SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Glenn Miller – Carreira curta e gloriosa, morte trágica e nunca esclarecida…


De todas as mais populares e magníficas orquestras que já existiram, a que evoca mais memórias de como tudo foi romântico, de uma época que não existe mais, e cuja música ninguém esquece, é a orquestra de Glenn Miller.

Glenn Miller, apesar de sua aparência de professor austero, era um homem de grande sensibilidade humana e artística, e grande imaginação. Quando agia como empresário tomava decisões com facilidade e sempre de maneira racional. O defeito? Era teimoso. Mas era justo. Tinha gosto e desgostos intensos, embora não vacilasse em admitir quando estava errado.

Antes de ter uma orquestra de jazz, Glenn saiu-se muito bem como trombonista. Em 1937 decidiu-se, finalmente, a começar sua própria orquestra. Nos dois primeiros anos apenas sobreviveu, mas na primavera de 1939, a nova orquestra, sua segunda e última, formada em março de 1938, de repente, pegou. Daí em diante, até setembro de 1942, quando ele a dissolveu para aceitar uma comissão na Força Aérea do Exército, a orquestra Miller permaneceu, de longe, a mais popular de todas as orquestras de dança do país. A carreira inteira da orquestra Glenn Miller durou apenas oito anos. Os seis últimos foram gloriosos – os dois primeiros, horríveis…

Glenn, como tantos outros, estava a caminho da guerra. Mas o bandleader não tinha obrigação de ir. Passara da idade de ser convocado. Insistiu em ir. Estava repleto de espírito patriótico e o disse numa declaração pública: “Eu, como todo americano, tenho um dever a cumprir. Esse dever é dar o maior apoio que me seja possível para vencer a guerra. Para mim, não é suficiente ficar sentado e comprar bônus de guerra. O simples fato de eu ter tido o privilégio de exercitar os direitos de viver e trabalhar como um homem livre, coloca-me na mesma posição de cada homem em uniforme, pois foi a liberdade e o modo democrático de vida que temos que tornaram-me possível dar passos na direção certa.”

Sobre o misterioso e trágico desaparecimento…

Na noite de 15 de dezembro de 1942 ele partiu em um pequeno avião, sobre o Cana da Mancha para cuidar dos detalhes da chegada de sua orquestra em Paris, alguns dias mais tarde. O avião levantou vôo. Nem ele ou algum dos outros dois ocupantes foram vistos ou ouvidos novamente.

O destino exato de Glenn Miller e do avião permanecerá, indubitavelmente, desconhecido. Há, até a possibilidade de que ele tenha sido abatido não pelo inimigo, mas pela própria artilharia antiaérea norte-americana. Os três homens partiram informalmente, num vôo que não estava controlado, sem autorização, e as condições de tempo eram tão ruins que nenhum dos transportes da AAF (Força Aérea do Exército) estava voando. Agora, a pergunta que até hoje não obtivemos resposta: Por que razão, Glenn, que tinha verdadeiro medo de voar, decidiu arriscar-se numa viagem sob condições tão adversas?

Glenn sabia que possuía um imenso talento, portanto tinha enorme confiança em si mesmo. Costumava dizer que “se você não puder dirigir uma orquestra como tem que ser, então, você não deve ter uma.”

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11/03/2012 - Posted by | Uncategorized |

1 Comentário »

  1. As informações estão contidas no ótimo livro “The Big Bands” (1992), de George T. Simon.

    Comentário por dsaviosoares | 11/03/2012 | Responder


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