SÁVIO SOARES

Cinema e música.

“A pior coisa que pode acontecer a alguém quando fica famoso é acreditar nos mitos criado sobre ele, coisa que nunca fiz, digo com orgulho.” Marlon Brando desmistificando o mito…


Marlon Brando nunca sentiu-se muito bem com a imagem de galã e mito. Dizia que muitas vezes trabalhou exclusivamente pelo dinheiro. Por tratar-se de um mito e mesmo assim ter os “pés no chão”, demonstrando uma visão realísta da vida, é justificável que no livro “Brando – Canções que minha mãe ensinou“,  sua autobiografia, o ator tenha esta opinião sobre a questão da idolatria.

A pior coisa que pode acontecer a alguém quando fica famoso é acreditar nos mitos criado sobre ele, coisa que nunca fiz, digo com orgulho. Ainda assim, incomoda-me perceber que estou coberto com o mesmo esterco que algumas pessoas que critiquei, porque a fama viceja no adubo do sucesso do qual eu me permiti fazer parte.

Sempre fiquei admirado com as propriedades da natureza humana que conseguem tranformar uma multidão numa corja. Por algum motivo, queiram ou não, certas celebridades são tratadas como se fossem messias e são transformadas em mitos que afetam os mais profundos anseios e necesidades das pessoas. Acho hilariante o fato de o governo americano ter colocado num selo o rosto de Elvis Presley (isto se repetiria anos depois, mas desta vez com Frank Sinatra), que morreu porque tomou uma overdose de drogas. Os fãs dele não mencionam isso porque não querem renunciar ao seu mito. Deixam de lado o fato de Elvis ter sido viciado em drogas e afirmam que ele inventou o rock’n’roll, quando na verdade ele o retirou da cultura negra.; os negros já cantavam assim havia muitos anos, até que surgiu um branco que os imitou e se transformou em astro.

É claro que a formação de mitos não se limita às celebridades nem ao líderes políticos. Todos nós criamos mitos relacionados aos nossos amigos e também ao nossos inimigos; não podemos evitar isso. Não importa se se trata de Michael Jackson ou de Richard Nixon: nós acorremos institivamente em defesa deles porque não queremos ver os nossos mitos destruídos.

Nós inventamos qualquer desculpa para conservar os mitos que gostamos muito, mas o inverso também é verdadeiro; quando não gostamos de uma pessoa resistimos inflexivelmente a mudar de opinião, mesmo quando alguém nos prova sua integridade, porque é de importância vital mitificarmos deuses e demônios de nossa vida. 

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30/03/2012 - Posted by | Uncategorized | ,

1 Comentário »

  1. A canção intrigante se intitula Get Misunderstood, perfeita para a seleção de cenas. Está no álbum “Doubts & Convictions”, The TroubleMakers, 2001.

    Comentário por dsaviosoares | 30/03/2012 | Responder


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