SÁVIO SOARES

Cinema e música.

“She Shot Me Down” (1981) – Apesar da voz devastada, Frank Sinatra (aos 65 anos) ainda tinha o poder de interpretar uma canção e ser extremamente convincente.

As canções tratam de amores perdidos, decepções amorosas, contadas e cantadas por um experiente Frank Sinatra. Apesar das cordas vocais estarem cansadas de tanto Jack Daniel’s e Chesterfields, Sinatra continua extremamente envolvente neste que considero o melhor registro de seus últimos 25 anos. Às vezes, a voz cansada e o luxo do acompanhamento parecem soar incongruentes, mas quem entende Billie Holiday em seu último e maravilhoso álbum ou Tom Waits cantando Bernstein, perceberá que trata-se do melhor disco do Frank como ator.

Em “She Shot Me Down”, algumas canções interpretadas por Sinatra lembram um filme noir…Definitivamente arte pura.

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12/04/2012 Posted by | Uncategorized | , | 2 Comentários

As titulares da canção – o ideal é não comparar.

Como escolher dez vozes depois de ouvir tantas cantoras norte-americanas? Só sei que há coisas que eu não discuto, essas são política, religião, Billie Holiday e Peggy Lee.

Do mesmo modo que fiz com os titulares: vai a dica de um grande disco de cada uma das divas.

Billie Holiday

 

                                                                                                               Peggy Lee

 

Sarah Vaughan

 

                                                                                                         Ella Fitzgerard

 

Doris Day

 

                                                                                                          Carmen MacRae

 

Nancy Wilson

 

                                                                                                         Julie London

 

Diana krall

 

                                                                                                      Lorez Alexandria

07/05/2011 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

Os titulares da canção – O ideal é não comparar.

Domingo a conversa esticou até tarde da noite. As preferências musicais eram as mais variadas possíveis, mas sempre mantendo um padrão, digamos, aceitável. Lá pelas tantas, alguém começou a enumerar os “dez maiores” ou “melhores” do Século 20. Todos deram a sua lista. Também disse a minha, apesar de achar difícil elaborar uma relação tão curta – mas evitei comparações.

Eu não comparo. Digamos que haja um primeiro time (o dos cantores que criaram estilos ou escolas) e um segundo (formado por aqueles que, influenciados ou não pelos titulares, têm também sua legião de admiradores). Aí entra o gosto pessoal de cada um.

Ontem, os dez que listei foram os seguintes: (hoje já lembrei de outros tantos que estenderia a relação para trinta, com certeza!) Depois direi a lista das titulares – parada dura também. Para ilustrar, vai a foto de um grande álbum de cada um deles.

 Frank Sinatra

Johnny Hartman

 

Dick Haymes

 

Dean Martin

 

Nat King Cole

 

Mel Tormé

 

Tony Bennett

 

Billy Eckstine

 

Bing Crosby

 

Joe Williams

 

Como bem disse o colecionador Jorge Cravo, “o interessante é não comparar, não optar, não racionalizar – é ir com cada um em sua hora.” Concordo plenamente.

17/01/2011 Posted by | Uncategorized | | 2 Comentários

“She Shot Me Down” – Frank Sinatra (Reprise, 1981)

Este foi o último álbum do Sinatra pela sua gravadora a Reprise Records. Não foi um sucesso comercial. No entanto, isso nada significa para os fãs, pois trata-se de um álbum que nos remete aos melhores tempos do Frank na gravadora Capitol.

A essência daquele período, dos seus grandes discos (In The Wee Small Hours e Only The Lonely, entre outros tantos) que evocavam amores perdidos e madrugadas em bares regados a uísque, está presente de forma emocionante, pois revela um Sinatra maduro, com a bela voz rouca e carregada de sentimento, pela experiência das noitadas movidas a bourbon e cigarro, mas que aparenta não ter esquecido a perda de um grande amor.

As músicas são extremamente românticas e as letras carregadas de sentimentos de perda e melancolia, conduzidas e organizadas por Gordon Jenkins e Don Costa na produção. Naquele ano (1981), Sinatra voltara com força total ao centro da política norte-americana ao apoiar e a promover as festas do então presidente Ronald Reagan.

 

Felizmente, todos os elementos conspiraram para tornar “She Shot me Down” uma despedida à altura.

31/12/2010 Posted by | Uncategorized | | 4 Comentários

Miles Davis – “Sketches of Spain” (1960)

 
 “O Concerto de Aranjuez só ficou famoso porque Davis o descobriu e gravou.” – Ruy Castro no livro “Tempestade de Ritmos”.

Dizem que o compositor do Concierto de Aranjuez, Joaquín Rodrigo, não gostou do que Miles Davis fez com sua obra. Segundo o escritor Ruy Castro, quando Miles Davis soube do papo, disse o seguinte: “Talvez goste mais quando começar a receber os cheques pelos royalties”. Dito e feito, concluiu o escritor.
 
É considerado um dos discos mais acessíveis do trompetista. Neste disco, Miles Davis improvisa menos. Alguns críticos de música não consideram Sketches of Spain um disco de jazz. Pra mim não importa se é ou não, apesar de considerá-lo sim, um grande disco de jazz. Quando Miles soube que estavam discutindo sobre o referido assunto, ele foi direto: “É música, e eu gosto”. Estou com ele.  

28/09/2010 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

“SAMMY DAVIS, JR. sings LAURINDO ALMEIDA plays”

Nos dias 14 e 15 de junho de 1966, os talentosos Sammy Davis Jr. e Laurindo Almeida gravaram um álbum inesquecível. É uma daquelas parcerias que dá certo e se eterniza.

 

O clima do disco é outro, não dos cassinos de Las Vegas- habitat de Sammy Davis Jr. Trata-se de um álbum intimista e suave, não menos notável quanto o outro estilo adotado pelo cantor. As canções são conhecidas, mas interpretadas de maneira diferenciada e tocante por Sammy. Já Laurindo Almeida mostra porque nunca mais precisou morar novamente no Brasil.

 O instrumentista brasileiro Laurindo Almeida, já esquecido em nosso país (o que é normal por aqui…), fez uma carreira brilhante nos Estados Unidos. Foi jovem juntar-se ao Bando da Lua nos shows de Carmem Miranda e depois fez a sua estrada. Viveu, morreu e foi enterrado em Los Angeles, onde era reconhecido e respeitado.

Trata-se de um álbum intimista da melhor qualidade. Os talentos de Sammy Davis Jr. e Laurindo Almeida estão presentes de maneira notável neste álbum.

18/04/2010 Posted by | Uncategorized | , , | 2 Comentários

“Last Recording” – Billie Holiday

Cantar canções como The Man I Love ou Porgy’ dá menos trabalho do que sentar e comer pato assado. E eu adoro pato assado. – Billie Holiday

 

Billie Holiday não gostava que perturbassem com barulhos ou mesmo incomodassem com conversas durantes as suas apresentações. Há uma passagem interessante que o escritor Ruy Castro conta no livro “Saudades do Século 20”.

 Quando Frank Sinatra estava no recinto, a coisa era diferente. Certa noite nos anos 40, no Ônix Club, em Nova York, ele tinha ido ouvir Lady, como fazia todas as noites. Alguém no bar estava falando alto, Sinatra foi até lá e lhe pediu para baixar o volume. O sujeito não atendeu ao apelo e continuou conversando. Não pôde completar uma frase: alguém lhe quebrou o queixo com um soco. E Sinatra passou os dias seguintes sem poder estalar os dedos. Mas pôde ouvir Lady sossegado.

 

Last Recording me remete aos discos conceituais do Sinatra. A voz de Lady Day está apenas um fiapo – apesar dela nunca ter tido um vozeirão – mas a carga emocional e a voz pequena e embargada (puxa, como eu gostaria que ela tivesse gravado Drinking Again) me lembra o Frank Sinatra dos discos conceituais e quando estava setentão, passando toda a emoção, as experiências de uma vida boêmia e regada a  bourbon.

 No álbum há gravações sublimes: I’ll Never Smile Again (a composição é belíssima, trata-se de uma homenagem da autora ao esposo falecido), All The Way, Don’t Worry’ Bout Me e Baby, Won’t Please Come Home.

 Claro, Lady Day é sempre maravilhosa, seja cantando com violinos nos discos da Gravadora Decca como cantando com pequenos conjuntos nos discos da Verve, Mercury e outros selos. Não resta dúvida quanto a qualidade sublime da coleção The Complete Decca Recordings e o mais jazzístico The Billie Holiday SongBook.

Mas tenho uma preferência por este disco, pois para mim transmite uma emoção a mais quando sabemos que, para gravá-lo, para conseguir chegar às sessões de gravação, tinha que ser amparada até o microfone. Morreu quatro meses depois das antológicas gravações.

Billie Holiday, a lendária Lady Day, a suprema emoção do jazz, que Frank Sinatra alega ter sido uma de suas maiores influências – emoção Sinatra e Holiday tinham de sobra.

06/03/2010 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

“Only The Lonely” – Frank Sinatra

 

Frank Sinatra Sings for Only The Lonely (Capitol, 1958)

 

 

Não, este não é o melhor disco de fossa da década de 50. Trata-se, simplesmente, do melhor álbum de canções para amantes solitários, amores perdidos e boêmios do século 20. Na capa do disco o cantor está com uma lágrima escorrendo pelo rosto pintado de palhaço. Curiosamente, o único prêmio (Grammy) que ganhou foi pela capa do disco. No verso do álbum encontramos uma gravura bem ao estilo Edward Hopper: Um homem urbano comum, solitário num banco de praça, bem próximo a um lampião estilo anos 50.

 A seleção musical é um caso à parte – o clima de fim de noite, de melancolia e de tristeza é imediatamente estabelecido pela música de abertura (Only The Lonely) e segue com Angel Eyes, Whats New (fenomenal!), Guess I’ll Hang My Tears Out To Dry e One For My Baby, entre outras, interpretadas por um Sinatra extremamente comovente.

 Os arranjos e a condução da orquestra foram de Nelson Riddle, formando com Frank Sinatra uma das parcerias mais certeiras da história da música popular norte-americana. Entre os meus amigos sinatrófilos há uma disputa quente em comparação ao também fabuloso álbum conceitual In The Wee Small Hours Of The Morning de 1955, mas, para mim, o disco Only The Lonely é insuperável, ganha por una cabeza.

21/11/2009 Posted by | Uncategorized | , , | 4 Comentários