SÁVIO SOARES

Cinema e música.

John Ford, a ação e o drama muitas vezes estão separados por segundos…

Cena do clássico “Rastros de Ódio” (The Searchers, 1956), no final, a perseguição e o desenlace emocionante e surpreendente…

John Wayne e a jovem e bela Natallie Wood.

22/07/2012 Posted by | Uncategorized | , , | Deixe um comentário

Nos filmes de cowboy o cavalo interpreta melhor do que muitos atores.

Há muita gente que se impressiona, nos filmes de faroeste, com as quedas espetaculares dos cavalos e dos cavaleiros. Fico imaginando o sofrimento daquele cavalo que, após a queda espetacular, seja executado. Para minha surpresa, no livro “Câmera, Ação”, de J. Pereira, os cavalos jamais se ferem naquelas quedas, o que não ocorre com os “bandidos” e “indios”, que, não raro, apesar de treinados nas quedas, se ferem – e seriamente.

É que os cavalos, como os cavaleiros, têm, também, a sua escola dramática, como de resto todos os animais que atuam em Hollywood. É uma imposição da Sociedade Protetora dos Animais.

Interessante é que a entidade que protege os animais, controla até o número de quedas que ao animal é permitido dar durante as filmagens, ainda que essas quedas sejam bem ensaiadas e não machuquem, de forma alguma, o animal. Pelo que li, os animais aprendem, não apenas demonstrar habilidades, mas, principalmente, emoções, superando em dramaticidade muitos atores medíocres.

05/10/2011 Posted by | Uncategorized | | 2 Comentários

Wyatt Earp, Jesse James e Billy The Kid – Heróis do faroeste desmistificados.

O escritor e cinéfilo J. Pereira, no livro “Câmera, Ação” (Edimax), nos conta que alguns heróis dos filmes do faroeste não eram nada parecidos com os que são retratados no cinema e nos seriados. “Alguns pesquisadores norte-americanos andaram estudando longamente a ‘vida real’ dos antigos heróis do Oeste. E obtiveram alguns fatos pertubadores”, disse o escritor.

O real Wyatt Earp e o “bigode guidão de bicicleta”.

kevin Costner – Wyatt Earp no cinema com bigode aparado.

O caso clássico é de Wyatt Earp, o chamado “domador de Dodge City”. Na verdade, não tinha a menor semelhança com os atores que o interpretaram em filmes e seriados de TV. Tinha os olhos pequenos e próximos e usava uns bigodes de pareciam um “guidão de bicicleta”. Mas essa aparência nada romântica de Wyatt Earp é a última das desilusões a respeito desse herói do Oeste. Alguns esclarecimentos:

Wyatt Earp era um grande jogador profissional? Que nada! Foi descrito por um contemporâneo como “um dos mais desonestos parceiros que jamais ocupou uma mesa de jogo”.

Era um rápido homem no gatilho? Balela! É sem dúvida verdadeiro que ele e seus ajudantes mataram três membros da quadrilha de Clanton. Mas de acordo com testemunhas visuais, os três já estavam com os braços erguidos, quando foram mortos.

Era um galanteador? A lenda de “conduta honrosa perante as mulheres” cai por terra, também, quando se considera o que aconteceu com a “esposa” de Earp, Mattie Blayloc – provavelmente ele nunca se casou com ela. “Nosso herói” simplesmente a deixou um dia no meio da estrada, dizendo-lhe apenas um “até logo, meu bem” – ou talvez nem isso. Alguns anos mais tarde ela se suicidou, depois de ter vivido como prostituta num campo de minas no Arizona.

O verdadeiro Jesse James

Brad Pitt – Um “Jesse James” no cinema.

O famoso Jesse James, chamado o “Robin Hood” dos “fora da lei”, jamais deu um só centavo a alguém. Assaltou 11 bancos, alguns trens e matou dezesseis pessoas, duas das quais eram funcionários bancários desarmados.

No seu enterro (ele foi morto pelas costas por um companheiro quadrilha). Sua mãe cantou: “Que amigo temos em Jesus” e viveu depois do produto da venda de lembrancinhas de seu filho bandido a turistas.

Billy the Kid – Um delinquente juvenil.

Emilio Estevez – O “Billy the Kid” das telas.

Já Billy the Kid era um jovem de ombros estreitos, psicopata, de dentes arruinados, que matou cerca de 20 pessoas durante sua breve carreira. Mas não matava suas vítimas em desafios no meio da rua, frente à frente, numa competição de quem puxa mais rápido o gatilho. A maioria morreu vítima de suas ciladas e tocaias.

Billy morreu quando o implacável xerife Pat Garret perseguiu o delinquente juvenil através de vários estados, matando-o numa noite de luar no Fort Summer, Nôvo México.

A deformação é tão grande que Billy the Kid tem aparecido em filmes de cinema e de televisão na qualidade de xerife!

06/07/2011 Posted by | Uncategorized | , | 14 Comentários

Rin Tin Tin – A história do cão mais famoso de Hollywood – Além de morder os atores gerava uma inveja danada.

Rin Tin Tin, pastor alemão de origem, francês de nascimento e americano por adoção, foi o mais famoso astro canino da tela – foi também o esteio da Warner nos primeiros tempos difíceis da companhia.

 

Porém, curiosamente, descobri no ótimo livro do jornalista J. Pereira, “Câmera, Ação!” (Editora Edimax) que Rin Tin Tin não era muito estimado pelos atores, pois além de ser extremamente carismático para o grande público (infantil ou mesmo adulto), roubava as cenas nas quais aparecia e costumava também morder seus “colegas”.

 

Cabo Lee Ducan – o verdadeiro dono de Rin Tin Tin, no canto à esquerda.

A história do primeiro (o patriarca) Rin Tin Tin é bem interessante:

 Tudo começou em 1918. A guerra assolava as terras da Europa. Na França, um grupo de soldados, chefiados pelo Capitão George, vasculhou o local para conseguir pouso para os aviões. Durante uma incessante procura, os soldados americanos encontraram um canil militar dos alemães todo destroçado pelo bombardeio. Em volta de uma vala depararam com vários cães mortos, e dentro dela, ganindo desesperadamente, encontraram uma cadela pastora alemã, esquálida e enfraquecida pela fome, com cinco cachorrinhos agarrados às mamas.

 O Capitão ficou com a mãe e três filhotes e o Cabo Lee Ducan, com os outros dois, um macho e uma fêmea, aos quais chamou de Rin Tin Tin e Nanette, nomes tirados das roupas de lã feitas para os soldados franceses por suas namoradas.

 Rin Tin Tin e Nanette deram uma série de dores de cabeça a Lee Ducan – do salário que recebia mandava dois terços para a mãe e o terço restante era gasto com leite condensado (a quatro dólares a lata na época). Muito não viam com bons olhos os cachorros: Reclamavam que latiam bastante à noite e podiam morder e gerar doenças. Mas quando Ducan foi ferido durante um combate aéreo e o internaram num hospital, as brincadeiras dos cães animaram e distraíram enfermeiros e pacientes – neste caso, fora aberto uma exceção, pois não permitiam animais no hospital. Dormiam no depósito de ferramentas.

 Quando chegou o dia de embarcar e retornar aos EUA, Ducan teve sorte: conseguiu colocar os cachorros á bordo. Rin Tin Tin agüentou bem os quinze dias de travessia, mas Nanette apanhou pneumonia e morreu.

 

Após participar de campeonatos e exposições bem sucedidas, Rin Tin Tin fez um filme curto que mostrava a carreira e um salto no qual era mostrado uma prova de salto em altura na qual ganhou o prêmio por atingir a altura de 3,58 metros.  O resto é história: Rin Tin Tin fez parte do imaginário de várias gerações de crianças e adultos que se encantaram com o cão famoso. As saudosas aventuras sempre culminavam com a entrada salvadora do cão no momento exato. 

 

“Rin” viveu quatorze anos – morreu no dia 10 de agosto de 1932, ao fim de uma brincadeira com o dono no gramado, pulou nos braços de Duncan e morreu (a primeira pessoa a vê-lo morto, depois do dono, foi a atriz Jean Harlow, vizinha de Ducan). Jornais do mundo inteiro divulgaram a morte do cão mais famoso de Hollywood. Porém, para a felicidade dos inúmeros fãs, a série não parou com a sua morte. Até a quinta geração o nome Rin Tin Tin permaneceu alegrando as crianças e os adultos. As aventuras findaram em 1934. (Impressionante – eu assistia às séries na década de 70 e jamais esqueci a imagem daquele cão amigo e corajoso!)

Um detalhe: O Cabo Lee Duncan registrou o nome Rin Tin Tin há mais de 60 anos, recebeu até a sua morte os direitos autorais não apenas com o contrato televisivo, mas de revistas em quadrinhos e vários souvenirs que levam o nome mágico Rin Tin Tin. Em 1936, Lee Duncan casou-se com Eva linden e do casal nasceu uma filha, Carolyn, que ainda cuida do legado deixado pelo grato pai.

  

A série do herói canino marcou várias gerações – Apesar de que, hoje em dia, acho que as coisas estão mais para Lessie do que para Rin Tin Tin…

06/07/2010 Posted by | Uncategorized | , , , | 6 Comentários

Um faroeste de primeira classe: “O Homem Que Matou o Facínora” (The Man Who Shot Liberty Valantine, 1962).

Ante “The man who shot Liberty Valance”, até aqueles críticos rebeldes por estudada atitude ou sofisticados por formação não puderam reprimir o espanto.” – Antonio Moniz Viana.

Aos sessenta e sete anos o diretor John Ford manteve o alto nível que lhe era característico. Não se pode dizer que na época do lançamento os fãs foram surpreendidos pelo grande filme feito pelo genial diretor.

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No clássico faroeste há mitos e grandes atores do cinema por todo lado: James Stewart, no papel do advogado que é transformado em herói, John Wayne interpretando o pistoleiro mocinho, Lee Marvin (o bandido Liberty Valance) e a bela atriz Vera Miles que também atuou em Rastros de Ódio.   

Ford trata de temas que se entrelaçam e sobre a criação de heróis através de fatos nunca investigados profundamente. Durante o filme ocorre um equívoco crucial e no final um personagem da trama diz uma frase que se tornou clássica e até hoje é lembrada por todos os admiradores da sétima arte.

 “Quando a lenda se torna fato, publique a lenda.”

26/09/2009 Posted by | Uncategorized | , , | 2 Comentários

O faroeste “Rastros de Ódio” é grande em qualquer gênero.

Para quem torce o rosto para filmes de western, não se trata apenas de um grande faroeste, mas de um grande filme em qualquer gênero. Jay Cocks, ex-crítico da revista Time, considerou Rastros de Ódio (“The Searchers”) O filme mais admirável produzido na América.

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The Searchers foi o primeiro western filmado em Vistavision que era um formato próprio para projeção em tela panorâmica.

 A arte de John Ford está plenamente representada neste Western e a sua performance de diretor atinge o ápice. O escritor Antonio Carlos Gomes de Mattos, autor de “Publique-se a Lenda: A História do Western”(Editora Rocco), disse: Ford se apega ao seu herói, este “homem só”, irremediavelmente perdido e afastado da civilização, do calor do lar e a vida, enigmático e taciturno… John Wayne representa o papel imaginado por Ford com maestria.

Mais um encontro do genial diretor John Ford e do ícone do faroeste John Wayne, no papel do amargo Ethan Edwards, um ex-combatente da Guerra Civil Americana – para muitos o melhor papel de sua carreira.

 Ethan retorna ao rancho da família após três anos de terminada a Guerra Civil e após um massacre dos comanches que destrói toda a família, parte atrás de vingança e de resgatar quem desapareceu: duas sobrinhas raptadas por Chief Scar (Henry Brandon) o líder dos comanches.

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A direção é firme, o elenco é excelente. Personagens complexos, cenas emocionantes e as paisagens exuberantes do Monument Valley, jamais mostradas de forma tão grandiosa.

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Esse replay é dos bons.

06/09/2009 Posted by | Uncategorized | , , , | 9 Comentários