SÁVIO SOARES

Cinema e música.

John Ford – “Encontrar o excepcional na mediocridade, o heroísmo no quotidiano, é este impulso dramático que me convém…”


John Ford é um ícone do cinema norte-americano. Talvez o diretor mais imitado e festejado – Ford, como diretor, é o maior ganhador de Oscars (seis no total), e realizou mais de 135 filmes. Começou a impressionante carreira entre 1920-1930 com uma abundante série de westerns, da qual se destaca o interessante filme O Cavalo de Ferro.

A partir de 1930 aparecem A Patrulha Perdida, e, sobretudo, O Denunciante. Após uma fase menos produtiva, volta a afirmar-se com A Cavalgada Heróica e Vinhas da Ira. Depois instala-se solidamente à sombra de uma fama merecida e multiplica as suas produções, distinguindo-se  sobretudo nos westerns, com uma autenticidade um pouco rotineira. Nos Tempos das Diligências (1939), Paixão dos Fortes (1946) , Rastros de Ódio (1956) e O Homem que Matou o Facínora (1962) estão entre os dez melhores faroestes do século 20. Além dos faroestes, não posso deixar de citar três obras-primas:  Vinhas da Ira (1940), Como Era Verde o Meu Vale (1941), Depois do Vendaval (1952), provando a versatilidade do grande mestre.

 Generoso e paternalista, ora criticando o exército, ora ultramilitarista, lutando contra os preconceitos e a sua obediência, bom artista, ou bom comerciante, épico ou familiar, ele é, com o seu temperamento poderoso e as suas contradições, o melhor continuador de Thomas Ince. Numa parte dos seus melhores filmes podemos encontrar um tema comum: o homem perseguido pela morte ou por perigos inquietantes. A propósito disso, declarou certa vez: “Creio que isso é uma maneira de confrontar os indivíduos. Esse momento trágico permite-lhes definirem-se tomarem consciência daquilo que são, sair de sua indiferença e da sua inércia, da sua convenção, do qualquer coisa. Encontrar o excepcional na mediocridade, o heroísmo no quotidiano, é este impulso dramático que me convém. É como encontrar o cômico na tragédia”  

Trecho do ótimo documentário do diretor Peter Bognanovich sobre o mestre John Ford. Observe  quando perguntaram a Orson Welles sobre os seus diretores preferidos…

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21/05/2012 - Posted by | Uncategorized | ,

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