SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Lee Remick – filmes para adultos era a sua especialidade…

Introspectiva e elegante, Lee Remick – nascida em Quincy (Massachussetts), em 14 de dezembro de 1935 – estreou como a provocante garota de torcida em Um Rosto na Multidão (1958), foi a sexy e suposta vítima de estupro defendida por James Stewart em Anatomia de Um Crime (1959), a viúva traída de Montgomery Clift em Rio Violento (1960) e a esposa alcoólatra de Jack Lemmon em Vício Maldito (1962), pelo qual recebeu uma indicação para o Oscar.

Até 1968, foi casada com um diretor de TV, o norte-americano Bill Colleram, pai de seus filhos Katherine e Matthew. Até 1970, Lee trocou Hollywood por Londres, onde foi residir com seu segundo marido, também diretor de TV, Kip Gownas. Na Inglaterra, a atriz realizou um grande sonho: contracenar com Katherine Hepburn na peça filmada para a TV, Um Equilíbrio Delicado (1973), um recorde de audiência.

Em 1976, estreou A Profecia com seu ator preferido, Gregory Peck. Um de seus melhores desempenhos é o da mulher envolvida em um romântico relacionamento em Corações em Lágrimas (1979).

Lee Remick tinha uma resposta, na ponta da lingua para quem perguntava as razões de sua pouca frequência no cinema “Quando os produtores decidirem fazer filmes para adultos outra vez, eu começarei a atuar neles com o maior prazer”. Vítima de câncer, morreu em 2 de julho de 1991, em Brentwood, Los Angeles.

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12/08/2012 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

Grace Kelly – “elegância sexual, ardor e senso de humor discretamente ocultos sob sua serena aparência”.

Alfred Hitchcock dirigiu-a em três filmes de sucesso: Disque M Para Matar (1954), Janela Indiscreta (1954) e Ladrão de Casacas (1955), partes de uma curta e vitoriosa carreira de onze filmes em cinco anos – Grace sempre disse que, se um dia resolvesse voltar ao cinema, seria através de Hitchcock.

Quando nasceu em Filadélfia (Pennsylvania, EUA) em 22 de novembro de 1928, Grace Patricia Kelly estava destinada a ser mais uma dama da sociedade local – sua família era muito rica. Mas, ainda na adolescência, matriculou-se na American Academy of Dramatic Art. Em 1949, quando a TV engatinhava, fez cerca de 50 peças ao vivo até ser vista por um agente de Hollywood que a recomendou ao diretor Henry Hathaway para Horas Intermináveis (1951). No ano seguinte, ela já contracenava com Gary Cooper em Matar ou Morrer. Grace estrelou Mocambo (1953), Amar É Sofrer (1954), que lhe rendeu o Oscar de melhor atriz, As Pontes de Toko-Ri (1954), Tentação Verde (1954), O Cisne (1956) e Alta Sociedade (1956).

Bela como uma estátua grega, aristocrática e impecável, a loura da Filadélfia era a própria expressão da pureza imaculada. Não foi por outro motivo que Alfred Hitchcock a apelidou ironicamente de “Princesa da Neve”. Ele dirigia em Disque M Para Matar e ficou chocado com a discrepância entre a imagem e a realidade e declarou que Grace tinha “elegância sexual, ardor e senso de humor discretamente ocultos sob sua serena aparência”. Por fim, o roteirista Bryan Mawr comentou mais tarde sobre ela: “Aquela Grace! Ela se entregava a todos.” A relação de amantes é vasta: Bing Crosby, Gary Cooper, Clark Gable, Frank Sinatra, Oleg Cassini, são apenas alguns exemplos famosos.

Durante as filmagens de Ladrão de Casacas, o jornalista francês Pierre Galante, então marido de Olivia de Havilland, apresentou-a ao príncipe Rainier, que procurava uma consorte para manter seu trono – um mêses depois, pediu-a em casamento. As luxuosas bodas aconteceram em 18 de abril de 1956 e Grace tornou-se Sua Alteza Sereníssima Princesa de Mônaco, quatro vezes duquesa, nove vezes baronesa e oito vezes condessa. Católica, Grace não desapontou os monegascos e deu a Rainier três filhos: Caroline (1957), Albert(1958) e Stephanie (1964). Usou sua coroa durante 26 anos. Dois meses antes de completar 54 anos, em 14 de setembro de 1982, Grace morreu em um misterioso acidente de automóvel na Côte D’Azur. Sobreviveu sua acompanhante, a filha caçula Stephanie que, dizem, dirigia o carro e, por ser menor, não entrou no inquérito.

Grace Kelly é, sem nenhuma dúvida, uma das 10 mais belas atrizes que Hollywood já produziu.

30/07/2012 Posted by | Uncategorized | , | 3 Comentários

Pier Angeli – beleza arrebatadora…

Pier Angeli foi uma das atrizes mais belas do cinema. Os olhos verdes e a pele morena da atriz chamaram a atenção do diretor italiano Vittorio de Sicca que imediatamente a convidou para atuar no filme “Amanhã Será Tarde Demais”.

A beleza arrebatadora da atriz italiana despertava paixões: duas “vítimas” de sua beleza foram os atores James Dean e Kirk Douglas que sofreram em suas mãos. Foi casada duas vezes, com  Vic Damone e com Armando Trovaioli – teve dois filhos, um de cada marido.  Após um período de fracasso profissional, a frágil atriz cometeu suicídio após a ingestão de barbitúricos. Foi em 1971 – tinha apenas 39 anos de idade.

23/07/2012 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

Lizabeth Scott – A loura dos filmes noir…

A americana Lizabeth Scott alcançou sucesso em filmes, especialmente no gênero de filme noir. Mas é pouco lembrada por aqui. Sua estréia no cinema foi em “You Came Along” (1945) ao lado de Robert Cummings. A Paramount apelidou a loura de “Scott, a Ameaça”, na intenção de criar uma rivalidade nas telas para Lauren Bacall e Veronica Lake.

Com grande sensualidade e uma bela voz rouca, Lizabeth Scott conseguiu um encaixe perfeito ao gênero filme noir. O sucesso de Scott aos 25 anos de idade pode ser medido pelo faturamento que obteve aos 25 anos de idade: O lucro que obteve fora igual ao que Bogart alcançou na mewsma época através de propagandas e bilheterias

Em 1972, ela fez uma aparição quadro final de movimento, em “Pulp”, com Michael Caine e Mickey Rooney. Depois disso, retirou-se da vista do público e recusou pedidos de entrevista (uma das últimas aparições em público foi no tributo a Hal Wallis no American Film Institute).

Lizabeth Scott, que completará 90 anos em 22 de setembro de 2012, tem uma estrela na Calçada da Fama por sua contribuição ao Cinema. Uma curiosidade: A bela atriz dos filmes noir foi também uma ótima cantora e gravou um LP, simplesmente intitulado “Lizabeth”.

Aprecie a beleza, o estilo e a voz de Lizabeth Scott.

17/07/2012 Posted by | Uncategorized | , , | 1 Comentário

Ernest Borgnine (1917-2012)

“Consigam um trabalho de verdade antes de tentar seguir uma carreira de ator. Aprendam sobre a vida e depois aprendam sobre seu ofício. E não usem óculos escuros na tela para parecerem legais. Os olhos são o melhor recurso de um ator”. Ernest Borgnine recomendando aos jovens aspirantes a atores.

Antigalã por excelência, ele era quase sempre o vilão da história: tosco bandido num faroeste, sargento bronco nos filmes de guerra, gângster mal-encarado em policiais ou brutamontes sem tutano em dramas e comédias. E não se incomodava com a imagem que carregava há mais de cinco décadas: “campeão dos papéis de coadjuvante”.

Nascido em Hamden (Connecticut, EUA), em 24 de janeiro de 1918, Ernest Borgnine foi motorista de caminhão e pareticipou da II Guerra Mundial, como chefe de artilheiros de um destróier. De volta aos Estados Unidos, suas histórias engraçadas divertiram os vizinhos e levaram sua mãe, Anna, a perceber que o filho levava jeito para ator.

Dez anos depois, Borgnine recebeu o Oscar de melhor ator por sua interpretação como o açougueiro de Marty (1955), depois de atuar em clássicos como A um Passo da Eternidade (1953), Vera Cruz (1954) e Johnny Guitar (1954), sempre funcionando como “escada” para os atores principais. Mesmo depois do Oscar, Ernest Borgnine continuou a encarnar personagens secundários em filmes como Os Doze Condenados (1967) e Meu Ódio Será Tua Herança (1969) e O Destino do Poseidon (1972).

O grande ator Ernest Borgnine, 95 anos, morreu de falência renal, no Cedars-Sinai Medical, em Los Angeles, neste domingo (8), informou seu porta-voz oficial. O ator estava ao lado da mulher e dos filhos no momento da morte.

O segredo da longevidade…

Em 1973, Borgnine se casou pela quinta e última vez, com a norueguesa Tova Traesnaes, sendo inclusive garoto-propaganda dos produtos de beleza da mulher. Em uma entrevista em 2007, ele comemorou a longevidade da relação. “Durou mais que todos meus outros quatro casamentos juntos”, brincou.

08/07/2012 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

Deborah Kerr, uma injustiçada do Oscar.

Uma das atrizes britânicas mais bem-sucedidas de Hollywood., Debora Kerr nunca obteve um Oscar, mas foi indicada seis vezes para a estatueta de melhor atriz, por Meu Filho (1949), A Um Passo da Eternidade (1953), O Rei e Eu (1956), O Céu Por Testemunha (1957), Vidas Separadas ((1958) e O Peregrino da Esperança (1960).

Nascida em Helensburgh (Escócia) em 30 de tembro de 1921, Debora Kerr-Trimmer queria ser bailarina e mudou-se para a Inglaterra a fim de estudar na tradicional Phyllis Smale Ballet School, então dirigida por sua tia. Alta demais para praticar balé clásico, ela compensou a frustação fazendo pequenos papéis em montagens do Regents Park Open Air Theater. Um agente a descobriu e a indicou ao diretor Gabriel Pascal, que a escolheu para interpretar uma garota do Exército da Salvaçã em Major Barbara (1941), versão para o cinema da peça de Bernard Shaw.

Em poucos anos, Deborah tornou-se uma estrela do cinema britânico, aprecendo em superproduções como Coronel Blimp (1943) e Narciso Negro (1946). Seu primeiro filme em Hollywood, Mercador de Ilusões (1947), colocou-a ao lado de Clark Gable, As Minas do Rei Salomão (1950), Quo Vadis (1951), O Prisioneiro de Zenda (1952) e Júlio César (1953) fizeram dela uma estrela também nos EUA, onde escandalizou as platéias conservadoras com a famosa sequência na praia, com Burt Lancaster, em A Um Passo da Eternidade. Mas foi sua parceria com Yul Brynner, em O Rei e Eu (1956), que a tornou realmente popular. “A Mrs Anna de O Rei e Eu foi tão importante para mim quanto Scarlett O’Hara foi para Vivien Leigh em …E o Vento Levou”, admitiu.

A polêmica cena com Burt Lancaster em “A Um Paso da Eternidade”

Depois do fracasso de Movidos pelo òdio (1969), Deborah afastou-se do cinema por mais de 15 anos, retornando apenas em The Assan Garden (1985), depois de atuar no telefilme Testemunha de Acusação (1982). Seu primeiro casamento, com Anthony Charles Bartley, durou de 1945 a 1959; o casal teve duas filhas, Melanie Jane (1947) e Francesca Anne (1950). Deborah foi casada de 1960 até a morte em 2007 com o escritor Peter Viertel e viviam entre sua casa em Marbella (Espanha) e um chalé em Klosters (Suíça). Extremamente debilitada pelo Mal de Parkinson (doença que acabaria por ocasionar a sua morte), Deborah Kerr foi homenageada na festa do Oscar em 1994, emocionando astros, estrelas e público do mundo inteiro.

02/07/2012 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

Donald Pleasence – Rosto é inconfundível.

 

Com seu olhar forte e penetrante compôs uma galeria de vilões e heróis conturbados em inúmeros filmes “B”, a maioria de horror, como a série Halloween e O Príncipe das Trevas (1987).

Nascido em Worksop (Inglaterra), em 5 de outubro de 1919, Donald tentou os palcos londrinos em 1939, após trabalhar como encarregado de uma estação ferroviária em Swinton. Soldado da Força Aérea Britânica, foi derrubado e aprisionado pelos alemães até o fim da II Guerra Mundial. Estreou no cinema em Náufragos da Vida (1954) e atuou em filmes de prestígio como Fugindo do Inferno (1963) e Viagem Fantástica (1966).

Com o dramaturgo e roteirista Harold Pinter e o ator Robert Shaw, fundou a companhia teatral Glasshouse Productions. Apesar disso, preferiu repetir seu tipo característico em produções de segunda categoria – só em 1988, participou de 25 filmes! Casou-se duas vezes: Com Miriam Raymond (41/58), mãe de suas filhas Angela e Jean, e com Josephine Martin Crombie (1959), que lhe deu mais duas filhas: Lucy e Polly Jo.

Sua última aparição nas telas antes de falecer em 1995, foi em Halloween 6 – A Última Vingança, vivendo o Dr. Loomis. Mas apesar de todos esses personagens, Donald se tornou inesquecível ao interpretar o personagem Ernst Stavro Blofeld no filme “Com 007 Só Se Vive 2 Vezes”, na série cinematográfica James Bond.

05/06/2012 Posted by | Uncategorized | , , , | Deixe um comentário

Ingrid Bergman, a deusa sueca.

Considerada uma das maiores atrizes de todos os tempos, Ingrid Bergman encantou o mundo com seu carisma e versatilidade em filmes como Casablanca (1942), Por Quem Os Sinos Dobram (1943) e Joana D’arc (1948). Arrebatou três merecidos Oscar: dois de melhor atriz por À Meia-Luz (1944) e Anastácia, A Princesa Esquecida (1957), e o de melhor coadjuvante por Assassinato No Expresso Oriente (1974). Nascida em Estocolmo (Suécia), em 29 de agosto de 1925, fez onze filmes em sua terra natal até ser contratada pelo produtor David O. Selznick para ir a Hollywood estrelar Intermezzo, com Leslie Howard, em 1939.

Aparentemente bem casada com o médico sueco Peter Lindstrom e mãe de uma filha, Pia, Ingrid chocou Hollywood quando abandonou família e carreira no cinema americano para acompanhar o diretor Roberto Rosselini à Itália, onde faria com ele o filme Stromboli (1950). A atriz e o diretor viveram um grande romance que culminou com o nascimento de um filho em 1950. Foi um escândalo e a desmistificação do mito Ingrid Bergman. Banida pelos puritanos, os cinemas já não exibiam seus filmes, e seu caso foi parar no Congresso Americano, pois queriam proibir seu retorno aos EUA, por desapontar os fãs com “tão má conduta”…

Ingrid só voltou à América em 1957, para receber o prêmio dos críticos de Nova York por Anastácia. Em 1958, foi aplaudidade pé pelos membros da Academia de Hollywood quando agradeceu o Oscar que lhe fora concedido no ano anterior. Divorciou-se de Rosselini em 1958 e casou-se com o empresário sueco Lars Schmidt, com quem viveu mais doze anos. Dos seus filhos, a única que seguiu sua carreira foi Isabella Rossellini, pois sua irmã gêmea Isotta nada quis com o show business. O primogênito (pivô do escândalo) Robertino, ou Robin, preferiu ser corretor de imóveis.

Em 1975, Ingrid descobriu que estava com câncer nos seios e precisou extraí-los. Depois, filmou, sob a direção do também sueco Ingmar Bergman, Sonata de Outono (1977). Em 1981, gravou em Israel a missérie de TV Golda, sobre Golda Meir, uma das fundadoras do Estado de Israel e que tanto admirava. Foi seu último trabalho. Ingrid morreu em seu apartamento de Londres, exatamente no dia em que completaria 57 anos de idade: 29 de agosto de 1982.

Cena inesquecível do clássico Casablanca…

27/05/2012 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

Donna Reed…o último papel foi em “Dallas”, 1984…acho que partiu cedo demais…

Donna participou em mais de 40 filmes exalando charme e sensualidade. Em 1953 ganhou o Oscar de coadjuvante pelo papel de Lorene no clássico drama de guerra A Um Passo Da Eternidade. Mas o filme que jamais esquecerei com a participação dessa inesquecível estrela de Hollywood é  A Felicidade Não Se Compre (1946) com James Stewart e direção de Frank Capra…simplesmente inesquecível.

Devido a sua beleza e talento (mais a beleza, logicamente…) Donna Reed foi uma das queridinhas dos soldados americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Foi uma das pin-ups que mais respondeu às cartas enviadas pelos moribundos e carentes soldados durante a guerra.

 Em 1958, com a fama que conquistou em Hollywood, Donna Reed foi atuar na Televisão vivendo o papel de uma dona de casa. O seriado durou oito anos, ganhou o Globo de Ouro e quatro Grammy. Após o seriado, Donna participou ativamente de movimentos contra  a Guerra do Vietnã, voltando a atuar na década de 70 em seriados e filmes de televisão.

Em 1984, substituiu Barbara Bel Guedes no seriado Dallas, porém 1 ano depois os produtores a demitiram para que Barbara retornasse ao papel. Donna Reed processou os produtores por quebra de contrato e ganhou mais de 1 milhão de dólares – decidido nos tribunais.

Reed morreu de câncer no pâncreas em Beverly Hills, Califórnia, em 14 de janeiro de 1986, treze dias antes de seu 65° aniversário. O diagnóstico da terrível doença veio três meses antes.

Noticiário quando do falecimento da inesquecível Donna Reed…cenas memoráveis…

20/05/2012 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

“Não posso interpretar perdedores…não me pareço com um.” – Rock Hudson

Os estúdio tratavam de proteger os atores de escândalos, mas alguns eram tão gays que isto ficava impossível. Era o caso do ótimo ator Clifton Webb, o fantástico colunista cínico de Laura, em 1944. Rock Hudson pegou a todos de surpresa quando se declarou gay e portador do vírus HIV, o que lhe causou uma morte terrível, com direito a transmissão pela TV na sua transferência acamdo de Paris num avião fretado, pois nenhuma companhia aérea e quase ninguém queria lhe acompanhar com medo da doença misteriosa (na época).

Na verdade, de todos os grandes ídolos de Hollywood, nenhum provocou maior perplexidade e consternação entre seus fãs, ao morrer, do que Rock Hudson. Vítima da AIDS – a primeira de fama mundial – em 2 de outubro de 1985, um mês antes de completar sesenta anos, deixou atrás um misto de nostalgia, tragédia e advertência para os riscos da nova e temível doença. Não houve ataques histéricos de fãs como nas mortes de Rodolfo Valentino (peritonite aguda), James Dean (acidente de carro) ou Elvis Presley (drogas). Mas os fãs de Rock em todo o mundo ficaram profundamente chocados e comovidos ao saber que contraíra AIDS porque era homossexual – um fato que ele só admitiu publicamente nos últimos dias.

Roy Harold Scherer Jr. nasceu em Winetka (subúrbio de Chicago, Illinois) em 17 de novembro de 1925. Serviu como marinheiro nas Filipinas e confiante no seu belo físico, foi tentar a sorte em Hollywood. Após tentar a sorte e não conseguir passar da porta principal de alguns estúdios, Rock foi descoberto pelo agente Henry Wilson, responsável pela carreira de Rhonda Fleming, John Saxon, Tab HUnter e Robert Wagner. Wilson lhe conseguiu um contrato de sete anos e lhe trouxe o nome Rock (“a solidez dos rochedos”) Hudson (“a força do rio Hudson”).

Rock ingressou na Universal em 1948 e amargou papéis sem importância em 25 filmes, antes de chegar a sua grande chance como galã de Jane Wyman em Sublime Obsessão (1954) e em Tudo o Que o Céu Permitir (1956). Nesse mesmo ano, recebeu sua primeira e única indicação para o Oscar por Assim Caminha a Humanidade. Em 1957 foi contratado pelo produtor David Selznick (de…E o Vento Levou) para ser galã de Jennifer Jones (mulher de Selznick) no monumental Adeus às Armas, baseado no romance de Ernest Hemingway.

Rock tornou-se o astro mais popular da Universal e chegou a receber mais cartas de fãs do que Tony Curtis e Jeff Chandler. Mas, apesar de namoros com as atrizes Vera-Ellen e Marilyn Maxwell, rumores de que era homossexual ameaçaram essa popularidade. Diante disso, o agente Willson casou-o com sua secretária Phylis Gate, em 9 de novembro de 1955. A união forjada durou até 1958, quando Phylllis pediu o divórcio alegando “incompatibilidade de gênios” e saiu com 1 milhão de dólares na conta bancária, além da honra de ter sido casada com o “homem ideal” sonhado por milhões de fãs em todo o planeta. Logo em seguida, o produtor Ross Hunter teve a brilhante idéia de reunir Rock e Doris Day em três comédias maliciosas de grande sucesso: Confidências à Meia Noite (1959), Volta Meu Amor (1961) e Não Me Mandem Flores (1964). Ainda foi galã de Gina Lollobrigida, Claudia Cardinale, Leslie Caron, Julie Andrews e Liz Taylor (em A Maldição do Espelho, 1980, por exemplo)

Aos poucos, a fórmula se gastou e Rock percebeu que o cinema não tinha mais lugar para ele. “Não posso interpretar perdedores”, comentou. “Não me pareço com um”. Aderiu à TV e fez os seriados O Casal McMillan (71/75), com Suzan St. James, um grande sucesso, e Operação Devlin (1982). A essa época, sofreu um enfarte e recebeu cinco pontes de safena. Sua última aparição foi no seriado Dinastia (1985).

Neste vídeo em homenagem a Rock, a voz é dele.

Nunca esqueci o ótimo filme “Estação Polar Zebra”, de 1968, no qual Rock interpreta um agente americano que desvenda crimes e se passa quase todo dentro de um submarino. Ninguém, nenhum fã do mundo desconfiava que Rock Hudson fosse homossexual. Acho que hoje em dia isto seria apenas um detalhe, mas na época provavelmente decretaria o fim da carreira de qualquer galã de cinema.

15/05/2012 Posted by | Uncategorized | , | 4 Comentários