SÁVIO SOARES

Cinema e música.

“Não posso interpretar perdedores…não me pareço com um.” – Rock Hudson


Os estúdio tratavam de proteger os atores de escândalos, mas alguns eram tão gays que isto ficava impossível. Era o caso do ótimo ator Clifton Webb, o fantástico colunista cínico de Laura, em 1944. Rock Hudson pegou a todos de surpresa quando se declarou gay e portador do vírus HIV, o que lhe causou uma morte terrível, com direito a transmissão pela TV na sua transferência acamdo de Paris num avião fretado, pois nenhuma companhia aérea e quase ninguém queria lhe acompanhar com medo da doença misteriosa (na época).

Na verdade, de todos os grandes ídolos de Hollywood, nenhum provocou maior perplexidade e consternação entre seus fãs, ao morrer, do que Rock Hudson. Vítima da AIDS – a primeira de fama mundial – em 2 de outubro de 1985, um mês antes de completar sesenta anos, deixou atrás um misto de nostalgia, tragédia e advertência para os riscos da nova e temível doença. Não houve ataques histéricos de fãs como nas mortes de Rodolfo Valentino (peritonite aguda), James Dean (acidente de carro) ou Elvis Presley (drogas). Mas os fãs de Rock em todo o mundo ficaram profundamente chocados e comovidos ao saber que contraíra AIDS porque era homossexual – um fato que ele só admitiu publicamente nos últimos dias.

Roy Harold Scherer Jr. nasceu em Winetka (subúrbio de Chicago, Illinois) em 17 de novembro de 1925. Serviu como marinheiro nas Filipinas e confiante no seu belo físico, foi tentar a sorte em Hollywood. Após tentar a sorte e não conseguir passar da porta principal de alguns estúdios, Rock foi descoberto pelo agente Henry Wilson, responsável pela carreira de Rhonda Fleming, John Saxon, Tab HUnter e Robert Wagner. Wilson lhe conseguiu um contrato de sete anos e lhe trouxe o nome Rock (“a solidez dos rochedos”) Hudson (“a força do rio Hudson”).

Rock ingressou na Universal em 1948 e amargou papéis sem importância em 25 filmes, antes de chegar a sua grande chance como galã de Jane Wyman em Sublime Obsessão (1954) e em Tudo o Que o Céu Permitir (1956). Nesse mesmo ano, recebeu sua primeira e única indicação para o Oscar por Assim Caminha a Humanidade. Em 1957 foi contratado pelo produtor David Selznick (de…E o Vento Levou) para ser galã de Jennifer Jones (mulher de Selznick) no monumental Adeus às Armas, baseado no romance de Ernest Hemingway.

Rock tornou-se o astro mais popular da Universal e chegou a receber mais cartas de fãs do que Tony Curtis e Jeff Chandler. Mas, apesar de namoros com as atrizes Vera-Ellen e Marilyn Maxwell, rumores de que era homossexual ameaçaram essa popularidade. Diante disso, o agente Willson casou-o com sua secretária Phylis Gate, em 9 de novembro de 1955. A união forjada durou até 1958, quando Phylllis pediu o divórcio alegando “incompatibilidade de gênios” e saiu com 1 milhão de dólares na conta bancária, além da honra de ter sido casada com o “homem ideal” sonhado por milhões de fãs em todo o planeta. Logo em seguida, o produtor Ross Hunter teve a brilhante idéia de reunir Rock e Doris Day em três comédias maliciosas de grande sucesso: Confidências à Meia Noite (1959), Volta Meu Amor (1961) e Não Me Mandem Flores (1964). Ainda foi galã de Gina Lollobrigida, Claudia Cardinale, Leslie Caron, Julie Andrews e Liz Taylor (em A Maldição do Espelho, 1980, por exemplo)

Aos poucos, a fórmula se gastou e Rock percebeu que o cinema não tinha mais lugar para ele. “Não posso interpretar perdedores”, comentou. “Não me pareço com um”. Aderiu à TV e fez os seriados O Casal McMillan (71/75), com Suzan St. James, um grande sucesso, e Operação Devlin (1982). A essa época, sofreu um enfarte e recebeu cinco pontes de safena. Sua última aparição foi no seriado Dinastia (1985).

Neste vídeo em homenagem a Rock, a voz é dele.

Nunca esqueci o ótimo filme “Estação Polar Zebra”, de 1968, no qual Rock interpreta um agente americano que desvenda crimes e se passa quase todo dentro de um submarino. Ninguém, nenhum fã do mundo desconfiava que Rock Hudson fosse homossexual. Acho que hoje em dia isto seria apenas um detalhe, mas na época provavelmente decretaria o fim da carreira de qualquer galã de cinema.

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15/05/2012 - Posted by | Uncategorized | ,

4 Comentários »

  1. Ele foi um dos meus artistas preferidos e nunca nunca eu desconfiei que ele era homossexual, apesar que se fofsse hoje em dia ninguém ligaria para isso como você disse.
    Ele era um bom ator com uma aparência magnífica.

    Comentário por Lourdes | 16/05/2012 | Responder

    • Lourdes, hoje em dia o talento supera essas baboseiras…

      Abraço,

      Sávio

      Comentário por dsaviosoares | 17/05/2012 | Responder

  2. É Savio naquele tempo um galã ser homossexual seria um escandalo inimaginavel!
    Mas isso pouco importa hoje.
    Rock Hudson continua um dos maiores até hoje.

    Comentário por Michel | 16/05/2012 | Responder

    • Michel, Rock é um mito da época de ouro do cinema, infelizmente foi uma vítima dessa doença terrível.

      Abraço,

      Sávio

      Comentário por dsaviosoares | 17/05/2012 | Responder


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