SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Frank Sinatra – Tudo sobre o sequestro de Frank Jr.


Museus, livrarias e lojas de discos me fazem virar criança de novo. Numa dessas aventuras conheci um sebo de uma cidade que tinha algumas raridades (para mim). Não perdi tempo, comprei o que pude. Entre as raridades havia um livro intitulado “The FBI Most Famous Cases” (1965). No livro, Andrew Tully, o autor, dedica um capítulo inteiro ao desastrado e famoso sequestro de Frank Jr, o filho do Sinatra. 
 
O prefácio e os comentários são do estranho e todo-poderoso diretor do FBI John Edgar Hoover. O sequestro e o perfil dos sequestradores são bem esmiuçados pelo autor. Esse triste capítulo na vida do Sinatra daria um filme, mas ouvi dizer que os familiares do Frank, corretamente, proibiram que um dos sequestradores ganhasse dinheiro com a desgraça alheia. 
 
 

J. Edgar Hoover 

Tudo começo quando Frank Jr. tinha 19 anos de idade e começava a sua carreira como crooner. seu nome estava na marquise do Harra’s Club em Lago Tahoe. Após o sequestro, segundo o autor do livro, foi assim o tenso diálogo do primeiro telefonema entre o Sinatra e os sequestradores:  

John Irwin (um dos sequestradores) foi a pessoa que lhe telefonou às 16:45 hs daquele dia. Quando telefonou para Frank Sinatra no Hotel Mapes em Reno, os agentes do FBI ouviram tudo por uma extensão. 

 

 Irwin, um dos sequestradores em foto recente. 

É Frank Sinatra quem fala? – Perguntou Irwin.- Ele mesmo. Frank Sinatra Pai

A voz não parece de Sinatra – murmurou Irwin.  

Mas é ele mesmo – disse o antigo ídolo das adolescentes.- É Frank Sinatra quem fala

Posso falar com você às 9 horas da manhã?  

Está bem. Estarei aqui.  

Muito bem. Seu filho está em boas condições. Não se preocupe com ele. veja se pode tomar algumas providências a respeito das barreiras nas estradas – disse Irwin e desligou.  

 

O revirado apartamento do hotel que estava Frank Jr. sendo investigado pelo agente do FBI. 

Às 9.05 hs do dia 10 de dezembro, alguém telefonou de novo para Sinatra e se estabeleceu a seguinte conversa: 

Sinatra: Alô? 

desconhecido: Sinatra?  

Sinatra: Sou eu, sim.  

Desconhecido (como se falasse para outra sala): Pegue esse telefone.  

Terceira voz: Alô? Papai?  

Sinatra: Frankie?  

Terceira voz: Sou eu.  

Sinatra: Como está, meu filho?  

Terceira voz: Muito bem.  

Sinatra (depois de um suspiro e uma pausa): Está bem agasalhado?  

Não houve resposta.  

Sinatra: Você aí do outro lado do fio, está me ouvindo?  

Desconhecido: Estou.  

Sinatra: Não quer falar comigo…entrar num acordo…resolver esse caso?  

desconhecido: Não pode estar hoje aí de novo às duas horas da tarde?  

Sinatra: Escute, tem qualquer idéia do que deseja?  

Desconhecido: Naturalmente, queremos dinheiro.Sinatra: Por que não me diz então quanto é que quer? 

Desconhecido: Bem…isso eu não posso dizer.  

Sinatra: Não compreendo por que não é que não pode me dizer logo para eu começar a preparar o dinheiro.  

Desconhecido: É justamente disso que tenho receio. Não quero que tenha tempo para preparar as coisa.  

Sinatra: Mas não posso deixar de ter algum tempo.Desconhecido: Sei disso.Mas não vê…Escute, não me irrite. Está me fazendo ficar nervoso. Telefonarei de novo por volta das duas horas. 

Sinatra: Não pode telefonar antes disso?Desconhecido: Acho que não. 

Sinatra: Posso falar novamente com Frankie?  

Mas o desconhecido já havia desligado.  

No relato do autor, Sinatra fumava um cigarro atrás do outro, andava de um lado para o outro no seu apartamento de hotel em Reno durante quatro horas até que recebeu o primeiro de uma série de telefonemas que lhe davam instruções para levantar 240.000 dólares para o resgate. Disseram que as notas deviam ser da seguinte forma: 700 notas de 100 dólares, 700 de 50, 400 de 20, 4.000 de 10 e 3.000 de 5. Todas as notas deviam ser “dinheiro usado” e não devia ter mais de 50 centímetros de altura. 

 

O dinheiro do resgate recuperado. 

J. Edgar Hoover aconselhou Frank Sinatra: 

O melhor que você tem a fazer é ficar calado, Frank. Fale exclusivamente com o pessoal da polícia. Não discuta de modo algum o caso com os artistas seus amigos. São uma gente que não sabe guardar um segredo.  

Não vou lhe dizer que pague ou que não pague o resgate, Frank. Você é que tem que decidir. Mas, logo que tudo estiver acabado, faremos tudo o que for possível para recuperar o seu dinheiro.  

Frank respondeu:- Pouco me interessa o dinheiro. Quero é que devolvam Frankie. O dinheiro será de qualquer maneira dado a obras de caridade. 

No final, Frankie foi liberado e encontrado por um policial, o dinheiro pago foi grande parte recuperado (239.832,29 dólares) pelos agentes do FBI, os 3 sequestradores foram presos e julgados. Dois deles, keenan e Amsler, foram considerados culpados dos seis crimes de que eram acusados. Irwin foi considerado culpado de cinco crimes, sendo absolvido da acusação de transporte da vítima de um estado para outro. os dois primeiros pegaram prisão perpétua e depois reduzida para 25 anos de prisão e mais cinco anos como medida preventiva e Irwin foi condenado a 16 anos e 8 meses, também com cinco anos de precaução. 

 

 Frank Sinatra após o sequestro ter acabado. 

Quando do sequestro, Frank Sinatra andava com moedas pois tinha que se comunicar com os sequestradores através de orelhões e por tal razão até o fim da vida carregou nos bolsos moedas de dez centavos, caso precisasse novamente numa emergência. Dizem que colocaram algumas moedas no bolso do Frank quando faleceu.

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04/09/2010 - Posted by | Uncategorized |

2 Comentários »

  1. Oi, Sávio!
    Esse livro é bastante verdadeiro porque tudo o que você escreveu aqui é verdade.
    Quem colocou as moedas de 10 centavos no bolso de Sinatra dentro do caixão foi a Tina.

    Comentário por Lourdes | 04/09/2010 | Responder

    • Olá Lourdes,

      Gostei do livro. Na verdade, o capítulo é longo, apenas tentei resumí-lo. O autor é bem detalhista. Espero que o Frank não tenha que utilizar as moedas do outro lado…

      Grande abraço,

      Sávio

      Comentário por dsaviosoares | 04/09/2010 | Responder


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