SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Já votou? Então, um presentinho pra você…

03/10/2010 Posted by | Uncategorized | 2 Comentários

Bobby Short era sensacional.

Estava assistindo (pela 10ª vez) ao filme Hanna e Suas Irmãs  (1989) do diretor Wood Allen. É impressionante a trilha sonora dos filmes desse genial diretor. Pra mim, não há melhor.

Neste filme há várias cenas hilárias e tem uma em particular que gosto muito. É quando Woody resolve encarar a irmã da sua ex-paixão, a qual resolve levá-lo para um show de música punk. Quando saem, surge o curto diálogo:

Adoro música sobre extra-terrestres, e você? Pergunta a satisfeita irmã de Hanna.

Também, desde que não sejam cantadas por alienígenas. Responde o insatisfeito Woody.

Ele resolve levá-la para um show de verdade: Bobby Short ao vivo. O cantor se apresentava no Café Carlyle, o nightclub do Hotel Carlyle em Nova York.

Bobby Short em cena do referido filme – Elegância e estilo personalíssimo de cantar.

03/10/2010 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Palavras de Sammy Davis Jr. sobre o Frank Sinatra…

Tirando as amizades da Máfia de lado, o temperamento siciliano, a personalidade bifronte que, digamos de passagem, ele nunca escondeu (nem conseguiria) de ninguém, havia um lado em Frank Sinatra que não era divulgado pela imprensa. Os que conviviam de perto sabiam e tratavam de espalhar.

Foi assim que o grande amigo-irmão Sammy Davis Jr., fez questão de colocar no livro autobigráfico “Sim, Eu Posso” (Editora Bloch – 1968) ao dizer como Frank Sinatra ele era assediado, idolatrado e, mesmo assim, agia de maneira natural, sem estrelismo. Era o período do Rat Pack,das apresentações no Cassino Hotel Sands e dos filmes com a turma, tudo em Las Vegas, onde reinou absoluto…

 

Rat Pack em Las Vegas – Imagens de uma época…

O momento narrado pelo Sammy se passa quando terminaram os shows e as gravações do filme Onze Homens e Um Segredo (1960).

Apresença de Frank no hotel criava um ambiente todo próprio. Todos se divertiam mais à cata de risos e emoções, quase como se sentissem que tinham que ficar de acôrdo com a reputação dele. O hotel mantinha oito guardas de segurança à sua volta, para evitar que as aglomerações se transformassem numa cena de tumulto. Qualquer outra pessoa estaria desorientada pelo dinheiro envolvido na fita – dinheiro dele – todos os detalhes e chjateações, além dos dois shows da noite. Mas ele contava piadas e a s mesmas brincadeiras que faria se tivesse vindo apenas passar o fim de semana só para se divertir. Senti alguém batendo no meu ombro. Uma mulher de mais de quarenta anos olhou timidamente na direção de Frank:

– Sammy, por favor, podia arranjar com ele um autógrafo para mim? Era a octagésima pessoa que me fazia esse pedido, naquela semana.

“Querida, ele está bem aqui. Por que não lhe pede simplesmente?”

Recuou. “Mas ouvi dizer…”

– Não vá pelo que ouviu dizer. Vá pelo que vê com seus próprios olhos. Ele não vai mordê-la.

Deu-lhe um tapinha no ombro, tão levemente que ele não sentiu. Depois, olhou para mim desorientada. Encorajei-a com um gesto, e tentou de novo. Ele virou-se “Alô, doçura.”

Ela colocou as mãos no próprio rosto, com admiração. “Você me chamou de doçura!”

Frank sorriu e deu o autógrafo, e ela foi tropeçando abobalhadamente pela multidão.

 

A imagem do cara mau, que tomara tanto vulto, não tinha nenhuma semelhança com a do homem verdadeiro, mas a lenda de Frank Sinatra era incontrolável, e um muro de temor fôra construído em volta dele. No dia em que chegamos a Vegas, havia um show de televisão sendo filmado no hotel, e alguém resolveu dizer: “Hoje não há filmagem. Esvaziem o hotel Frank Sinatra vai chegar.” Se tivesse sabido disso, ficaria uma fera. Nunca interromperia o trabalho de um artista. Mas as pessoas estão sempre se adiantando a ele, superprotegendo-o demais, roendo as unhas com medo de que estoure e se vá embora.

Logicamente, exige, em sua carreira, o respeito e a atenção que sua projeção merece.

Profissionalmente, quer os melhores músicos, a melhor iluminação, o melhor equipamento sonoro. ocupa posição que lhe dá direito a isso e, pelo seu temperamento, recusa-se, quando lhe impõem algo: se um dono de um clube não providenciar os microfones certos, Frank pode muito bem recusar-se a trabalhar, e a estória de “Sinatra se recusa a trabalhar” passará de boca em boca, destorcida como “ele é sempre assim”. Evidentemente, um homem não consegue o sucesso de Frank e o conserva, fazendo cenas irracionais.

 

Nunca lhe passaria pela cabeça esvaziar um restaurante, por estar comendo nele. Onde quer que trabalhe, torna toda a cidade rica, e, se quisesse isolamento, seria só dizer: “Quero que cavem um túnel do meu camarim ao meu apartamento”, e os tratores começariam a fubcionar em uma hora. Podia dizer: “Espero no meu quarto, mandem Conneccticut”, e o gerente tentaria. Mas é um sujeito afetuoso, que gosta de gente, e gosta de sair e sentar-se no saguão, comer na sala de jantar ou ir ao restaurante de um amigo e lhe prestar homenagem. Nunca foi a Atlantic City sem dar uma passadinha no bar onde minha mãe trabalha. Mesmo que ela não esteja lá, quando entra, fica um poucoe toma um gole, sabendo que em poucos minutos a notícia se espalhará e o local ficará lotado e minha mãe ganhará com isso. Inúmeras vezes já aconteceu de um amigo ter problemas ou estar num hospital e o fone tocar e ser Frank, quase na outra metade do mundo, fazendo palhaçadas com o camarada para o animar, e a conta do hospital é paga, na surdina. Há uma legião de histórias como essa, mas não são as que circulam.

É Sammy, mas por aqui, as histórias do Frank circularão bastante…

 

03/10/2010 Posted by | Uncategorized | 2 Comentários