SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Teti’aroa…a deslumbrante ilha do Marlon Brando…


Num intervalo de filmagem de “O Grande Motim” o ator foi com um amigo taitiano escalar um dos montes mais altos da ilha; lá no alto o amigo apontou para o norte e disse:

Está vendo aquela ilha?

– Não

– Não está vendo aquela ilha lá longe? Chama-se Teti’aroa…

Brando conseguiu distinguir um fio de terra que jazia no horizonte a cerca de 50 quilômetros de onde estavam. A partir daí a ilhota estava exercendo uma atração mística sobre o mito de Hollywood. Teti’aroa pertencia a uma senhora cega que se chamava madame Duran. A ilha tinha sido presente de Pomerae V, último imperador do Taiti, ao pai dela, um médico chamado Williams que acabou morando três anos ali, onde estabeleceu uma plantação de coco e foi enterrado. O poder de sedução de Marlon convenceu madame Duran vender o paraíso ao ator em meados da década de 60, fixando moradia na década de 80. E assim Ele definiu a ilhota paradisíaca…

 

Percebi que aquela porção fina de terra era bem maior do que eu tinha visto de longe e muito mais deslumbrante do que qualquer coisa que eu poderia ter visto…

Teti’aroa era um atol de coral situado poucos metros acima do nível do mar, abrangendo 250 alqueires em mais de uma dúzia de ilhas. No centro da maior de todas havia uma lagoa deslumbrante em forma de meia-lua. Uma dúzia de variedade de pássaros ficou nos observando quando desembarcamos na praia; diante de mim, na areia, estendiam-se fileiras de coqueiros, como brigadas de sentinelas adornadas de coroas de plumas; por toda parte, praias arenosas estendiam-se a perder de vista. A lagoa ficava a menos de dez quilômetros dali; águas transparentes como cristal estavam impregnadas de tons de azul que jamais imaginei existirem; turquesa, azul-escuro, azul-claro, azul-anil, azul-cobalto, azul-vivo, azul-piscina, água-marinha. Eu estava admirando aquela paleta estonteante quando várias nuvens brancas e perfeitas, de base plana, rolaram acima de mim a mais de 500 metros de altura, como se estivessem desfilando e eu, assistindo da arquibancada. Durante um instante uma sombra cobriu a ilha e logo passou, deixando o sol brilhar outra vez como cetim nas águas turbulentas da lagoa. Foi uma coisa mágica…

 

Atualmente a ilha pertence a seus herdeiros e pode virar um resort.

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27/04/2012 - Posted by | Uncategorized |

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