SÁVIO SOARES

Cinema e música.

“Only The Lonely” – Frank Sinatra

 

Frank Sinatra Sings for Only The Lonely (Capitol, 1958)

 

 

Não, este não é o melhor disco de fossa da década de 50. Trata-se, simplesmente, do melhor álbum de canções para amantes solitários, amores perdidos e boêmios do século 20. Na capa do disco o cantor está com uma lágrima escorrendo pelo rosto pintado de palhaço. Curiosamente, o único prêmio (Grammy) que ganhou foi pela capa do disco. No verso do álbum encontramos uma gravura bem ao estilo Edward Hopper: Um homem urbano comum, solitário num banco de praça, bem próximo a um lampião estilo anos 50.

 A seleção musical é um caso à parte – o clima de fim de noite, de melancolia e de tristeza é imediatamente estabelecido pela música de abertura (Only The Lonely) e segue com Angel Eyes, Whats New (fenomenal!), Guess I’ll Hang My Tears Out To Dry e One For My Baby, entre outras, interpretadas por um Sinatra extremamente comovente.

 Os arranjos e a condução da orquestra foram de Nelson Riddle, formando com Frank Sinatra uma das parcerias mais certeiras da história da música popular norte-americana. Entre os meus amigos sinatrófilos há uma disputa quente em comparação ao também fabuloso álbum conceitual In The Wee Small Hours Of The Morning de 1955, mas, para mim, o disco Only The Lonely é insuperável, ganha por una cabeza.

21/11/2009 Posted by | Uncategorized | , , | 4 Comentários

Edward Hopper e Frank Sinatra – Tudo a ver.

Nada é mais Hopper na canção do que Sinatra – Nada é mais Sinatra na pintura do que Hopper. Edward Hopper retratou a solidão do povo comum da América de maneira especial e Frank Sinatra com os seus discos conceituais de fossa, principalmente no período da gravadora Capitol, também o fez de forma exemplar.

Hopper retratou o cidadão comum e a solidão em seus quadros com perfeição. Nas gravações dos seus discos conceituais Sinatra encarnava perfeitamente o solitário das noites, tomando seus drinques, sofrendo pela mulher amada, o que o tornava um cidadão comum, igual a tantas pessoas (Por tal razão, mesmo quando foi chutado pela Deusa Ava Gardner continuou respeitado pelo seu público).

Período de Frank na gravadora Capitol. The Voice solitário entre casais apaixonados.

young lovers

 No Brasil tivemos seguidores de primeiro time, o boêmio Nelson Gonçalves se enquadra perfeitamente nos dois estilos –  Hopperiano e  Sinatriano.

Disco de Nelson Gonçalves, também solitário enquanto um casal caminha apaixonado.

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 Quadro de Edward Hopper – A solidão urbana e o cidadão comum estão presentes em sua obra.

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 Há evidentes afinidades entre Hopper e as capas dos discos de Sinatra: O homem comum fascinado pela solidão. O oposto do próprio Sinatra que, por ser filho único, adorava uma mesa rodeada de amigos – mafiosos ou não.

Uma bela homenagem aos três: Edward Hopper, Frank Sinatra e Nelson Gonçalves. As canções, bem adequadas aos quadros de Edward Hopper, são “One For My Baby” de Johnny Mercer e Harold Harlen e “Hoje quem paga sou eu”, composição de Herivelton Martins e David Nasser.

16/08/2009 Posted by | Uncategorized | , , | 19 Comentários