SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Luiz Gonzaga – “O Sanfoneiro do Riacho da Brígida”, livro do escritor paraibano Sinval Sá. Chegou o momento de reeditar este belo e tocante livro sobre o “Rei do Baião”.


Não é fácil vencer preconceito de décadas, mas às vezes o tempo se encarrega disso. Os fãs, predominantemente nordestinos, não estavam preocupados com os ditos críticos de música. Não era apenas para matar saudade da terra  distante, Luiz Gonzaga era a voz que acalentava toda tristeza do retirante nordestino.

Passar a admirar Luiz Gonzaga não significa apenas recordar o longínquo Nordeste e familiares, mas constatar um talento, uma genialidade que ultrapassa qualquer classe, região ou mesmo estilo musical.

O escritor Sinval Sá, com mais de 90 anos, autor do ótimo livro “O Sanfoneiro do Riacho da Brígida” fez um trabalho maravilhoso narrando “causos” do “mestre Lua”, durante toda a sua trajetória, além disso, no referido livro encontramos letras de vários sucessos que estão na boca do povo e até hoje são lembrados e regravados por cantores da nova geração.

Sinval Sá é paraibano de Conceição do Piancó e atualmente reside em Brasília. Para minha tristeza, conforme informações do amigo Antonio Raimundo Mapurunga, o escritor luta para conseguir apoio de patrocinadores no intuito de relançar este fabuloso livro sobre “O Rei do Baião”. Não há momento mais oportuno do que este, no centenário de Luiz Gonzaga. Torcemos que obtenha sucesso.

Trechos do programa Proposta com Luiz Gonzaga e participação de Gonzaguinha no quadro Arquivo do Radiola na TV Cultura.

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14/06/2012 - Posted by | Uncategorized | ,

3 Comentários »

  1. Meu caro Sávio, a propósito, ultimei a leitura desse gracioso livro. Não sei da verdade dos fatos, mas me contaram que, chegando ao Museu do Rei do Baião, em Exu, Silval Sá pergunta se a obra O Sanfoneiro do Riacho da Brígida está ali… Ouviu a amarga resposta de que tal livro ali não se encontrava. Infelizmente, em nossa terrinha, as comemorações em reconhecimento ao trabalho de alguém só têm sabor de foguetes momentâneos. Com o tempo toda aquela festa se esvai, e o homenageado, bem como os que o homenageiam se esgarçam nas teias do tempo.
    Da leitura da obra depreendi o quanto Gonzagão lutou para chegar aonde chegou. Presenciei a surra que Dona Santana nele aplicou para aplacar os furores de valentia. Vi sua fuga para o Ceará, onde serviu o Exército aqui em Fortaleza no 23 BC. Testemunhei seu encontro com Humberto Teixeira e com Josá Dantas. Vi de sua luta no enfrentamento dos preconceitos com a música nordestina. Seu rápido eclipsar-se e seu rápido restabelecimento. Isso tudo no saboroso livrinho da Sinval Sá, que o escreveu “com a tinta da galhofa” nordestina mas também a ele emprestou o verniz da seriedade literária e a fidelidade ao biografado….
    Triste Brasil, pobre Nordeste, que deixam ao léu uma das poucas coisas boas que se fazem nesse País: a música, divina música. Viva Luiz, viva Sinval.

    Comentário por Francisco Hugo Barroso Martins Júnior | 17/06/2012 | Responder

    • Olá Francisco,

      Como quase todo mundo, cresci ouvindo os discos que nossos pais escutavam. Luiz Gonzava foi presença constante na radiola lá de casa. Havia uma diversidade ritmica que explica a variedade de gêneros que abordo neste humilde blog.
      Mas é inevitável a predominância de posts sobre os ídolos do cinema e da música americana e brasileira. Por tais razões, Gonzagão será sempre lembrado.
      Me surpreende negativamente o fato do livro do escritor Sinval Sá não fazer parte do acervo que existe no Museu do Exu em Homenagem a Luiz Gonzaga. (Será que precisam de um exemplar?)
      Agradeço a você, Francisco, pelas suas palavras que explicam de forma cristalina o rico contéudo existente no livro do escritor e pela bela homenagem que presta a Sinval Sá, o escritor que merece muito mais.

      Um abraço,

      Sávio Soares

      Comentário por dsaviosoares | 18/06/2012 | Responder

  2. Sou uma das filhas do Sinval e realmente me entristece não ver o reconhecimento da obra do meu pai. Quem teve a oportunidade de ler a obra percebe que papai consegue a”prosear” a vida e andanças” do velho Lua de uma uma forma poética e envolvente. Para quem cresceu ouvindo “Mula Preta”, ” A volta da Asa Branca”, “Casa de Reboco” e todos os termos do “nordestinês”, sinto que o livro de meu pai nunca teve o real valor que ele merecia. Fala aqui não a filha, mas alguém cujas raízes nordestinas conhecem um pedaço da luta do sertanejo e todas as humilhações históricas sofridas por gerações e gerações de brasileiros cuja maior riqueza é a honra de ser o que é : “uma gente pai d´égua”. Recentemente, o Governo do Estado de Pernambuco, editou mais uma edição do livro. Contudo, mais uma vez, uma tiragem pequena. Para aqueles que trazem o DNA nordestino é sabido que Gonzagão foi o maior divulgador dessa cultura e o fez numa época em que o preconceito era explícito e qualquer cidadão que nacesse da Bahia para cima era chamado de “baiano”. A mim, como filha, resta agradecer o carinho. abs. Paula Sá.

    Comentário por Paula F G de Sá | 05/02/2013 | Responder


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