SÁVIO SOARES

Cinema e música.

“Only The Lonely” – Frank Sinatra

 

Frank Sinatra Sings for Only The Lonely (Capitol, 1958)

 

 

Não, este não é o melhor disco de fossa da década de 50. Trata-se, simplesmente, do melhor álbum de canções para amantes solitários, amores perdidos e boêmios do século 20. Na capa do disco o cantor está com uma lágrima escorrendo pelo rosto pintado de palhaço. Curiosamente, o único prêmio (Grammy) que ganhou foi pela capa do disco. No verso do álbum encontramos uma gravura bem ao estilo Edward Hopper: Um homem urbano comum, solitário num banco de praça, bem próximo a um lampião estilo anos 50.

 A seleção musical é um caso à parte – o clima de fim de noite, de melancolia e de tristeza é imediatamente estabelecido pela música de abertura (Only The Lonely) e segue com Angel Eyes, Whats New (fenomenal!), Guess I’ll Hang My Tears Out To Dry e One For My Baby, entre outras, interpretadas por um Sinatra extremamente comovente.

 Os arranjos e a condução da orquestra foram de Nelson Riddle, formando com Frank Sinatra uma das parcerias mais certeiras da história da música popular norte-americana. Entre os meus amigos sinatrófilos há uma disputa quente em comparação ao também fabuloso álbum conceitual In The Wee Small Hours Of The Morning de 1955, mas, para mim, o disco Only The Lonely é insuperável, ganha por una cabeza.

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21/11/2009 Posted by | Uncategorized | , , | 4 Comentários

“Olhe para o alto Hannah! Olhe para o alto!” – Pediu Charles Chaplin para a atriz Paulette Goddard no clássico “O Grande Ditador” – não precisava pedir…

Ela olhou para o alto, não apenas no clássico “O Grande Ditador”, mas também na vida real – Paulette Goddard, nascida Marion Levy, possuía uma beleza impressionante, bom humor, inteligência e muita ambição.

 

Quando retornou a Hollywood, após um período de afastamento, a atriz já estava separada de um milionário e havia saído do divórcio com cem mil dólares na conta e dirigindo um sesa Duesembeg de dezoito mil dólares.

 Aos 21 anos Marion Levy (nome de nascimento) já havia feito pontas nos filmes de Laurel e Hardy, de Hal Roach, já tinha se casado e divorciado quando conheceu Chaplin a bordo de um iate. O maior gênio da comédia ficou encantado pelo “conjunto” da atriz, mas estava ressabiado com a má-fama de conquistador de garotinhas. (era a mais pura verdade)

Ao conhecê-la comprou o contrato dela e a contratou para atuar no filme “Tempos Modernos” (1936) e depois, apesar de já estarem separados, Chaplin a convidou para o clássico “O Grande Ditador” (1940), no qual a atriz viveu o papel da judia Hannah.

 No livro “Cidade das Redes” (1986), o escritor Otto Friedrich revela que Paulette era tão ambiciosa que deixou o total controle da carreira artística nas mãos do comediante. Mas o que ocasionou o rompimento do casal foi quando Paulette se apresentou a Selznick para o papel de Scarlett O’Hara – Chaplin ficou chateado e ela ficou sentida por ele ter ficado chateado.

A atriz Paulette Goddard, além de um rosto belíssimo, inteligência e humor, possuía um corpo escultural.

 

 Apesar da ambição da bela atriz, quando houve a separação, Chaplin se deu conta, pela primeira vez, de que perdera uma pessoa de valor. Segundo consta nos livros os dois eram extremamente parecidos: belos, engraçados, inteligentes e, talvez a razão da separação, ambiciosos demais. Paulette atuou na década de 40 nos estúdios da Paramount, mas foi despedida, aparentemente, sem justa causa. Teve diversos casos amorosos com astros de Hollywood e faleceu em 1990 aos 79 anos. Deixou uma coleção de jóias avaliada em 10 milhões de dólares pela Sotheby’s, entre as peças havia um diamante valiosíssimo, presente de Charles Chaplin.

Paulette Goddard foi musa inspiradora e atriz principal de Chaplin em dois dos seus grandes clássicos – o que não é pouco.

21/11/2009 Posted by | Uncategorized | , , | 4 Comentários