SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Errol Flynn: Aventura era com ele – dentro e fora das telas.

O ator britânico David Niven era amigo e companheiro de farras do galã Errol Flynn nas décadas de 30 e 40. No livro Cavalos de Raça, mulheres de classe (Bring On The Empty Horses, 1978), Niven nos conta histórias divertidas e emocionantes vividas na época de ouro de Hollywood. Flynn tem destaque especial não só pela amizade, mas também porque era um aventureiro na vida real.

Errol Flynn tinha um porte atlético, exímio espadachim, bom de briga dentro e fora das telas, o que foi bem aproveitado nos filmes de aventura em que protagonizou: Capitão Blood (Captain Blood, 1935), A Carga da Brigada Ligeira (The Charge of the Light Brigade, 1936) e As Aventuras de Robin Hood (The Adventures of Robin Hood, 1938), entre outros.

Era extremamente boêmio, teve vários casamentos, namoradas adolescentes e um processo de estupro. (do qual foi absolvido)

 Na época, em Hollywood, o ator Robert Mitchum teve o azar de ser preso por fumar maconha e Errol introduziu este hábito em sua vida mais ou menos no mesmo período. Ele veio com a droga quando voltou de uma viagem que havia feito ao norte da África e assim, gentilmente a oferecia aos que freqüentavam a sua casa em Beverly Hills – já naquele tempo, apesar de ganhar bem mais, dividia o aluguel com o amigo David Niven.

 Sobre as loucas histórias do ator de Capitão Blood, em determinado trecho do seu livro, Niven nos conta o seguinte:

Em pouco tempo renunciei a ela (maconha), creio que principalmente por já ter sido fisgado por uma coisa provavelmente muito mais fatal – o uísque escocês – mas Flynn  continuou insistindo, e vinte anos depois em nosso último encontro, contou-me que excetuando a heroína ele se viciara em tudo, incluindo um afrodisíaco: apenas uma pitada de cocaína na extremidade do pênis.

Depois dessa época Flynn foi morar em uma montanha, e lá bem no alto em Mulholland Drive, construiu uma casa térrea luxuosa e própria para um solteirão. Tinha uma sauna finlandesa, uma cama – seu campo de batalha – com um espelho no teto. No livro, David Niven diz ainda que as paisagens do Vale San Fernando eram belíssimas e incluía ainda na mansão um ginásio para briga de galos. Além disso, havia sempre várias garotas, principalmente ninfetas e de acordo com o próprio Flynn, ela tornou-se a meca dos homossexuais, marginais, jogadores, e de toda espécie de impostores.

 A turma era da pesada: além de Errol Flynn e David Niven havia John Barrymore (avô da atriz Drew Barrymore, que se drogou e quase morreu quando ainda era criança). Segundo David Niven, quando Barrymore morreu todos sentiram um grande alívio, pois puderam invernizar novamente a moldura da janela do living, porque durante sua permanência ele adquirira o hábito de urinar dali, alegando que tinha esperança de regar os estúdios da Warner Brothers no vale que ficava abaixo.

Errol Flynn em sua escuna “Zaca” – bebidas, festas e orgias à vontade.

O ator John Barrymore era um alcoólatra maluco e insuportável. Quando morreu a turma resolveu fazer uma brincadeira: (um “agrado” que eu não gostaria de receber dos meus amigos…), David Niven disse o seguinte sobre o fato:

 …Errol gostava de contar que chegou em casa bêbado, tentando afogar a tristeza que sentia pela morte de Barrymore. Quando entrou na escuridão da sala de estar com suas janelas apresentando uma vista panorâmica do Vale de San Fernando, viu o ator John Barrymore sentado em sua cadeira habitual com um drinque em uma das mãos. Pensara que fosse um fantasma, mas após examina-lo melhor, afirmara tratar-se do cadáver do ator, que fora emprestado (!) pelo proprietário da casa funerária aos seus “queridos” amigos…

 Na década de 50, Errol Flynn estava acabado e descobriu a vodka, passando a bebê-la como se fosse desaparecer do mercado. O ritual começava às sete da manhã. Insatisfeito com os estúdios que só o queriam como ator de filmes de aventura, alternava momentos de depressão e outros de festas no veleiro “Sirocco” e depois na escuna “Zaca”. Em dias de depressão era visto com uma garrafa de vodka em uma mão e um revólver na outra.

 No último encontro com David Niven em 1958, o amigo estava diferente…

 …Errol Flynn estava com um rosto balofo e todo manchado e a mão, que um dia empunhara o arco de Robin Hood, não poderia mais atirar uma flecha no Taj Mahal a dez passos de distância. Mas aparentava um semblante que emanava paz e sinceridade no que dizia…

 – Descobri um livro grandioso, e vivo lendo-o. Está cheio de coisa maravilhosas – disse Errol. Eu o olhei com curiosidade. – Se eu contar, e você zombar, te dou um soco nestes malditos dentes!

– Prometo que não farei isso – respondi.

– É a Bíblia – confessou Flynn.  

Trailer original de Robin Hood – Errol em ação – nenhum ator foi tão perfeito vivendo um ladrão aventureiro ou pirata. Errol também foi um grande espadachim. (De brinde vem a belíssima atriz Olívia de Havilland, ainda viva aos 93 anos)

Um tributo a Errol Flynn que morreu em 1959 aos 49 anos de idade – um mito de Hollywood que enfrentou perigosos inimigos nas telas, mas nenhuma aventura foi maior do que a própria vida.

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16/11/2009 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário