SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Francisco Alves – “O Rei da Voz”, também chamado carinhosamente de “Chico Viola”.


Na época de Francisco Alves havia um padrão no estilo: Todos eram obrigados a cantar operisticamente, valorizando notas altas e extensão vocal. Portanto, tinha que ter voz, gogó e dominar as nuances como poucos. Hoje em dia soa estranho aos ouvidos de quem desconhece o estilo da época, mas percebe-se nitidamente que o “Chico Viola” tinha um vozeirão irrepreensível – Sem dúvida, um dos nossos maiores cantores – e também dos mais esquecidos. Aqui vai um texto fabuloso do pesquisador e amigo Christiano Câmara sobre “O Rei da Voz”, quando do centenário de seu nascimento. 

 

Francisco Alves nasceu na Rua da Prainha – Bairro da Saúde – no Rio de Janeiro, a 19 de agosto de 1898 e faleceu na Estrada Rio-São Paulo (posteriormente Via Dutra) num desastre automobilístico, no dia 27 de setembro de 1952.

Para muitos estudiosos do nosso Cancioneiro Popular, foi o melhor intérprete da alma canora do povo brasileiro. Dos pais, recebeu o nome de FRancisco de Moraes Alves e, de nossa gente, o apelido carinhoso de Chico da Viola.

Como em sua época não havia a dinâmica dos veículos de comunicação dos nossos dias, os artistas eram obrigados a galgar os árduos degraus da fama, um por um, isto é: começavam em circos, passando em seguida para os teatros e daípara estúdios de gravação e consequente série de apresentações em shows, nos programas de rádio e pelas cidades. Francisco Alves, tal como Vicente Celestino, não foi exceção à regra. Iniciou sua fabulosa carreira artística no Circo Spinelli (armado no Pavilhão Meyer – Rio). Pouco depois, em fins de 1919, fez sua primeira gravação (de uma série de mil). Foi a marcha O Pé de Anjo, de autoria de José Barbosa da Silva, o popularíssimo Sinhô.

Sua importância no contexto geral do nosso cancioneiro (principalmente na fase de Ouro, a Década de Trinta), ainda não foi devidamente analisada pelos que se preocupam com a nossa memória musical. De uns tempos para cá, aliás virou moda minimizar sua enorme dimensão artística, exatamente como tentaram fazer com Gardel, na Argentina. Se o nosso biografado tivesse embarcado para Hollywood (como o fizeram Carmen Miranda e Carlos Gardél), ainda hoje a mística de sua voz estaria vibrando nos quatro cantos do Brasil. Não devemos esquecer que o grande ídolo argentino tinha profunda admiraçãopelo nosso Pássaro Urbano.

Depois que firmou definitivamnente como um extraordinário e perfeito profissional (seus contratos eram verbais e ele os cumpria até a última palavra), à sua volta começara a gravitar os que queriam galgar algum lugar de edstaque no cenário artístico nacional.. A todos ajudou, porém, somente alguns possuíam realmente otalento necessário para averdadeira consagração popular.

Tais foram os casos de Carmen Miranda, João Petra de Barros, Orlando Silva, Aurora Miranda eCarlos Galhardo, dentre outros.

Sendo professor de violão, não foi difícil para o nosso Chico Viola colocar música em 150 composições; algumas são clássicos do nosso cancioneiro: A Voz do Violão (canção de 1928, com letra de Horácio Campos), A Mulher que Ficou Na Taça (valsa de 1934, com, letra de Orestes Barbosa). Em 1951, antes do seu último Natal entre nós, ele nos deu, com letra de David Nasser, a famosa canção Fim de Ano (Adeus Ano Velho/Feliz Ano Novo/ que tudo se realiza/no ano que vai nascer…).

Dos seus 54 anos de vida, 33 foram dedicados a interpretar a alma canora do nosso povo, além de registrar – nos dico de cera – os principais acontecimentos políticos das décadas de 20, 30, 40 e começo de 50. Através do cristal de sua voz falava do nosos sonhos, esperanças e frustações amorosa, daí a empatia conquistada junto às camadas mais humildes da nossa população.

Francisco Alves foi o mais perfeito elo de ligação entre o Bel-Canto e o cancioneiro popular. Criou um estilo único de cantar que se transformaria em, escola. Num ecletismo impresionante, cantou todos os gêneros musicais de sua época. Com sua privilegiada voz, ralentava ao final das frases musicais, emendando-as com as seginmtes em um só fôlego, pois dominava a técnica da re´piração diafragmática, recurso utilizado pelos intérpretes bel-cantista. Em tempo: estudou canto com o baixo João Athos. Também ajudava, nas gravações dos amigos, cantandom em belíssima segunda voz. Como se não bastasse, murmurava, declamava, Assobiava, fazia breques, cantarolava de boca fechada (boca chiuzza), imitava bêbado, português, enfim, foi o responsável por tantas inovações hoje criminosamente ignoradas, principalmente por aqueles que, mesmo sendo declaradamente jazzófilos, se atrevem a escrever sobre a História da Nossa Música!   –  Christiano Câmara

 
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18/02/2012 - Posted by | Uncategorized |

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