley Maclaine como seria um dia bom:

 “Quando acordo de manhã, urino e não sinto dor”.

20/09/2009 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário