SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Frank Sinatra e Luck Luciano.


Muitos escritores já contaram à exaustão sobre o envolvimento do Frank Sinatra com amigos gangsters, principalmente o carniceiro Sam Giancana. Porém, há uma passagem que gostaria de comentar: no livro biográfico do gangster Charles “Luck” Luciano há trechos do comentado encontro em Havana e os laços de amizade dos dois.

Mesmo exilado na Itália Charles Luck Luciano manteve o controle da Máfia nos Estados Unidos por 15 anos – Luciano foi o Chefão mesmo fora dos Estados Unidos, o que demonstra o poder e a mente incrivelmente inteligente (para o mal) deste pequeno homem. Mas em 1961, Charles “Luck” Luciano estava com 63 anos, mais da metade da vida dedicada ao crime, doente, dois enfartes e com a vida ameaçada pelos ex-amigos mafiosos. Estava amargurado, queria sua história contada num filme, mas foi impedido. Foi um duro golpe no orgulho de Luciano. Então, decidiu contar tudo num livro.

 Durante 10 meses contou detalhadamente sua vida a Martin Gosh. O escritor transformou tudo que ouviu no livro The Last Testament. Mas teve uma condição: o livro só pôde ser publicado 10 anos depois da morte do gangster “Luck” Luciano, fato que ocorreu no dia 26 de janeiro de 1962 devido a um enfarte fulminante.

 No livro há uma passagem interessante sobre o encontro do maior cantor do mundo com o mais poderoso gangster da época. Foi em Havana durante um grande encontro de mafiosos.  Se alguém perguntasse, havia uma razão especial para tal encontro. Era uma homenagem ao rapaz italiano de Nova Jersey chamado Frank Sinatra, o crooner que se transformara em ídolo das adolescentes do país. Ele voara para Havana com seus amigos, os Fischettis, ao encontro de seu amigo Charles Luciano e durante uma semana de feriados seria dada uma festa de gala em sua honra.

 Sobre Frank Sinatra, Luciano demonstrou ser fã.

Frank era um bom rapaz e a gente tinha muito orgulho do jeito que ele chegou lá em cima. Quando eu tava em Dannemora, os rapazes que vinham me ver falavam dele. Eles diziam que ele era um garoto magrinho lá da região de Hoboken com uma voz formidável e que ele era cem por cento italiano. Ele costumava cantar nos bares por ali e os caras gostavam dele. Quando chegou a época que era preciso botar algum dinheiro pro Frank ficar mais conhecido, eles botaram. O Frank trabalhava na orquestra de Tommy Dorsey e tava levando uns 150 dólares por semana, mas ele precisava de publicidade, roupas, músicas diferentes e tudo isso custava muito dinheiro – acho que era uns 50 ou 60 mil dólares, Eu dei o Okay pro dinheiro que saiu do fundo mas teve alguns caras que botaram dinheiro do próprio bolso, uma contribuiçãozinha maior. Tudo isso o ajudou a virar um grande astro e ele tava mostrando agradecimento vindo até Havana dar um alô a mim. Eu não queria dar a idéia de que a gente alguma vez pedia a ele para fazer alguma coisa ilegal. Ele dava alguns presentes a uns dos caras, uma cigarreira de ouro, um relógio, este tipo de coisa, mas não passava disso. E eu sempre achei que aquele cara era o número um.

No livro há um comentário do mafioso sobre uma foto que foi tirada dele com o Frank e colocada num restaurante da Califórnia, mas não soube explicar o motivo que a retiraram do local.

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26/02/2010 - Posted by | Uncategorized | ,

9 Comentários »

  1. Sávio,

    Esse seu post acaba por atestar que os bons amigos – mesmo os maus – são fundamentais na trajetória de um homem. Talvez sejam o maior patrimônio que alguém pode amealhar ao longo da vida.

    Aquele abraço, amigo.

    Comentário por Jason Stone | 28/02/2010 | Responder

  2. Jason,

    Um homem sem amigos é um homem morto.

    Abração,

    Sávio

    Comentário por dsaviosoares | 28/02/2010 | Responder

  3. Só comprova que os mafiosos eram apenas OTIMOS FÃS DE SINATRA..RS..ABRAÇO

    Comentário por Roberto Carvalho | 01/03/2010 | Responder

    • É Roberto, eles tinham bom gosto (musical).

      Abração,

      Sávio

      Comentário por dsaviosoares | 01/03/2010 | Responder

  4. Sobre o livro:

    O livro The Last Testament (Editora Novo Tempo) foi escrito com uma condição: só poderia ser publicado 10 anos depois da morte do personagem central – Charles “Luck” Luciano. A históri de Luck Luciano é, também, a história do crime organizado.

    Comentário por dsaviosoares | 01/03/2010 | Responder

  5. Na verdade a reunião em Havana foi convocada por Meyer Lansky para debater os investimentos da Mafia em Cuba. Sinatra foi de mula, levando uma mala cheia de dinheiro, e aproveitou para estar com Lucky Luciano.

    Comentário por Luiz | 06/04/2010 | Responder

    • Olá Luiz,
      faz sentido esta versão. O próprio Jerry Lewis em sua autobiografia nos conta sobre a famosa mala de dinheiro do Frank.
      Na verdade, apenas comentei o que foi dito no livro do escritor Martin Gosh.

      Abraços e obrigado pela participação.

      Sávio

      Comentário por dsaviosoares | 08/04/2010 | Responder

  6. Tirei a informação sobre a reunião em Havana e o “favorzinho” que Sinatra fez para a rapaziada da Mafia do fantástico livro “Havana Nocturne: How the Mob owned Cuba and lost it to the revolution”, de T. J. English. O livro traça um amplo painel das atividades mafiosas em Cuba, do fim dos anos 20 até a chegada de Fidel, quando a casa caiu…

    Comentário por Luiz | 17/04/2010 | Responder

    • Boa Luiz, o livro é excelente, rico em detalhes: O convidado Frank Sinatra, George Raft, os mafiosos Meyer Lansky (o cerebral), Santo Trafficante,Bugsy Siegel, Lucky Luciano, o Presidente Fulgencio Batista, Fidel, Kennedy, muito bom…

      O livro “Havana Nocturne” é uma excelente história sobre a época da Máfia em Cuba (a romântica Cuba) com todos aqueles mafiosos, atores e políticos. Cheio de detalhes e focado, principalmente, no judeu cerebral e articulador Meyer Lansky que teve uma vida longa (para o mundo da Máfia ou mesmo o mundo lícito) Terminou milinonário, mas infeliz por não conseguir terminar os seus dias em Israel – se sentiu incompreendido e infeliz.

      O Sinatra circulava em todos os meios: mafiosos, políticos, cinema, música – não perdeu a oportunidade de estar ao lado do Capo da Máfia.

      Luiz, estou com você quanto ao Fidel, o ditador acabou com o glamour de uma Havana deslumbrante à época. Ditador serve pra isso…

      Forte abraço,

      Sávio

      Comentário por dsaviosoares | 17/04/2010 | Responder


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