SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Frank Sinatra – Um circuito sinatriano em Nova York.


Quando viajo gosto de andar a pé pelas ruas, buscando história, arquitetura, música, cinema, gastronomia e cultura das ruas. Desta vez não foi diferente, apenas acrescentei um ingrediente : Um roteiro sinatriano em Nova York. Turismo também é cultura, como se sabe. Porém mais divertido é quando a cultura se transforma em turismo.

O fabuloso cinema no andar térreo, onde adolescentes faziam fila para ouvir Frank Sinatra nos anos 40, não existe mais, mas este sólido edifício projetado por Rapp & Rapp, em 1927, ainda mantém o ar teatral e lembranças sinatrianas. O topo em estilo art déco é composto por uma torre, um globo e um relógio em perfeito estado de conservação e funcionamento.

Agora, em vez do teatro histórico há um Hard Rock Café, contendo vários quadros com prêmios recebidos por Sinatra, inclusive os papéis de um contrato original pactuado entre ele e uma marca de cigarro, onde vimos sua assinatura.

Quando Frank Sinatra morreu em 14 de maio de 1998, amigos e fãs foram ao restaurante Patsy’s em Midtown – indiscutivelmente o restaurante favorito de Frank Sinatra em Nova York por décadas. Salvatore Scognamillo, o chef e co-proprietário, lembrou-se que as pessoas chegavam emocionadas e diziam: “Eu apenas senti que tinha de estar aqui hoje.” A fidelidade do Sinatra ao restaurante e a histórica amizade com os simpáticos proprietários, tiveram início assim: (Fonte: New York Times)

Era o mês de novembro, no início dos anos 1950, e Mr. Sinatra estava tendo um tempo difícil tanto profissionalmente como pessoalmente. Sua carreira foi do topo (1948) ao declínio absoluto em 1952. Ele tinha divorciado e casado novamente em uma relação tumultuada com Ava Gardner, que também estava em declínio.

Isso foi antes do seu desempenho premiado com o Oscar em “From Here to Eternity”, antes da reinvenção como o crooner insuperável dos anos 1950, antes de ser imortalizado no perfil que o jornalista Gay Talese realizou em 1966 para a revista Esquire, intitulado “Frank Sinatra está resfriado”. Antes de seu retorno, ele foi ao fundo do poço e estava de fora do showbusiness, lembrou o Sr Scognamillo na entrevista que concedeu tempos atrás ao Jornal new York Times.

Sinatra estava sozinho no restaurante na noite de Ação de Graças, e muitos dos outros clientes passavam por ele sem o reconhecer. “Eles eram todos meus amigos nos bons tempos”, disse Sinatra na época a Scognamillo. “Ele disse que queria jantar no dia de Ação de Graças no Patsy’s”, mas o Sr. Scognamillo não teve coragem de lhe dizer que o restaurante era normalmente fechado para o feriado: “Eu senti que poderia ter ferido seu orgulho se tivesse feito isso, então não disse nada”.

Assim, foi feita a reserva para o Frank no restaurante. Scognamillo ligou para os seus funcionários e disse-lhes para trazerem suas famílias no dia de Ação de Graças. “Eles estavam chateados”, disse o Sr. Scognamillio, “mas entenderam que era para Sinatra”, completou. O restaurante também se encarregou de chamar outros convidados para preencher algumas mesas mas, não o suficiente para que Sinatra não percebesse que o restaurante estava mais vazio que o habitual.

Somente anos mais tarde Sinatra descobriu que haviam aberto o restaurante só para ele. Porém ninguém nunca disse nada. Então, o sangue siciliano de Sinatra, no que tange à fidelidade aos amigos, selou a relação ao longo da vida com o restaurante Patsy’s, e ‘Blue Eyes’ se tornou a propaganda mais forte do restaurante.

Na verdade, o restaurante é um lugar fortemente identificado com Sinatra, que mantém uma sala especial (Sinatra’s Room) com a mesa na qual o cantor se reunia com namoradas, familiares e amigos um andar acima e com uma escada secreta que era utilizada por ele para não passar entre os clientes e causar um alvoroço. (Após a morte do Frank, esta passagem foi fechada para sempre). “Depois que ele faleceu, nós precisávamos mantê-la para celebrar sua vida”, disse Sal, o neto do fundador, Pasquale Scognamillo.

Todo dia 12 de dezembro, aniversário de Sinatra, o restaurante napolitano tem uma tradição de servir seus pratos favoritos, como mariscos Posillipo, fusilli com Fileto di pomodoro e torta de ricotta para a sobremesa. Outro dos favoritos do Sinatra era o prato vitela à milanesa.

“Nós certamente não estaríamos na posição que estamos hoje se não fosse por ele,” disse Scognamillo. Grande parte dos clientes vips chegaram ao aconchegante restaurante com alguma participação do Sinatra. Por exemplo, Julia Roberts foi trazida por George Clooney, que foi trazido pela tia Rosemary Clooney, e Rosemary Clooney foi trazida por Frank Sinatra.

Sal Scognamillo, o simpático proprietário do Patsy’s nos levou até a famosa Sinatra’s Room, mostrou a estátua em bronze do Frank e ainda nos apresentou a um grupo de fãs do Frank, entre eles o ator Robert Davi (conhecido pelo papel do vilão Jake Fratelli em “Os Gonnies” e Franz Sanchez em “007 Licença para matar”, do agente do FBI em “Duro de Matar”, além de diversos papéis em seriados de TV norte-americanos).

O quadro com a assinatura do Frank está no mesmo local.

A escada que Sinatra subia para não passar pela entrada principal e causar um alvoroço. Ninguém nunca mais entrou por esta porta…

No dia 24 de outubro do corrente ano, Robert Davi homenageou Sinatra ao gravar um sensível disco com canções inesquecíveis do amigo. A produção do disco ficou por conta de Phil Ramone. Até hoje Davi carrega em seu celular (como uma espécie de amuleto da sorte) a foto que bateu ao lado do Frank em 1977 quando fez sua estréia na telona ao lado do ídolo e amigo no filme “Contract on Cherry Street” (1977).

Na mesa também estava o escritor David Evanier, conhecido pelas biografias de Bobby Darin e Jimmy Roselli, e que acabara de lançar o livro biográfico sobre o cantor Tony Bennett, “All The Things You Are”. Além dele estava um compositor da Broadway (não recordo o nome, mas o ator Robert Davi disse que “tem o estilo do Stephen Sondhein…”, ok…). Havia ainda uma cantora dos velhos tempos e outro ator, mas não lembro dos nomes (se algum amigo souber, o blog agradece…)

David Evanier, o primeiro do lado esquerdo.

O livro biográfico de David Evanier sobre Tony Bennett

Show Off-Broadway: O ator-cantor, Cary Hoffman tem uma bela voz, tem humor e conta com um bonito cenário Sinatriano, bem ao estilo saloon. O show “My Sinatra” retrata a sua obsessão pelo maior cantor do mundo e faz uma viagem pelo tempo através da sua memória musical com belíssimas canções do Frank.

Por fim, uma passadinha no museu de cera “Madame Tussauds” para completar o circuito sinatriano na “cidade que nunca dorme”…

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16/11/2011 - Posted by | Uncategorized |

16 Comentários »

  1. Muito bom, Sávio! Parabéns!
    Gostei muito do seu chapéu…

    Comentário por Lourdes | 17/11/2011 | Responder

    • Amiga, tinha que entrar no clima…

      Comentário por dsaviosoares | 17/11/2011 | Responder

  2. Sensacional Sávio,
    Este restaurante,faz lembrar o Bar do Tom no Rio de Jeneiro.
    Mais Sinatriano que ,Isso Impossivel!

    Comentário por michel | 17/11/2011 | Responder

    • Michel, o restaurante é bem aconchegante. Na verdade é uma verdadeira cantina italiana.

      Comentário por dsaviosoares | 17/11/2011 | Responder

  3. Sávio, você se superou, seja no chapéu,seja na resenha,na qualidade das fotos e nos lugares visitados como a sala de Sinatra e sua sua escada secreta,sem levar em consideração nas pessoas encontradas famosas ou não,mas sempre com um objetivo único: está “pertinho” DO GRANDE SINATRA.

    Dia 10 de Janeiro estarei em Boston e como sempre faço alugarei um carro para ir a NY,irei a HOBOKEN e depois gostaria de visitar o restaurante Patsy’s, você teria o endereço para me passar? Rua e numero?..abraço e parabéns..Roberto

    Comentário por ROBERTO | 17/11/2011 | Responder

    • Roberto, valeu pelos elogios…

      Quanto ao chapéu, entrei no clima sinatriano… faz parte da onda…

      O Patsy fica na 236 W. 56 Street em Midtown. Entre a sétima e a oitava avenida. Você vai gostar, tem o clima de cantina italiana – das melhores. Tem até o vinho do Sinatra, que foi lançado pela família. O proprietário, como eu disse, é gente boa. Ganhei até o livro autografado que contém o prefácio da Nancy Sinatra e a pasta especialidade da casa. O molho (um delícia!), Sal disse, com razão que não podia nos presentear, já que não passaria na alfândega.

      Não conheço, mas dizem que Boston também é sensacional. Tem um restaurante de um fanático pelo Sinatra por lá. Vou tentar localizar o endereço e te digo.

      Abraço,

      Sávio

      Comentário por dsaviosoares | 17/11/2011 | Responder

  4. Sávio!
    O nosso Sinatra cearense!

    Comentário por Marcelo Mendes | 17/11/2011 | Responder

    • “The way you wear your hat…”

      Abração,

      Sávio

      Comentário por dsaviosoares | 18/11/2011 | Responder

  5. Beleza Sávio, valeu pela dica e se localizar em Boston o restaurante, manda o nome e se possivel endereço..abraço..Roberto

    Comentário por Roberto | 18/11/2011 | Responder

    • Com certeza amigo, mandarei…

      Comentário por dsaviosoares | 18/11/2011 | Responder

  6. Amigo Sávio…Sei perfeitamente o que vc sentiu nesse viagem a Big Apple. Fantástico é viver esses momentos únicos…se puder faça tudo outra vez… e outra vez…A vida é isso…parabéns.
    Abç. Guto Freitas

    Comentário por Guto Freitas | 19/11/2011 | Responder

    • Amigo Guto, vou seguir os seus conselhos…é bom demais…

      Mas da próxima vou pegar mais dicas com você, um observador atento dos costumes de cada país e profundo conhecedor dos melhores salões, palácios, alcovas, restaurantes e night-clubs deste planeta.

      Abração,

      Sávio.

      Comentário por dsaviosoares | 20/11/2011 | Responder

  7. Sávio,

    Somente agora pude, detidamente, ler o seu post sobre o “Caminho de Sinatra”, uma experiência para poucos, não em face de qualquer valor material, mas antes de tudo, pelo inestimável poder da experiência. Daí ser para pessoas singulares como você, que aprecia o melhor, sem ostentação, justamente por isso fazer parte de sua vida desde sempre.

    Frank apesar de popularíssimo, nunca declinou para o vulgo e soube, como quase nenhum, vender milhões e ter o charm de uma peça de antiquário, sendo único e inesquecível.

    Sinto um enorme orgulho de sua amizade e de poder compartilhar com você as boas conversas, as taças de cristal e os sentimentos que se eternizam através da arte.

    Um grande abraço.

    Comentário por Jason StoneJason Stone | 23/11/2011 | Responder

    • Amigo Jason,

      Em breve estaremos juntos nessas aventuras pelo mundo hollywoodiano. Você caminha profissionalmente em passos largos – merecidamente.

      Nossa amizade de superficial e o nosso papo de banal, não têm nada!

      Abração,

      Sávio

      Comentário por dsaviosoares | 24/11/2011 | Responder

  8. Sávio
    Somente hoje fui “apresentada” a seu site..
    Nem precisa dizer que a-do-rei e foi estar sempre presente.
    Parabéns, bem escrito, interessante, completo.
    Ane

    Comentário por Ane Picagli | 14/10/2012 | Responder

    • Olá Ane Picagli,

      Obrigado pelo carinho. Estou um pouco fastado do blog, mais pelo facebook (Domingos Sávio Oliveira Soares). Por lá falo muito de cinema e música. Daqui a pouco estou voltando…

      Abraço,

      Sávio

      Comentário por dsaviosoares | 21/11/2012 | Responder


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