SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Harry James – faro infalível para vocalistas.

Foi Harry quem descobriu Frank Sinatra em 1939, levou-o para sua orquestra e lhe deu seu primeiro sucesso, “All or nothing at all”. Mas não pôde segurá-lo por muito tempo, porque sua orquestra estava apenas começando e era pobre. Menos de um ano depois, Sinatra se mudou para a milionária orquestra de Tommy Dorsey.

Mas Harry não se apertou: descobriu Dick Haymes e lhe deu também seu primeiro sucesso, I’ll get by”. Seu faro para vocalistas era infalível.

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31/07/2012 Posted by | Uncategorized | , , , , | Deixe um comentário

A canção “I’ve Heard That Song Before” completa 70 anos…

Letra de Sammy Cahn e arranjos de Jule Styne. Esta é a interpretação que o diretor Woody Allen pôs em seu inesquecível filme “Hannah e Suas Irmãs”. Harry James, acompanhado de sua orquestra ( com a belíssima voz de Helen Forrest), gravou esta canção no dia 13 de julho de 1942.

A questão dos setenta anos é apenas simbólica. Na verdade, esta canção é imortal.

14/06/2012 Posted by | Uncategorized | , , | 3 Comentários

“Stardust” – Frank Sinatra, Tommy Dorsey e Orquestra…

Após vários anos da traumática dissolução, quando Frank resolveu partir em carreira solo e largou a Orquestra de Tommy Dorsey, o cantor fez uma tocante homenagem neste belo álbum com canções daquela época…uma forma que o Sinatra encontrou para agradecer o gênio Tommy Dorsey…

10/04/2012 Posted by | Uncategorized | , | 4 Comentários

Glenn Miller – Carreira curta e gloriosa, morte trágica e nunca esclarecida…

De todas as mais populares e magníficas orquestras que já existiram, a que evoca mais memórias de como tudo foi romântico, de uma época que não existe mais, e cuja música ninguém esquece, é a orquestra de Glenn Miller.

Glenn Miller, apesar de sua aparência de professor austero, era um homem de grande sensibilidade humana e artística, e grande imaginação. Quando agia como empresário tomava decisões com facilidade e sempre de maneira racional. O defeito? Era teimoso. Mas era justo. Tinha gosto e desgostos intensos, embora não vacilasse em admitir quando estava errado.

Antes de ter uma orquestra de jazz, Glenn saiu-se muito bem como trombonista. Em 1937 decidiu-se, finalmente, a começar sua própria orquestra. Nos dois primeiros anos apenas sobreviveu, mas na primavera de 1939, a nova orquestra, sua segunda e última, formada em março de 1938, de repente, pegou. Daí em diante, até setembro de 1942, quando ele a dissolveu para aceitar uma comissão na Força Aérea do Exército, a orquestra Miller permaneceu, de longe, a mais popular de todas as orquestras de dança do país. A carreira inteira da orquestra Glenn Miller durou apenas oito anos. Os seis últimos foram gloriosos – os dois primeiros, horríveis…

Glenn, como tantos outros, estava a caminho da guerra. Mas o bandleader não tinha obrigação de ir. Passara da idade de ser convocado. Insistiu em ir. Estava repleto de espírito patriótico e o disse numa declaração pública: “Eu, como todo americano, tenho um dever a cumprir. Esse dever é dar o maior apoio que me seja possível para vencer a guerra. Para mim, não é suficiente ficar sentado e comprar bônus de guerra. O simples fato de eu ter tido o privilégio de exercitar os direitos de viver e trabalhar como um homem livre, coloca-me na mesma posição de cada homem em uniforme, pois foi a liberdade e o modo democrático de vida que temos que tornaram-me possível dar passos na direção certa.”

Sobre o misterioso e trágico desaparecimento…

Na noite de 15 de dezembro de 1942 ele partiu em um pequeno avião, sobre o Cana da Mancha para cuidar dos detalhes da chegada de sua orquestra em Paris, alguns dias mais tarde. O avião levantou vôo. Nem ele ou algum dos outros dois ocupantes foram vistos ou ouvidos novamente.

O destino exato de Glenn Miller e do avião permanecerá, indubitavelmente, desconhecido. Há, até a possibilidade de que ele tenha sido abatido não pelo inimigo, mas pela própria artilharia antiaérea norte-americana. Os três homens partiram informalmente, num vôo que não estava controlado, sem autorização, e as condições de tempo eram tão ruins que nenhum dos transportes da AAF (Força Aérea do Exército) estava voando. Agora, a pergunta que até hoje não obtivemos resposta: Por que razão, Glenn, que tinha verdadeiro medo de voar, decidiu arriscar-se numa viagem sob condições tão adversas?

Glenn sabia que possuía um imenso talento, portanto tinha enorme confiança em si mesmo. Costumava dizer que “se você não puder dirigir uma orquestra como tem que ser, então, você não deve ter uma.”

11/03/2012 Posted by | Uncategorized | | 1 Comentário

O lendário Count Basie e orquestra.

Por mais de trinta anos, o grupo de Basie, sem mudar radicalmente o seu estilo, permaneceu uma das melhores, maiores e mais admiradas orquestras. O estilo era amplo, robusto, os sons dos integrantes eram sempre quentes, espaçados com numerosos solos magníficos e contavam com o leve e envolvente piano de seu líder.

O interessante é que os seus músicos sempre receberam mais liberdade, em geral, do que quaisquer outros, em qualquer orquestra. Mas, se qualquer deles saísse dos limites, Basie o puxava para dentro, com firmeza, tirando as dúvidas de “quem era o boss“. Por fim, se o integrante continuasse fora da linha o líder simplesmente o deixava ir, sem stress.

Na verdade, Basie sempre fora considerado um bom líder. Escolhia seus músicos com extremo cuidado e pela maturidade emocional de cada integrante, dando, logicamente, a mesma importância à habilidade musical. Sempre os tratara com respeito e dignidade. No fundo, Basie era um homem gentil e humano, cheio de humor e extremamente tranquilo.

Um detalhe: Só para ter uma pequena noção do altíssimo nível da orquestra do grande Count Basie, entre os músicos que a integravam havia um saxofonista que também se transformou em lenda: Chamava-se Lester Young.

23/10/2011 Posted by | Uncategorized | | 9 Comentários

Uma escola chamada Big Band.

Não há como calcular a importância dos vocalistas para as grandes orquestras, mas acho que eles lucraram bem mais do que as próprias big bands – não em forma de dinheiro, mas em disciplina, técnicas vocais e presença de palco. Porém, para se destacar entre tantos não era fácil. Imagine o caminho árduo para um crooner chegar a titular de uma famosa big band naquela época. Costumo compará-los aos milhares de jogadores de futebol que passam por uma peneira de um grande clube brasileiro – a dificuldade para cantores e músicos eram imensas.
 
 
Tommy Dorsey – Controle de respiração copiado por Sinatra.
 
Mais difícil ainda era uma cantora se destacar naquele meio. Doris Day, uma das mais respeitadas cantoras de orquestras contou o seguinte: Não era fácil para uma garota entre um monte de rapazes. Não tinha nada choros à noite e nem de chamar por mamãe, correndo para casa. Consequentemente, você se tornava uma pessoa forte. Você tinha que se disciplinar, musicalmente e de todas as outras maneiras. Ser uma cantora de orquestra lhe ensinava não só a trabalhar defronte do público, mas também a lidar com ele.

 

Doris day – aluna aplicada que soube tirar proveito da “escola” chamada big band.
 
Os que conseguiram tiveram um retorno em técnicas que utilizaram pelo resto da vida quando se apresentavam em shows. Frank Sinatra comentava com frequencia o quanto ele havia aprendido, simplesmente por sentar-se no mesmo tablado com Tommy Dorsey e por observá-lo respirar e tocar seu trombone. Por causa daquele controle de respiração, disse Frank, “Tommy podia fazer tudo parecer tão musical que você nunca perdia o fio da mensagem”. Impressionado com as proezas físicas de Tommy, Frank passou a fazer exercícios para desenvolver seu físico, inclusive uma série de sessões de mergulhos, na esperança de que ele também pudesse respirar tão naturalmente como seu líder.
 
  O Frankie soltando a voz…
 
Outra cantora de orquestra foi Peggy Lee. “Cantar com uma orquestra nos ensinou”, disse Peggy, “a importância do entrosamento recíproco dos músicos com os cantores. mesmo que a interpretação de uma canção em particular não fosse exatamente o que a gente queria, tinha-se que trabalhar, intimamente, com o arranjo, e procurar fazer o melhor possível. Direi isto: aprendi mais a respeito de música com os homens com os quais trabalhei nas orquetras em que estive do que emqualquer outro lugar. Eles me ensinaram disciplina, o valor do ensaio e como praticar.”
 
 Tommy Dorsey – Os humildes e inteligentes aprenderam com a sua técnica formidável.
 
 Jo Sttaford é outra crooner que merece um destaque especial. Bela mulher, ótima voz e ténica apuradíssima, cantora titular da orquestra de Tommy Dorsey, líder do conjunto The Pied Pipers, dividia os vocais com Frank Sinatra – imagine toda essa gente junta… 
 
Jo Sttaford soltando a belíssima voz.

 

28/08/2010 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

Harry James – o bandleader e trompetista possuía uma técnica ilimitada.

A discografia de Harry James é uma das mais extensas de todas as orquestras de swing. É preciso uma pesquisa muito meticulosa para que se tenha, efetivamente, sua discografia completa.

Harry devotou a maior parte de sua carreira ao jazz. Possuia uma técnica impressionante, era um grande improvisador e um baladista sensacional. O criativo músico estendeu sua música em duas direções: Uma, como solista virtuoso e com uma técnica ilimitada. A outra, como um baladista de canção popular (os críticos dizem que, às vezes, levava o estilo melódico de Armstrong ao seu extremo comercial).

Os vocalistas da orquestra de Harry James estavam entre os melhores do mercado: Frank Sinatra e Dick Haymes, entre os homens. Connie Haynes e Helen Forrest entre as mulheres.

Mas o grande trompetista não se interessava apenas por música. Teve uma vida pessoal agitada, foi casado com Betty Grable, a desejada estrela de Hollywood, era um contumaz apostador de corrida de cavalos e adorava uma birita. Quando estava casado com Betty Grable parecia desinteressado em sua música – a beleza da atriz justifica plenamente a atitude do grande músico.

Devido a um câncer, Harry James faleceu em Las Vegas no dia 4 de julho de 1983, aos 67 anos.

Helen Forrest e Harry James – O que Harry fez, certamente, foi construir arranjos em torno de seu instrumento e a voz de Helen, estabelecendo um clima de encantamento.

15/08/2010 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

Tommy Dorsey – “O Cavalheiro Sentimental do Swing”.

Tommy Dorsey possuía uma mente afiada, uma língua ácida e um orgulho imenso. Tinha absoluta confiança em si mesmo. Na verdade, muitas vezes ele acertava.

 A influência de Dorsey sobre o jovem Frank Sinatra é notória. Na metade dos anos 40, Frank explicou numa entrevista para a Revista Metronome sobre a influência do Cavalheiro Sentimental do Swing em sua vida profissional:

 Há um sujeito que foi uma verdadeira educação para mim. Em todos os possíveis sentidos da palavra. Aprendi a respeito da dinâmica. Frase. Estilo. Com o modo como ele tocava seu instrumento. E eu apreciava o meu trabalho porque ele se preocupava em que o cantor tivesse o acompanhamento perfeito. – Frank Sinatra

 

Dorsey era considerado e respeitado por todos os cantores, além disso, ocupar o posto de crooner de Tommy Dorsey era um dos lugares mais disputados na Era das Grandes Orquestras.

 

Acredito que parte fundamental do sucesso fenomenal do Sinatra foi o controle da respiração, o que aprendeu com Tommy Dorsey. Basta ouvirmos Tommy Dorsey para observarmos a respiração perfeita – uma qualidade que Frank possuía e a explorou de maneira genial.

02/03/2010 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

As Big Bands foram faculdades para os grandes cantores do Século 20.

Os vocalistas tinham uma importância fundamental para as grandes orquestras. Alguns eram terríveis, outros eram medíocres, alguns eram geniais.

 Quando as grandes orquestras começaram a se apagar, na metade dos anos quarenta, foram seus antigos vocalistas – especialmente os mais talentosos e mais inteligentes – que surgiram como os grandes astros.

 Nos anos imediatamente seguintes à era das grandes orquestras, que precedeu a do rock (aproximadamente de 1947 até 1953), quase todo cantor famoso de música popular americana, com exceção de Nat King Cole, Dinah Shore, Kate Smith e Johnny Hartman, tinha saído de uma grande orquestra.

A lista dos graduados é bem expressiva.

 Dos homens posso citar Frank Sinatra, Perry Como, Dick Haymes, Billy Eckstine, Vaughn Monroe e Joe Williams, entre outros.

No grupo das cantoras que se destacaram após o fim das grandes orquestras estavam Peggy Lee, Doris Day, Ella Fitzgerald, Billie Holiday, Jo Stafford, Sarah Vaughan, Betty Hutton, Anita O’Day, June Christy, Connie Haines, Lena Horne e Kay Starr. 

A histeria que recebia um vocalista, durante os anos quarenta, rivalizava-se com os grupos vocais dos anos sessenta. O escritor George T. Simon em seu livro “As Grandes Orquestras de Jazz” (Ed. Ícone, 1992) disse que “multidões os aguardavam na porta de saída dos teatros”. 

tommy dorsey e sinatra

Orquestra de Tommy Dorsey (O jovem Sinatra está na fila de cima à direita)

O aprendizado adquirido pelos vocalistas nas grandes orquestras era imenso, mas não tinham uma vida fácil. Muitas vezes as canções eram entregues em cima da hora, não dava tempo a treinos prolongados, havia pianistas desafinados, dançarinos que roubavam a cena e muitas, muitas noites mal-dormidas dentro de aviões, carros e ônibus desconfortáveis que cruzavam os Estados Unidos.

 A competição era imensa, se você fosse um cantor que caísse na graça do dono da orquestra, tudo bem, se não, mesmo com uma bela voz sua carreira podia durar pouco. Não era uma vida fácil – para vencer tinha que ter talento, carisma, inteligência e um detalhe chamado sorte.

A talentosa e explosiva Anita O’Day foi uma das cantoras que seguiu com sucesso após o fim das grandes orquestras. 

08/11/2009 Posted by | Uncategorized | | 4 Comentários