SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Sean Connery – O maior James Bond completou 80 anos de idade.

Nenhum ator conseguiu superá-lo no papel de do agente secreto britânico com permissão para matar. Coroado “Rei da Escócia” por John Huston, altivo, cético, interpreta com com o rosto, os olhos, os gestos, com todo o seu físico, ao modo de um felino.
 
 

A caminhada para chegar lá, não foi fácil. Filho de um humilde motorista de caminhão, antes de entrar para a Marinha, aos 16 anos, foi leiteiro, balconista e até lustrador de caixões. Depois de participar de um concurso Mr Universo, participou de algumas pequenas produções inglesas e chamou a atenção da diva L, que sugeriu Sean Connery para seu parceiro no filme Vítima de Uma Paixão (1959).

Mas o ano da virada rumo ao sucesso foi 1962. Os produtores Harry Saltzman e Gilberto Broccoli o contrataram para ser James Bond em O Satânico Dr. No. O resto é história. Sean Connery, ao contrário dos outros intérpretes do agente secreto, apesar de gostar de alguns deles, jamais será coberto pela poeira dos tempos. Por um simples motivo: ele é maior do que quaisquer dos seus personagens.

A Academia de Hollywood registra várias injustiças durante os anos de premiação. Posso citra, Ava gardner, Robert Mitchum e Kirk Douglas. Em alguns casos, para não “desagradar” totalmente, resolve premiar como ator coadjuvante. Foi o caso do grande Sean Connery que, por incrível que pareça, durante toda a fértil carreira profissional ganhou apenas um Oscar de coadjuvante pela atuação no ótimo filme Os Intocáveis (1987).

Além dos 007, sete filmes com Sean Connery que, se fosse você, teria em casa para ver e rever.

O Homem Que Queria Ser Rei (1975)

O Primeiro Assalto ao trem (1978)

Outland – Comando Titânio (1981)

O Nome da Rosa (1987)

Os Intocáveis (1987)

A Caçada ao Outubro Vermelho (1989)

Sol Nascente (1994)

Dia 25 de agosto Sean Connery completou 80 anos de idade. Atuou em muitos filmes mesmo sendo portador da síndrome da fadiga crônica (neurastenia ou timastemia) e, após superar um câncer na garganta, se retirou do cinema dignamente. Viveu muito tempo em uma mansão na praia de Marbella na Espanha e, pelas últimas informações, hoje vive com a segunda esposa Micheline Roqueburn (desde 1975) nas Bahamas. Por fim, continua defendendo tudo que esteja relacionado a sua amada Escócia. Parabéns Bond, James Bond – jamais haverá outro agente secreto do mesmo naipe. 
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30/08/2010 Posted by | Uncategorized | | 2 Comentários

Mais um vídeo da grande Peggy Lee.

Neste vídeo, bem acompanhada por músicos de altíssima qualidade, Peggy lee, como sempre, arrasa. Não, não existe mais algo nem parecido…

 Peggy Lee é, simplesmente, sensacional. 

28/08/2010 Posted by | Uncategorized | | 4 Comentários

Uma escola chamada Big Band.

Não há como calcular a importância dos vocalistas para as grandes orquestras, mas acho que eles lucraram bem mais do que as próprias big bands – não em forma de dinheiro, mas em disciplina, técnicas vocais e presença de palco. Porém, para se destacar entre tantos não era fácil. Imagine o caminho árduo para um crooner chegar a titular de uma famosa big band naquela época. Costumo compará-los aos milhares de jogadores de futebol que passam por uma peneira de um grande clube brasileiro – a dificuldade para cantores e músicos eram imensas.
 
 
Tommy Dorsey – Controle de respiração copiado por Sinatra.
 
Mais difícil ainda era uma cantora se destacar naquele meio. Doris Day, uma das mais respeitadas cantoras de orquestras contou o seguinte: Não era fácil para uma garota entre um monte de rapazes. Não tinha nada choros à noite e nem de chamar por mamãe, correndo para casa. Consequentemente, você se tornava uma pessoa forte. Você tinha que se disciplinar, musicalmente e de todas as outras maneiras. Ser uma cantora de orquestra lhe ensinava não só a trabalhar defronte do público, mas também a lidar com ele.

 

Doris day – aluna aplicada que soube tirar proveito da “escola” chamada big band.
 
Os que conseguiram tiveram um retorno em técnicas que utilizaram pelo resto da vida quando se apresentavam em shows. Frank Sinatra comentava com frequencia o quanto ele havia aprendido, simplesmente por sentar-se no mesmo tablado com Tommy Dorsey e por observá-lo respirar e tocar seu trombone. Por causa daquele controle de respiração, disse Frank, “Tommy podia fazer tudo parecer tão musical que você nunca perdia o fio da mensagem”. Impressionado com as proezas físicas de Tommy, Frank passou a fazer exercícios para desenvolver seu físico, inclusive uma série de sessões de mergulhos, na esperança de que ele também pudesse respirar tão naturalmente como seu líder.
 
  O Frankie soltando a voz…
 
Outra cantora de orquestra foi Peggy Lee. “Cantar com uma orquestra nos ensinou”, disse Peggy, “a importância do entrosamento recíproco dos músicos com os cantores. mesmo que a interpretação de uma canção em particular não fosse exatamente o que a gente queria, tinha-se que trabalhar, intimamente, com o arranjo, e procurar fazer o melhor possível. Direi isto: aprendi mais a respeito de música com os homens com os quais trabalhei nas orquetras em que estive do que emqualquer outro lugar. Eles me ensinaram disciplina, o valor do ensaio e como praticar.”
 
 Tommy Dorsey – Os humildes e inteligentes aprenderam com a sua técnica formidável.
 
 Jo Sttaford é outra crooner que merece um destaque especial. Bela mulher, ótima voz e ténica apuradíssima, cantora titular da orquestra de Tommy Dorsey, líder do conjunto The Pied Pipers, dividia os vocais com Frank Sinatra – imagine toda essa gente junta… 
 
Jo Sttaford soltando a belíssima voz.

 

28/08/2010 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

Cary Grant e Randolph Scott – Galãs apaixonados.

Em Hollywood os estúdios faziam de tudo para encobrir, as bebedeiras, as drogas e o homossexualismo dos grandes astros e estrelas – na verdade, qualquer ato suspeito de escândalo lá estavam os poderosos para blindar as suas fontes de riqueza. Astros que deram bastante trabalho foram Cary Grant e Randolph scott, o primeiro sinônimo de elegância e charme, eterno galã de Ingrid Bergman e Grace Kelly, já Scott, ficou eternizado na história como um dos maiores astros de Hollywwod dos faroestes nas décadas de 40 e 50 – um machão acima (ou quase) de qualquer suspeita.
 
 

O galã Cary Grant

O cowboy Randolph Scott

Na verdade, nas propagandas, nas noitadas e até sob o mesmo teto – os dois astros estavam sempre juntos. Por tal razão, a sempre irônica e afiada Carole Lombard disparou: “Gostaria de saber qual destes dois garotos paga as contas.”

Vários livros nos contam que os dois eram homossexuais e extremamente apaixonados – o que não os diminui em nada no carisma, no charme e no talento que alcançaram como poucos. Dizem que os dois se conheceram durante um almoço no estúdio Paramount. Na época, Randolph Scott era amante de Howard Hugues, já Cary Grant, vivia um romance com um estilista chamado Wright Neale.Para tentar encobrir as diversas aventuras homossexuais do astro Cary Grant, a Paramount sofria horrores arranjando mulheres para sua companhia, mas nunca deu certo. A atração dos dois foi imediata e recíproca, Scott mudou-se imediatamente para o apartamento de Cary.

Fotos mais que suspeitas da dupla de astros 

Não era comum dois jovens e belos atores viverem juntos naquela época (mesmo hoje em dia imagino que não seja tão fácil assim). Pela exposição crescente dos dois – eles apareciam juntos nas estréias sem nenhuma companhia feminina – os mexericos se espalharam rapidamente. Grant e Scott encontraram refúgio num apartamento próximo de um reduto de homossexuais, Griffith Park, e para lá se mudaram.

Sofia Loren – Uma grande paixão de Cary Grant. Sinatra “cantou” a italiana durante as filmagens de Orgulho e Paixão, mas ela preferiu o amigo Cary, provocando a ira sinatriana que passou a tratá-lo como “mamãe Cary”.

Elegância,charme e talento natural são as palavras certas para definir Cary Grant, que afastou-se do cinema em 1966, quando filmou Devagar, Não corra, com Samantha Eggar, logo após ingressou na indústria de cosméticos Fabergé, como relações-públicas, e depois saltou para executivo.

Randolph Scott, notoriamente conhecido pelos sensacionais westerns que estrelou e que fizeram dele um dos atores mais rentáveis de Hollywood durante as décadas de 1940 e 1950, decidiu parar de atuar em 1962 após a conclusão do ótimo faroeste Pistoleiros do Entardecer, do diretor Sam Pckinpah. Passou a dividir o tempo no seu Rancho, na Carolina do Norte e na mansão em Beverly Hills, na Califórnia, onde seu passatempo favorito era o golfe. Casou-se duas vezes, o último foi em 1944 com uma senhora da alta sociedade chamada Patricia Stillman e tiveram dois filhos, o casamento durou até a sua morte. Fez excelentes investimentos, tornando-se milionário, o que permitiu passar o resto dos anos jogando golfe. Faleceu em 1987 aos oitenta e nove anos de idade.

Por mais de 30 anos, Scott e Cary Grant foram amigos inseparáveis. Eram companheiros de quarto e bateram fotos extremamente suspeitas numa casa de praia, na cozinha, na sala de jantar (à luz de velas), na piscina e, para enlouquecer de vez os chefões do estúdio,  jamais eram vistos com outras mulheres ou estrelas. Mesmo depois de casados com outras mulheres mantiveram diversos encontros. Ao saber do falecimento de Cary Grant (1986), o velho Randolph Scott (85 anos de idade) compareceu ao velório antes da cremação, dirigiu-se ao caixão, pegou nas mãos do De Cujus, beijou-as, colocou-as sobre sua cabeça, e chorou copiosamente.

O mito Cary Grant costumava dizer que no cinema moderno já não havia lugar para seu tipo, humor e classe. Acertou em cheio. Acho que no mundo atual não haveria lugar para nenhum dos dois, nem para Cary nem para Scott. Lastimável.

27/08/2010 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

Morreu o compositor George Weiss.

Talvez pouquíssimos saibam quem foi George Weiss, mas as canções de sua autoria ninguém esquece. O músico e compositor norte-americano foi, simplesmente, o autor de What Wonderfoul World, um dos maiores clássicos do século 20 imortalizada por Louis Armstrong, de “Can’t Helping Falling Love”, interpretada por Elvis presley e “Oh! What It Seemed to Be”, gravada pelo Frank. Além dos clássicos citados, George compôs outras belíssimas canções que ajudaram na carreira de diversos cantores.

O grande autor estava em sua casa ao lado da esposa quando faleceu de causas naturais nesta segunda-feira, aos 89 anos de idade. Difícil alguém, hoje em dia, compor pelo menos algo parecido com uma dessas três.  Obrigado George Weiss, o mundo agradece. Descanse em paz.

25/08/2010 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Shirley Maclaine – a mascote do Rat Pack continua na ativa.

“Interpretei tantas prostitutas que os produtores já não me pagavam de maneira usual. Eles deixavam o dinheiro no criado-mudo.” – Shirley Maclaine.

A primeira lembrança que tenho da “mascote” do rat Pack é no filme “Artistas e Modelos” com a dupla Dean martin e Jerry Lewis. Shirley Maclaine está vestida de batgirl (Que bela imagem!). No filme, Shirley está engraçadíssima e faz par romântico com o doidão Lewis. Depois, lá na frente, me recordo da estrela no filme Se Meu apartamento Falasse, com Jack Lemmon. (um clássico que ainda irei citar no blog)

Ela conseguiu ser íntima de astros que muitos sonhavam, pelo menos, com um aperto de mãos: da dupla Jerry Lewis e Dean martin e, após a primeira ser desfeita, dos amigos dos palcos e da vida, Frank Sinatra e Dean Martin (um caso mal resolvido). Shirley fez parte do lendário Rat Pack – única mulher a ter espaço no grupo, pois a consideravam uma garotinha (ou garotinho, sei lá). Nem por isso o Sinatra e o Dean deixaram de bater no seu quarto à procura de momentos mais íntimos, conforme disse a própria Shirley no livro lembranças de Hollywood.

O seu primeiro filme foi a comédia de humor negro O terceiro Tiro (55), de Alfred hitchcock. Conseguiu destaque no filme Deus sabe o quanto amei (58) que revelou seu grande potencial dramático e lhe valeu sua primeira indicação para o Oscar – as outras indicações foram por Se Meu Apartamento Falasse (60), Irma La Douce (63) e Momento de Decisão (77) e conquistou o Oscar, finalmente, por Laços de Ternura (83), interpretando brilhantemente uma mãe desesperada com uma filha (Debra Winger) em estado terminal.

 

Bem informada, inteligente, extremamente ligada ao mundo em que vive, Shirley sempre teve uma intensa atividade longe das câmeras. Foi militante do Partido Democrata – e, em 1970, lançou-se em uma bem sucedida carreira de escritora de livros de cunho autobiográfico. Em março de 1991, ela veio ao Brasil, apresentou shows e entrou em contatos com pessoas que se dedicam ao estudo e práticas espirituais, dizem, inclusive, que fez uma cirurgia espiritual para estirpar um câncer no estômago, mas negou o fato.

Shirley Maclaine, irmã do astro warren Beatty, é uma vencedora. E, de sobra, ainda conseguiu algo que muitas fãs gostariam: Ela lembra com carinho de um dos seus aniversários celebrado com amigos e o Blue eyes cantando “parabéns”. Ela disse: “Vale a pena estar um ano mais velha apenas para ouvir Sinatra cantando “Parabéns para Você”.

 

Aos 76 anos, Shirley Maclaine continua atuando. Seus últimos trabalhos foram Coco Chanel (2009) para a TV e Idas e Vindas do amor (2010) para o cinema.
 

 

24/08/2010 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

Querido Charles Aznavour

Considerado por muitos o “Frank Sinatra francês”, Charles Aznavour se tornou conhecido mundialmente quando Edith Piaf o levou para uma turnê nos Estados Unidos e na França após ouví-lo cantar e se encantar com a belíssima voz e grande interpretação.

 

 

Aznavour esteve em Fortaleza para uma apresentação quando da turnê em 2009, mas por incrível que pareça alguns tontos que foram ao show não se calavam – talvez imaginando estarem num evento de forró – tal ato valeu um corretivo (em francês) do próprio cantor. Uma vergonha…

 

Charles Aznavour, ao estilo Sinatriano, canta principalmente o amor. Sempre foi consciente da baixa estatura (1,60m), por tal razão, exerce um domínio e uma presença de palco impressionantes.

 

22/08/2010 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Ernest Hemingway e a arte de viver.

O escritor viveu intensamente, teve quatro casamentos, vários romances e aventuras, era um exímio caçador, apaixonado pela Espanha e Cuba, também gostava de filosofar.

Hollywood

Os dois únicos filmes que consegui assistir até o final foram Os Assassinos e Ter ou não ter. Penso que Ava Gardner e Lauren Bacall têm muito a ver com isso.

 Casamento

Arrependo-me de um casamento somente. Lembro que, após ter obtido a licença para o matrimônio sai do escritório em direção ao bar para tomar um drinque. O barman perguntou: “O que vai querer, senhor?” Eu disse; “Um copo de cicuta.”

 Vida

Posso ter barba, mas, quando você me olha de perto, não sou o Papai Noel.

 Aos 61 anos, com problemas de saúde que hoje em dia seriam controlados (hipertensão, perda de memória, diabetes e arteriosclerose),  Hemingway não resistiu, optando, a meu ver, pela pior saída: o suicídio. Na manhã de 2 de julho de 1961, em Idaho, disparou um tiro contra si mesmo.

21/08/2010 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Sessão Cuba – Ibrahim Ferrer, Omara Portuondo, Bebo Valdes e Chucho Valdes.

 
 

Buena Vista Social Club

 
 
O sensível documentário resgatou um período brilhante que houve em Cuba e que gostaria de ter conhecido. Trata-se de uma homenagem aos grandes e esquecidos cantores e músicos que foram postos de lado devido aos regimes de fome, de miséria e de tortura adotados pelo ditador Fidel Castro, que os empurraram ao ostracismo. O belo filme documentário do diretor Win Wenders os trouxe de volta ao mundo de forma emocionante.

 

 

O crooner cubano Ibrahim Ferrer merecia era sensacional. Aqui, faz um dueto com a grande Omara Portuondo na belíssima Quizas Quizas.

O grande Ibrahim soltando a voz. Tratando-se de música romântica, escute essa…
 

 

 

Os pianistas, pai e filho, Bebo Valdes e Chucho Valdes, arrasam ao piano…

17/08/2010 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Prefiro Brigitte Bardot a Saint-Tropez.

O diretor Roger Vadim acabou com a paz em Saint-Tropez. Mas compensou o mundo na forma de Brigitte Bardot.

 

Roger Vadim dirigiu o filme E Deus Criou a Mulher que provocou escândalos na época. BB, a estrela do filme, se tornou estrela internacional. Em compensação, Saint-Tropez, cenário da história, foi “descoberta” pelo mundo. De uma aldeia tranqüila de pescadores, artistas e intelectuais, com praias quase selvagens e botecos perdidos, tornou-se um reduto de milionários e, depois, meca do turismo classe média – um final pior do que o desmatamento da selva amazônica.

Pois é, os franceses perderam uma praia de uma beleza selvagem deslumbrante que foi devastada pelos turistas. E no Brasil? Aqui, no Ceará, perdemos para os gringos Canoa Quebrada, Jericoacoara e tantas outras, mas nem por isso ganhamos um mito como moeda de troca.

 

Apesar da destruição de paisagens belíssimas e do desespero dos ecologistas, prefiro Brigitte Bardot a qualquer praia desabitada.

16/08/2010 Posted by | Uncategorized | 2 Comentários