SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Gene kelly – o gênio era exigente e perfeccionista em tudo.


E, se você já se perguntou “por que não fazem musicais como antigamente?”, é fácil responder. Porque não é mais possível manter sob contrato uma trupe de atores, dançarinos, cantores, roteiristas, coreógrafos, maestros, orquestradores e cenógrafos como a formada pelo produtor Arthur Freed na MGM entre 1939 e 1959. E também porque nunca mais houve um Gene Kelly. ( Ruy Castro)

 

Após o musical da Broadway Pal Joey (1940), foi decoberto por Hollywood e lá estreou já como galã da precoce estrela Judy Garland em Idílio em Dó-Re-Mi (1942). Ator, bailarino, coreógrafo e diretor, vencedor de seis Oscars, e astro de Cantando na Chuva (1952), o maior clássico musical de Hollywood. Em 1951, a Academia de Hollywood outorgou-lhe uma estátua honorária pela sua grande contribuição ao cinema mundial. Gene nasceu em Pittsburgh (Pennsylvania) no dia 23 de agosto de 1912 e faleceu em Los Angeles no dia 2 de fevereiro de 1996.

                                   “Cantando na Chuva” – O maior dos maiores musicais da história do cinema. 

E a rivalidade com Fred Astaire?

Gene sustenta que sua rivalidade com Fred Astaire nunca existiu, porque jamais tentou ofuscar o maior sapateador-bailarino de Hollywood. “Meu gênero foi paralelo ao dele e admirávamos um ao outro, com um tremendo respeito – algo raro no showbusiness. Nunca tentei imitá-lo porque Fred era, realmente, único.” E solta a comparação definitiva: “Fred representava a aristocracia enquanto dançava. Eu representava o proletariado”. Os dois aparecem juntos em Isto Também Era Hollywood (1976), coletânea dirigida por Gene Kelly (e, graças a Deus, lançada em Blue- Ray).

Em parceria com Stanley Donen, realizou Um Dia em Nova York (1949), Cantando na Chuva e Dançando nas Nuvens (1955). Sozinho, dirigiu oito filmes, com destaque para a comédia Diário de um Homem casado (1967) e o musical Hello, Dolly! (1969). Em 1960, Gene mostrou-se um ótimo ator dramático em O Vento Será Tua Herança.

 Com o declínio dos musicais, Kelly chegou a tentar a TV em 1962, com o seriado semanal Going My Way. Mesmo com a idade avançada, ainda participou de especiais de TV e dança com extrema desenvoltura, como no péssimo Xanadu (1980).

Cena clássica de “Cantando na Chuva – Gene Kelly e a estonteante Cid Charisse 

Ok, tudo isso é confete mais do que merecido, mas também há um outro lado do genial dançarino que encontramos nos livros. Segundo o escritor Ruy Castro no livro “Um Filme é Para Sempre”, havia um lado pessoal que ninguém admirava:

O homem amável, irresistível e vazando charme por todos os poros que se via na tela não se parecia muito com o da vida real, dizem inúmeras fontes. Gene era fanaticamente exigente, perfeccionista e competitivo na vida profissional e pessoal. No estúdio era um homem admirado, temido ou respeitado – mas não amado nem querido. Habituara-se a cobrar o máximo de empenho dos colegas e nunca dizer uma palavra de reconhecimento.

O escritor nos conta, ainda, o seguinte:

Quando fazia festas em sua casa, os convidados viviam sendo desafiados a charadas, quebra-cabeças e toda espécie de jogos de salão, aos quais ele se atirava com um apetite assustador. Gene não podia deixar se superar por ninguém, o que significava disputar uma simples partida vôlei em sua quadra particular como se fosse a final, não de um campeonato, mas de segunda guerra mundial. Nada disso era segredo para os que o conheciam e, embora não haja registro de que ele tenha destruído alguém para subir, é claro que isso não o fazia de fácil convivência.

Nos livros atribuem as excentricidades e exigências de Gene Kelly às frustradas tentativas no início da carreira e, logicamente, ao temperamento forte que o fazia atirar e discutir contratos com poderosos diretores e produtores da época sem um pingo de medo.

A conclusão que faço é que não existe um astro ou estrela perfeito, todos possuem virtudes (acima da média, em alguns casos) e defeitos (em muitos casos, assustadores) como nós, meros mortais. A diferença está no talento que possuíam acima da média, numa época  e num lugar onde muitos já eram acima da média: A Hollywood das décadas de 30, 40 e 50. Gene Kelly era um deles: Genial e talentoso acima de tudo.

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13/11/2010 - Posted by | Uncategorized |

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