SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Nos últimos anos de palco, para contratar Frank Sinatra, as exigências do mito eram mínimas se compararmos aos astros de hoje em dia.


Em 1990, Frank Sinatra era um autêntico dinossauro, representava uma época em que os grandes da música estavam morrendo, mas ele ainda tinha forças para cantar, dia após dia.

Seu filho, Frank Jr., é um grande maestro e conhecia (na verdade, ainda conhece) profundamente todos os discos, canções e modo de cantar do pai. Tornou-se seu maestro e, junto a uma comitiva que cuidava de todos os detalhes e mimos exigidos por Mr. Sinatra foi realizado shows por diversas cidades norte-americanas.

People Scorsese Sinatra

As exigências para um show do maior astro de todos os tempos do show business havia aumentado: o contrato incluía uma longa lista de exigências que ultrapassava vinte páginas – era chamado de “provisões técnicas”.

Era previsto, por exemplo, que em seu camarim devia ter três latas de sopa Campbell’s de frango e arroz e sanduíches de salada de ovo.

Sobre a cômoda tinha sempre uma caixa contendo os cigarros Camel sem filtro e sem o papel celofane que o cobria. Também havia seis pacotes de lenço de papel e seis guardanapos de linho. (Nada comparado às exigências dos astros de hoje. Rod Stewart, por exemplo, exigiu 70 toalhas brancas quando veio ao primeiro Rock in Rio – até hoje o empresário Roberto Medina não precisa comprar toalhas pra casa)

Uma questão à parte era a bebida. Sempre devia ter uma garrafa de Jack Daniel’s, uma de Vodka Absolute (antes também era chegado a uma Stolichnaya), uma garrafa de Chivas Regal e um conhaque Courvoisier. Para completar, seis garrafas de água mineral Evian e dezenas de garrafas de refrigerante.

Se ele comia? Depois do espetáculo Frank Sinatra partia com integrantes da equipe, convidados e amigos em um comboio de carros para um restaurante que já o aguardava com garçons e os pratos preferidos do cantor. O local devia ter um piano-bar com uma garota que Mr. Sinatra tinha achado interessante da outra vez, o pianista devia estar preparado com o repertório das músicas que o mito havia gravado desde a década de 40 e tocá-las até o sol raiar.

Se tratando do maior astro do show business de todos os tempos, as exigências eram migalhas.

Frank, aos 73 anos, cantando “My Way” em 1989. A voz não é a mesma, mas a interpretação aliada ao peso da idade passa uma emoção a mais – a letra retrata a vida do mito.

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06/11/2009 - Posted by | Uncategorized |

21 Comentários »

  1. Oi, Sávio!
    Em 1990, Frank com 75 anos, já não tinha mais aquela disposição de sair após o show com amigos, mas para cantar a voz nunca cansou.
    Frank Jr. se formou na faculdade em música, sendo um grande pianista e maestro e tornou-se o último maestro de seu pai em vida, sendo que este lhe deixou como herança todas as músicas orquestradas pelos grandes maestros como Nelson Riddle, Don Costa, Billy May etc., todas guardadas num grande cofre e com seguro milionário.

    Comentário por Lourdes | 07/11/2009 | Responder

    • Lourdes, o que mais me admirava em Sinatra além claro de sua arte, era sua dedicação aos filhos, pelo que sei ele por mais distante que estivesse, por mais ocupado que fosse, NUNCA deixou de ligar para casa para falar com os filhos e saber como estavam nos estudos, a saúde e o comportamento, achei isso FANTASTICO a primeira vez que lí sobre o assunto.Abraço..Roberto

      Comentário por ROBERTO CARVALHO | 09/11/2009 | Responder

  2. Olá Lourdes,

    O fator idade e milhares de noitadas regadas a bourbon e cigarro não conseguiram destruir a voz do Frank.
    Quanto ao Frank Jr., me surpreendeu positivamente naquele maravilhoso show que realizou no Rio de Janeiro. O problema é que ser filho de Frank Sinatra não é moleza…

    Grande abraço.

    Sávio Soares

    Comentário por dsaviosoares | 08/11/2009 | Responder

    • Sávio, realmente ser filho de Sinatra não é moleza, mas vou ser sincero com voce, posso exagerar um pouco, mas se fecharmos os olhos, nos concentrarmos e ouvirmos Sinatra Jr. cantar, podemos sentir em seu baritono o som de seu Pai, o que creio eu falta um pouco a Sinatra Jr. é o charme, a elegancia e leveza com que o Pai transitava nos palcos, era IMPRESSIONANTE como em uma plateia de 120.000 mil pessoas ou mais, tinhamos a impressão de que Sinatra era UNICO, comandante e regente de todas aquelas pessoas que estavam lá, mas estamos ai e onde Sinatra Jr estiver levará consigo todo o talento de seu Pai.

      Comentário por Roberto Caravalho | 09/11/2009 | Responder

      • Roberto,
        Concordo quanto a falta de leveza. Filhos de grandes astros sempre sofrem comparações. É uma situação cruel, mas não há saída. Já imaginou um filho do Elvis vestido com as mesmas roupas do pai?

        Abração,

        Sávio.

        Comentário por dsaviosoares | 10/11/2009

  3. Uma bela frase de Sinatra em seu show no JAPÃO: “Já me deram muitos apelidos, Blue Eyes (Olhos Azuis), The Voice (A Voz), Frankie entre outros, mas o ultimo que arranjaram, é o melhor e o que mais gosto: VOVÔ.

    Comentário por ROBERTO CARVALHO | 09/11/2009 | Responder

  4. Oi, Roberto!
    Frank Sinatra adorava seus filhos. Como você disse, realmente, ele ligava todos os dias geralmente no final da tarde quando eles estavam de volta da escola, para saber do seu dia, o que estavam fazendo etc. E quando ficaram adultos ele ligava no mesmo horário para conversar com eles e saber de suas vidas.
    Ele também ligava todos os dias para sua mãe quando ela estava viva.

    Comentário por Lourdes | 10/11/2009 | Responder

    • Obrigado Lourdes e estou aqui ainda todo arrepiado só em me comunicar com voce aqui pelo nosso espaço cinema e musica, afinal de contas voce é a VOZ mais fidedigna que representa meu grande IDOLO Sinatra.

      Lourdes, vou fazer agora um breve resumo de como virei apaixonado por Sinatra: Para começar meu pai Jackson de Carvalho dentista e compositor nas horas vagas , autor do Hino do Fortaleza Esporte Clube não chegava a ser um Sinatrologo, mas gostava muito dele, em 1980 eu então com 15anos soube que minha mãe iria a um congresso no Rio que coincidia com a epoca do show de Sinatra, minha mae não ia para o show e eu assistiria em casa pela tv, só que na ultima hora um parente de minha mae que tinha um ingresso para o gramado naõ pode ir e deu para ela o ingresso e ela foi sem sabermos, no final do show quando todos saiam e as cameras sobrevoavam o gramado vi minha mae saindo, só que não achei que fosse ela pois nao sabia que ela tinha ido ao show, só no outro dia veio a confirmação, desde esse dia até hoje pelo fato de já gostar de Sinatra e ter esse fato acontecido com minha mae só fez aumentar minha admiração e passei a ler tudo e comprar tudo o que via e vejo pela frente de Sinatra…abraços de seu admirador..Roberto

      Comentário por ROBERTO CARVALHO | 10/11/2009 | Responder

  5. Sávio, realmente Frank era apaixonado pelos netos. Essa frase ele disse no show The Main Event, em Nova York, em 1974.
    As filhas da Nancy perderam o pai em 1985, e o Frank assumiu a criação delas junto com a Nancy, ele foi um pai e um avô ao mesmo tempo.

    Comentário por Lourdes | 10/11/2009 | Responder

  6. Os três homens que calaram o Maracanã
    Poucas são as pessoas que dominam a arte de arrebatar as multidões, seja pelo verbo, seja pela atitude. Mesmo dentre as pessoas que têm por ofício apresentar-se freqüentemente diante de multidões, tais como os políticos, os palestrantes, os sacerdotes, os músicos, os cantores, os comunicadores, os atores etc., poucos são aqueles que possuem o dom de “dialogar” com as multidões e, portanto, comandá-las. Digo “dialogar” porque a grande maioria dos profissionais que mencionei acima não conseguem fazer com que suas platéias lhes dêem o devido feedback para que possa haver uma interação harmônica entre o emissor e seus receptores. Os mestres na arte do “diálogo” com as massas podem provocar nelas uma miríade de sentimentos e reações biológicas: alegria, tristeza, euforia, êxtase, risos, gargalhadas, vaias, lágrimas, ódio, paixão, nojo, inveja, rancor, ira, felicidade, tranqüilidade, paz-de-espírito, bem-estar etc., enquanto que aqueles que não sabem “dialogar” com as massas conseguem, no máximo, provocar dispersão (mental e/ou física), além, é claro, de sono, o qual, muitas vezes, pode ser constatado através de bocejos ou mesmo de roncos generalizados.

    Porém, se você acha difícil agitar uma multidão, imagine calar uma. Imagine uma grande arena que tenha capacidade para abrigar milhares de espectadores. Um lugar em que, freqüentemente, são realizados espetáculos de massa extremamente emocionantes. A arena de que estou falando é o Maracanã, o maior estádio de futebol do mundo. Imagine-se fazendo qualquer tipo de performance perante todos aqueles milhares de pessoas. Qualquer coisa que você fizer durante sua apresentação pode arrancar ovações, risos ou vaias da multidão. Mas você consegue imaginar a façanha que seria calá-la? Você já parou para pensar em como deve ser difícil calar o Maracanã? Pois é. Realmente, trata-se de algo tão extraordinariamente difícil que apenas três homens conseguiram fazê-lo até hoje, em 56 anos de existência do estádio: Frank Sinatra, João Paulo II e Gigghia.

    Em 2 de fevereiro de 1980, Frank Sinatra cantou no Maracanã. A multidão calou para ouvir A Voz.

    Cronica de Sergio Pereira.

    Comentário por ROBERTO CARVALHO | 10/11/2009 | Responder

    • Grande Roberto,

      Obrigado por trazer sempre boas informações sobre o Frank ao nosso espaço.
      O show no Maracanã foi marcante para a nossa geração. Quanto aos três que calaram o Maraca, o único silêncio realmente triste foi o proporcionado pelo ponta-direita da seleção do Uruguai, Gigghia.

      Grande abraço,

      Sávio.

      Comentário por dsaviosoares | 10/11/2009 | Responder

      • Grande comandante desse belo espaço, nunca olho o lado negativo das coisas, por isso prefiro dizer que só o que me faz calar e silenciar são as coisas boas, as que tocam meu coração como a musica de Sinatra ou um momento de oração..abraços..Roberto

        Comentário por Roberto Carvalho | 11/11/2009

      • Valeu Roberto,
        Pensando dessa maneira inteligente nós vivemos melhor, como dizia o nosso Tom Jobim: “Longa é a vida breve é a arte no coração do pecador…”

        Abração.

        Comentário por dsaviosoares | 11/11/2009

  7. Eu estive no show do Maracanã e confesso a vocês que foi o maior show da minha vida até hoje.
    O dia estava chuvoso, choveu o dia inteiro e quando cheguei ao Maracanã havia um boato que o show seria cancelado por causa da chuva, porque alguns músicos não queriam molhar seus instrumentos, inclusive um violino Stravidarius. Às 9 horas em ponto a chuva parou e Frank Sinatra entrou no palco arrancando aplausos imensos da multidão de 180.000 pessoas que lotava o Maracanã. Ele olhou para o céu e disse: A chuva parou, Deus foi bom conosco. E cantou por 2 horas debaixo de uma imensa ovação da platéia que atirava flores para ele. Foi quando ele parou um momento e diss: Senhoras e Senhores, eu quero dizer uma coisa. Nunca em minha vida profissional eu tive uma platéia como essa. Nunca.
    Ele estava simplesmente abismado com o tamanho do Maracanã e o público que o havia lotado. Foi uma noite memorável e quando Sinatra terminou de cantar e saiu do palco e chuva começou a cair novamente.
    Foi uma noite maravilhosa.

    Comentário por Lourdes | 11/11/2009 | Responder

    • Puxa vida Lourdes, imagino voce no Macacanã, assim como jamais imaginaria que minha mãe tivesse tido a sorte de ganhar o ingresso para o gramado dias antes do GRANDE MOMENTO.Um detalhe que me chamou atenção: Voce disse que ele cantou por 2 HORAS? Pois é amiga, a quanto tempo não vemos artistas com repertorio e força para cantar por 2 horas sem parar e manter a atenção da plateia o tempo inteiro com a mesma vontade? e a chuva? parou só para ver e ouvir ELE? Lembro Lourdes que o Brasil quase para, no Rio só se falava em Sinatra; jornais,tvs,revistas,etc..Sinatra era quase ou total unanimidade. INCRIVEL.Sempre que escrevo sobre Sinatra fico emocionadissimo, com os olhos umidos, não sei se com voce acontece, mas quando ouço algumas musicas de Sinatra, me sinto como se estivesse em um lugar, a beira do mar e olhando PARA O INFINITO, onde a vista não alcança e nem imagina alcançar..essa é a sensação que a musica de Sinatra causa em mim, é como se eu estivesse dançando nas nuvens, flutuando e a caminho do horizonte, não sei se soube me expressar bem, mas é mais ou menos isso que sinto..rs..abraços Roberto

      Comentário por Roberto Carvalho | 11/11/2009 | Responder

  8. Ps: O nome do violino é Stradivarius. Desculpa.

    Comentário por Lourdes | 11/11/2009 | Responder

  9. Olha, Roberto, além de cantar por 2 horas, ele correu pelo palco pois havia um microfone em cada espaço (o palco era redondo com se fosse uma estrela e em cada ponta um microfone) e eu acredito que a chuva parou para ouvi-lo, sim, porque foi emocionante, até ele ficou emocionado.
    Quando o show acabou ninguém saiu do lugar, acho que ficaram esperando mais…

    Comentário por Lourdes | 11/11/2009 | Responder

    • É..Lourdes, a chuva, as estrelas, as nuvens,voce e todas as outras 179.000 mil pessoas que estavam lá pararam para ver SINATRA…fico aqui imaginando como eu vou morrer sem ter visto um show de Sinatra ao vivo..é uma pena, meu maior desejo não realizado. Mas o dia que inventarem uma maquina que entra no cérebro das pessoas e que permita ver atraves de sua mente o que voce viu no pasado ao vivo..entrarei na sua…rs..e não quero saber de mais nada, nem da vida de Sinatra, de sua familia,etc..só quero ver com sua mente o que voce viu e ouviu naquele 2 de Fevereiro de 1980…quem me dera…abraço e como sempre um prazer ler voce aqui..Roberto

      Comentário por ROBERTO CARVALHO | 11/11/2009 | Responder

  10. Roberto, apenas uma retificação: O show do Sinatra no Maracanã foi no dia 26 de janeiro de 1980.

    Comentário por Lourdes | 12/11/2009 | Responder

  11. Olá Sávio,
    Admiro muito o seu blog e a maneira como falou sobre um dos melhores cantores de sempre… Não podia estar mais bem escrito…Quem me dera ter nascido a tempo de assistir a um dos shows de Frank Sinatra…
    Agradeço muito por ter criado esta página… Continuação de bom trabalho,
    Mafalda

    Comentário por mafalda | 22/08/2010 | Responder

    • Olá Mafalda,

      Também nunca assisti a um show do Frank ao vivo. Quando o filho dele veio ao Brasil fui ao Rio de Janeiro e pude “viajar” imaginando o pai, ali, no palco, cantando “My Way” e tantas outras. Foi um belo show e homenagem que o filho lhe prestou. Vale ressaltar que estava muito bem acompanhado com músicos que fizeram parte da Orquestra do “Blue Eyes”.

      Obrigado pelos elogios, espero continuar lhe agradando.

      Abraço,

      Sávio.

      Comentário por dsaviosoares | 22/08/2010 | Responder


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