SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Gary Cooper não agradou o seu dublê…


Assim como Cary Grant, a mãe de Gary Cooper o vestia com roupas de menininha, pois desejava uma filha. Porém, diferentemente de Cary, tal fato em nada afetou a sua masculinidade. Um dos maiores garanhões de Hollywood, Cooper teve casos tórridos com Marlene Dietrich, Clara Bow, Lupe Vélez, Paulette Goddard, Kay Williams, Grace Kelly e muitas, muitas secretárias, cabeleireiras e figurantes.

 Gary Cooper  atuou em filmes inesquecíveis: Marrocos, Sargento York, O Galante Mr. Deeds e Matar ou Morrer, entre outros. Mas, para não fugir a regra, tinha suas excentricidades, suas esquisitices – fato corriqueiro na Meca do Cinema…

 Hollywood construiu um Gary Cooper diferente da realidade. Um homem calmo e seguro de si. Na realidade, ele se irritava com freqüência, especialmente quando as coisas no set não iam bem como ele desejava. Era um homem impulsivo. – Slim Talbot

 Slim Talbot podia afirmar com conhecimento de causa, pois foi duble e amigo do mito por trinta e cinco anos. Parece que depois da esposa foi a pessoa que mais conheceu Gary Cooper a fundo. Quando concedeu a entrevista, Talbot já tinha pelo menos vinte cicatrizes – ferimentos que foram poupados a Gary Cooper.

Gary Cooper e Grace Kelly – cena de beijo repetida cinquenta vezes

Gary Cooper e Lupe Velez – mais uma na alcova do ator

 Gary, quando passou a ganhar muito dinheiro se tornou um fanático por carros. Comprava um carro por mês, e tratava-se sempre de carros caríssimos e com uma parafernália moderna (para a época) que ele mesmo mandava colocar. Certa vez mandou fazer um cinzeiro de ouro como acessório e pôs manilhas de prata em forma de revólver na lataria. Os proprietários das fábricas sentiam-se felizes por construírem os carros para o ator, mas, logicamente, não construíam outros iguais, por preço nenhum…

 O seu ponto fraco era o estômago (pensei que fosse as mulheres…). Gostava de doces e era admirador da cozinha francesa. Um verdadeiro glutão. Além da mania pelos carros, era louco por armas, possuía uma coleção magnífica. Tinha o hábito de se mostrar perito em algo diante das pessoas que o conheciam superficialmente: afirmava entender de vinhos (possuía uma adega riquíssima), quadros e selos. Mas, segundo Talbot, o grande Gary Cooper não sabia distinguir uma garrafa de cidra de uma garrafa de mel.

Gary era hipocondríaco, mostrava-se sempre ansioso por distúrbios inexistentes. Tratava-se constantemente de qualquer mal e de três em três meses ia ao médico. Segundo o dublê, foi um mistério o fato de o câncer que matou Gary Cooper aos 67 anos ter-se apoderado de seu corpo justamente entre uma visita e outra ao médico.

 

Através de Slim Talbot, descobrimos um ator que odiava Hollywood e o seu modo de viver; odiava as pessoas que trabalhavam com ele, odiava as recepções às quais era obrigado a comparecer, a beber e desempenhar o papel de milionário. Talvez viver em Hollywood tenha contribuído para matá-lo mais cedo.

 Desempregado, após o falecimento do amigo Gary Cooper, Slim Talbot passou a viver com a esposa e as suas lembranças num Rancho, com diversos cavalos e algumas cabeças de gado, mas sem nenhum centavo. O estúdio lhe deu uma aposentadoria de cento e vinte dólares mensais. Bem diferente do que recebia, por exemplo, o duble de Bing Crosby: um pagamento vitalício de mil dólares.

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16/03/2010 - Posted by | Uncategorized | , ,

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