SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Salve Luiz Gonzaga – o Rei do Baião!


Fui a alguns shows do genial Luiz Gonzaga e infelizmente tive a noção suficiente para saber que estava diante do enterro do forró de qualidade, do forró pé-de-serra. Claro, ainda há Dominguinhos, Waldonys e outros poucos instrumentistas que foram totalmente influenciados pelo verdadeiro forró – o forró do Gonzagão. Mas não é igual. Eles sabem disso. Falta a voz, a sanfona e o talento único do Gonzagão. Assistir a um show do “Velho Lua” era como uma viagem nostálgica pelo interior do Nordeste, mas sem o sofrimento característico de muitas canções relacionadas ao nosso sertão.

Os “causos” contados pelo próprio Gonzagão.

  Além da qualidade musical, havia o papo, os “causos”, as piadas e histórias contadas pelo Gonzagão que fazia o deleite dos que o acompanhavam de carro pelas estradas do Brasil (não era muito chegado a avião).

Aqui, um quarteto da pesada: Luiz Gonzaga, Sivuca, Dominguinhos e Osvaldinho.

 Existem programas de TV, aqui no Nordeste, que transmitem shows nos finais de semana de forromusic – é assim que eles chamam o forró. Se vivo fosse e perguntassem ao Rei do Baião o que ele acha do forró de hoje em dia, “Velho Lua”, na esteira do Paulo Francis, responderia: Estou tecnicamente morto!

Asa Branca na voz do Rei do Baião. De “quebra” tem Caçulinha, Clara Nunes, João Bosco, Altamiro Carrilho e Waldir Azevedo – quer mais?

 No dia da sua morte estava num show da Elba Ramalho que aproveitou e fez uma belíssima homenagem. Muitos não sabiam que o Rei do Baião, o gênio da sanfona e do forró, havia falecido naquele dia. Fomos pegos de surpresa. Ela cantou Asa Branca e emocionou a todos. Um dia triste, mas inesquecível com a bela e merecida homenagem ao gênio do forró. Nunca esquecerei.

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08/03/2010 - Posted by | Uncategorized | ,

4 Comentários »

  1. Eis o tipo de post que me dá prazer de ler, e sobre o qual não posso deixar de comentar.

    Sou piauiense, da cidade de Floriano e também sofro bastante por presenciar o resultado do que eu chamo de vulgarização do forró. O velho Lua partiu bem antes de eu nascer, mas, graças a meu pai, tive a valiosíssima oportunidade de conhecer o trabalho do Rei do Baião.

    Impressiona-me como, ainda hoje, e depois de tanto tempo, continuamos sem conhecer um vivente sequer que tenha tanto talento e criatividade quanto o velho Luiz – coisa que somos levados a esperar, considerando a natureza cíclica do universo musical.

    Mais ainda, me impressiona (e me entristece) saber que justo na região que foi o berço de tão influente artista, é que seu legado tem sido desfigurado e descaracterizado da lamentável forma que vemos por aqui, com um ritmo issitantemente repetitivo e sem dinâmica e com letras absurdamente vulgares e ridículas, quando não simplesmente banais ou de péssimo gosto.

    É notável o abismo existente entre o baião, precursor, e o forró contemporâneo (salvo, claro, o xote e o pé-de-serra, que em muito ainda se assemelham tanto ao ritmo original como à temática das letras). De resto, no entanto, sobram composições vergonhosas, que só falam imbecilidades como um verdadeiro culto à embriaguez e à vulgarização da mulher.

    Que bom seria se todos voltassem a ter a sensibilidade e o senso crítico suficientes para saber apreciar o bom forró e repudiar essa desastrosa dissidência que se espalha feito um câncer no Nordeste, e que, não se dando por satisfeita, já espalha asquerosos tentáculos rumo a outras regiões do país.

    Enfim, espero que posts como esse sejam publicados (e lidos) com mais frequência. No mais, continuemos a eternizar a obra do grande poeta e do maravilhoso músico, Luiz Gonzaga.

    Comentário por Freddie Diniz | 09/03/2010 | Responder

    • Caro Freddie,

      Luiz Gonzaga é referência como poucos, trata-se de um gênio que criou um estilo próprio numa época de preconceitos exacerbados. imagine um sertanejo de gibão de couro e sanfona no meio de smoking e terno de seda pura. Na época desbravou o sudeste no peito e na raça. Tinha estrela, carisma e talento. Qualquer homenagem é miúda em relação ao tamanho e a grandeza do Gonzagão.

      Obrigado pela participação,

      Forte abraço,

      Sávio Soares.

      Comentário por dsaviosoares | 09/03/2010 | Responder

  2. Caro Sávio,

    Há muitos anos antes de me aposentar geralmente na hora do almoço eu ficava olhando as lojas na Av. Rio Branco, na Rua da Assembléia e num destes dias quem eu vejo parado na esquina da Sete de Setembro cantando com sua sanfona, suas roupas típicas e seu chapéu de cangaceiro, o Luiz Gonzaga. Muito simpático ele conversava com todo mundo e dizia: Eu sou Luiz Gonzaga, o Rei do Baião!. Uma simpatia que agradava a todos que passavam por alí.
    Essa foi uma imagem agradável que nunca esqueci na vida e que guardo sempre na memória.
    Abraços

    Comentário por Lourdes | 09/03/2010 | Responder

    • Olá Lourdes,

      Bela história e lembrança maravilhosa. Luiz Gonzaga era autêntico, carismático e tinha um talento único.
      Realmente uma recordação inesquecível.

      Forte abraço,

      Sávio

      Comentário por dsaviosoares | 09/03/2010 | Responder


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