SÁVIO SOARES

Cinema e música.

É verdade: Chet Baker teve que recorrer à assistência social para sobreviver.

No auge, sua aparência de galã lhe rendia frequentes comparações aos astros James Dean e Montgomery Clift. Porém, Chet Baker, com o passar dos anos, acabou parecido com o Jack Palance (comparação feita pelo Jô Soares).

Em 1966, após participar de um show de João Donato na Califórnia, Chet foi espancado por alguns homens. Ninguém jamais descobriu os reais motivos: Chet sempre omitia ou ocultava fatos da trágica noite. Teve o lábio superior rompido e um dente quebrado, além de ter sido golpeado no ouvido. Incapacitado de tocar seu instrumento, teve que recorrer à assistência social e sujeitar-se a subempregos.

Quando veio ao Brasil em 1985, o trompetista decepcionou um público que esperava há décadas pela vinda do ídolo. No Free Jazz Festival ficou a maior parte do tempo sentado, de cabeça baixa e improvisou pouquíssimas notas. Na verdade, Chet Baker já havia se desligado desse planeta. Nada mais o interessava.

É inacreditável imaginar um músico tão talentoso passar necessidade e depender da assistência social para sobreviver – Principalmente quando ouvimos esta gravação sublime.

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28/06/2011 Posted by | Uncategorized | | 8 Comentários

Faleceu o ator Peter Falk, o “Detetive Columbo”.

Havia muita coisa em comum entre Peter Michael Falk e seu personagem mais famoso, o “detetive Columbo”. Ambos eram desleixados, rudes e às vezes desagradáveis. Em contrapartida, destilavam uma irresistível e sedutora inteligência.

O ex-cozinheiro da Marinha Mercante recebia US§ 100 mil por episódio, portanto, Peter Falk podia se dedicar mais ao cinema. Foi duas vezes indicado ao Oscar de coadjuvante mas não ganhou nenhuma das vezes. Em 1989, recebeu um cachê milionário para reencarnar Columbo no cinema, o filme se chamou Columbo vai para a Guilhotina, marcou a volta do personagem e deu um novo Emmy a Peter Falk e provou que, pelo menos nesse caso, ator e personagem estavam condenados a confundir suas identidades.

Peter costumava dizer, “eu nunca quis abandonar Columbo. A questão era encontrar um esquema que me permitisse fazer também outras coisas.” Mas seus personagens continuaram sendo muito parecidos com o tenente Columbo, como em Assassino Por Morte (1976) e O Detetive Desastrado (1978).

Peter Falk, o “Detetive Columbo”, faleceu quinta-feira, dia 23, aos 83 anos, de falência múltipla dos órgãos em decorrência do Mal de Alzheimer.

26/06/2011 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

James Cagney – “O que define um bom ator é a capacidade de falar de forma simples e direta sobre idéias também simples e diretas, sem grandes atropelos.”

Rosto feio e marcante, seu carisma e um certo ar arrogante o transformaram em um dos principais intérpretes dos filmes policiais dos anos 30 e 40, sempre em papéis de gângster, contrabandista, caçador de prêmios e fora da lei.

Nascido em 17 de julho de 1899 no East Side de Nova York – uma área popular e turbulenta – James Francis Cagney Jr. aprendeu desde criança a se defender, usando essa experiência para compor seus personagens durões. E fez isso tão bem que ninguém poderia imaginar que atrás do ambicioso e brutal Tom Powers, de Inimigo Público (1931) – o seu quinto e mais importante filme -, e do grotesco e perigoso Cody Jarret, de Fúria Sanguinária (1949), estava um ator que havia começado sua carreira artística em espetáculos de vaudeville, chegando a dançar sapateado no musical Penny Arcade (1929), na Broadway.

James Cagney no papel do brutal Tom Powers de Inimigo Público.

Mas Jimmy Cagney também brilhou em outros filmes. Nas comédias Sonhos de Uma Noite de Verão (1935) e Mister Roberts (1955), e nos dramas O Homem das Mil caras (1957) – no qual ele traça, com brilho e sutileza, o perfil do ator Lon Chaney – e Ama-me ou esquece-me (1955). Como se não bastasse, ganhou um Oscar musical A Canção da Vitória (1942).

No fim da vida, já doente, e depois de vinte anos longe do cinema, Cagney voltou às telas no gênero que o fez famoso. Brindou-nos com um inesquecível chefe de polícia em Na Época do Ragtime (1981), de Milos Forman, em que ressurgem, intatos, seu carisma e arrogância. Foi seu último filme. Morreu em 1986, deixando viúva Frances Willard Vernon, com quem se casara em 1922. O casal adotou dois filhos: James e Cathleen.

26/06/2011 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

Loston Harrys no Hotel Carlyle.

Com a morte do grande Bobby Short o Café Carlyle ficou um tempo sem rumo, mas a música do outro bar do hotel, o Bemelmans, manteve a qualidade musical com as apresentações de Loston Harris.

O talento inato e deslumbrante de Loston é um farol de qualidade em um mundo cacofônico. Ele é contemporâneo, elegante, alegre, brincalhão, poderoso, emocionante e um músico muito gratificante. Simplificando, sua música é uma combinação de humanidade e de gênio. (Michael Feinstein)

25/06/2011 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Sexta-feira, uisquinho…

Prepare uma bela dose de uísque num copo baixo, deixe-o escorregar sobre as pedras de gelo ao som de Nat King Cole e cenas do fenomenal “Suplício de Uma Saudade” com William Holden e Jennifer Jones. Aproveite bem a sua noite.

24/06/2011 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Dick Haymes, novamente – Este era um dos concorrentes à altura do Sinatra.

Ok, já postei recentemente sobre o Dick, mas não podia deixar de colocar este vídeo que consegui achar. Ele mostra o crooner em ação, como se estivesse num show. Trata-se de um filme, a cena é curta, mas vale assistí-la. Era uma época de grandes crooners, a concorrência era acirrada: Nat King Cole, Dick Haymes, Frank Sinatra, Perry Como, Vic Damone, Johnny Hartman, Mel Torme, Tony Bennett, Bing Crosby, e tantos outros.

Será que hoje em dia teriam algum concorrente? Nem em sonho…

23/06/2011 Posted by | Uncategorized | | 6 Comentários

Os maiores playboys já sabiam: A propaganda é a alma do negócio.

Não, não são apenas os adolescentes de nosso tempo que se gabam de suas dimensões fálicas. Os trogloditas já sabiam, há 100 mil anos, que propaganda é a alma do negócio.

O membro lendário de Rubirosa adquiriu vida própria após a morte do homem ligado a ele: mais de três décadas depois da morte de Rubi, um escritor da Revista Vanity Fair viu-se pedindo a mulheres que tiveram experiência própria com o playboy comparações – elas não tiveram dúvida – compararam ao seu sapato tamanho 45.

Seus dotes não podiam ser discutidos em jornais ou em em meio à sociedade culta, mas ele não dependia da imprensa ou das pessoas decentes para ter sucesso. Sua carreira baseava-se num segredo, num acaso feliz da genética. Era o dono do mais famoso “Moedor de Pimenta” da “Cidade Luz”.

Já Ali Khan, era conhecido nas altas rodas do Jet Set internacional, mas só conseguiu se tornar um playboy popularmente conhecido quando casou-se com a diva do cinema Rita Hayworth, além da beleza monumental, também era conhecida por não levar desaforo para casa.

Jorginho Guinle nos conta em seu livro que, certa vez, quando a diva do cinema Rita hayworth se tornou noiva do playboy, soube que o pai do noivo, Aga Khan, considerado um Deus vivo pelos seguidores de sua religião, achou um absurdo o filho se casar com uma estrela de cinema. A diva desbocada não perdeu tempo, chegou para o poderoso pai do noivo e disse:

– Você pensa que é Deus? Mas está recheado de merda como todo mundo.

Foi uma vergonha, mas mesmo assim Ali Khan foi inteligente (lógico, ele sabia o prato que comia…) não ouviu o pai e casou-se com Rita , tornando-se um playboy mundialmente conhecido. A partir daí, depois desta grande propaganda mundial, Ali viveu alguns anos com a diva, tiveram uma filha e depois colheu os frutos desse relacionamento popular, conquistando várias beldades mundo afora – sem dúvida, uma divulgação perfeita para espalhar lendas e histórias de um dos maiores playboys da história.

O Nosso Jorginho Guinle, o maior playboy brasileiro (tivemos também o Baby Pignatary), nunca foi dono do Copacabana Palace, mas todas as atrizes pensavam que Jorginho era o proprietário do lendário hotel. Certa vez, divagando sobre os grandes playboys e conquistadores do século 20, nos contou em seu livro biográfico que o dote do Sinatra não estava só na voz,  o maior cantor do século 20 foi favorecido por Deus não apenas em cordas vocais divinas, mas também em outro instrumento: o fálico. Jorginho escreveu:

Ali Khan tinha um charme devastador. Não havia uma que resistisse. Se bem que o maior conquistador de todos foi o Frank Sinatra. Desse, nenhuma escapava. Dizem que era bem-dotado e adorava que fizessem sexo oral nele. Quando nos shows dele aparecia alguma corista sem voz, logo brincavam: “Essa esteve com o Frank ontem.”

Propaganda, sempre propaganda… Mas só a divulgação não é suficiente! Aqui, algumas coristas (ou seriam as “mudinhas”? ) do Frank.

23/06/2011 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

Orlando Silva – o “Cantor das Multidões”, podia ter sido o nosso “Maradona na Canção”.

Às vezes, por brincadeira ou para testar a elasticidade e a dicção da emissão vocal, entoava uma modulação de notas passando de um tom para outro para ver até onde sua voz podia ir, para cima e para baixo. Não sabia, pois não possuía qualquer teoria musical, mas alcançava um âmbito superior a duas oitavas, até 18 notas, quando o normal seriam 12 ou 13. Aquela voz já timbrava com a sonoridade de um violino. Um violino bem afinado. Orlando Silva tinha apenas 18 anos. (Jorge Aguiar no ótimo livro “Nada Além – A Vida de Orlando Silva”, Editora Globo)

Quando o craque da Argentina caiu perante as drogas foi uma surpresa para o mundo e uma decepção sem tamanho para os nossos hermanos. Porém, do mesmo modo que os argentinos se decepcionaram, trataram imediatamente de reerguer o ídolo do futebol e torná-lo ainda maior – um mito vivo.

Orlando Silva foi o cantor com a melhor voz do Brasil, segundo muitos críticos. O nosso Sinatra. Tudo bem, tivemos Francisco Alves, que morreu ainda no sucesso aos 52 anos, de acidente automobilístico; tivemos Nelson Gonçalves, que também sucumbiu sob o efeitos da cocaína e se levantou por conta própria – um caso raríssimo. Aqui, só para citar dois exemplos de ícones da nossa canção.

Mas a vergonha (nossa) é que “O Cantor das Multidões” caiu no esquecimento, ninguém escuta mais falar de Orlando Silva. Pior: Desapareceu em vida, simplesmente os próprios fãs que o elegeram o maior cantor, esqueceram ou não perceberam que Orlando Silva precisava de ajuda. Alguns biógrafos escreveram que o cantor foi reconhecido ainda em vida, depois dos sete anos de sucesso. Tudo bem, mesmo assim fãs de sucesso como Lucio Alves e outros não conseguiram torná-lo um ícone inesquecível.

Sua voz (divina) durou apenas 7 anos. Depois o gogó mudou de maneira impressionante, apesar de ainda achá-la bela se compararmos aos cantores atuais. O “Cantor das Multidões” continuou “se achando” o maior cantor (assim como o Maradona se considera “o melhor de todos”), mas não teve forças para superar o vício na morfina que afetou profundamente as cordas vocais.

Orlando Silva entrava no estúdio que frequentou todas as semanas desde os 19 anos de idade, a RCA Victor, estava vestindo um terno impecável, uma elegância que copiou de seu grande amigo e incentivador Francisco Alves, o célebre cantor brasileiro, cognominado “O Rei da Voz”. O cantor estava próximo de completar 27 anos de idade. Antes de gravar canções inesquecíveis, um ritual infeliz iria acontecer. Assim descreveu Jorge Aguiar:

O cantor pediu ao amigo que o mandasse chamar quando tudo estivesse pronto. Estaria numa saleta reservada, concentrando-se nas músicas a interpretar. Ali sozinho, depositou, ao lado no sofá, as folhas de papel que continham as letras que iria cantar, tirou do bolso um estojo metálico; retirou dele uma seringa de injeção de vidro e anéis inoxidáveis, carregou-a com o líquido extraído do vidrinho. retirou o paletó, arregaçou uma das mangas da camisa de palha de seda, circulou o braço com um fio de elástico e espetou a agulha na veia. O líquido escorreu vagarosamente da seringa até esgotar-se. Com cuidado, os apetrechos foram recolhidos, a manga da camisa reajustada e o paletó lançado no braço. O cantor pousou a cabeça no encosto do divã, suspirou com um ar de enfado, cerrou os olhos e procurou repousar.

“Quero dizer-te adeus
de forma singular
cantando a nossa valsa
sem chorar…”

Por que Orlando Silva foi esquecido? Falha (gravíssima) nossa?

20/06/2011 Posted by | Uncategorized | | 13 Comentários

Dick Haymes – uma das mais belas vozes do século 20.

Aqui, em uma cena de filme com Betty Grable em 1954. A canção envolvente é “The More I See You”. Que voz!

Dick Haymes possui uma dicção impressionante. Fez bastante sucesso na década de 40 e 50, mas teve uma vida conturbada, muitos casamentos, bebidas e, dizem, possuia uma personalidade difícil. Nos últimos anos conseguiu voltar a fazer sucesso, mas morreu quando retomava a carreira, aos 63 anos de idade. Trata-se de uma das vozes mais belas da música americana.

19/06/2011 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

“O Dossiê de Odessa” (The Odessa File, 1974)

O filme é baseado no ótimo livro do mesmo título de Frederick Forsyth. Odessa é uma Organização de ex-membros das SS, a temida polícia nazista. A organização formou-se no final da guerra para ajudar os hierarcas a desaparecerem. Para tirá-los da Alemanha. Para que escapassem com novas identidades. Centenas de documentos falsos foram entregues. Mesmo a guerra tendo acabado há quase 20 anos – o filme se passa durante a década 60. A Odessa cresceu como uma teia de aranhas e se espalhou por muitos países e o centro está na Alemanha.

Jon Voight é um jornalista em busca de uma grande matéria. A sorte surge quando o jornalista recebe de um amigo um dossiê feito por um judeu que acaba de falecer, descrevendo toda a organização e todo o seu sofrimento durante o período em que foi preso no campo de concentração. A partir daí Voight faz uma bela interpretação e, apesar do ritmo lento, o filme nos prende e nos toca de maneira emocionante quando acompanhamos o emocionante relato de sofrimento do autor do dossiê durante a segunda guerra mundial.

O jornalista é perseguido por membros da Organização, mas não desiste de localizar os cabeças, os líderes que destruíram tantas vidas, principalmente Eduard Roschmann (Maximiliam Schell), o chefe da SS conhecido como “O açougueiro”. Apesar de ficção, o filme possui imagens reais dos campos de concentração e de vários prisioneiros, tomando um tom ainda mais real e envolvente. Vale ver e rever.

19/06/2011 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário