SÁVIO SOARES

Cinema e música.

“Entre a Loura e a Morena” (The Gang’s All Here, 1943) – O melhor filme de Carmen Miranda

A sequência inicial de  Entre a loura e a morena, com cinco minutos de duração e “reconstituindo” a chegada de Carmen a Nova York quatro anos antes, já era um impressionante cartão de visitas – aliás, ainda é. – Ruy Castro, escritor e jornalista.

Este filme é considerado, quase por unanimidade, o melhor filme de Carmen. Para muitos, é também o melhor filme do córeógrafo  e diretor Busby Berkeley. Os minutos iniciais deste belo filme consiste aparentemente de um único take sem cortes durante os três minutos e meio. Nestor Amaral cantando “Aquarela do Brasil” em português é inesquecível…um clássico do cinema musical.

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29/07/2012 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

“Os Amores de Pandora” (Pandora and the Flying Dutchman, 1951)

Sempre em um clima meio onírico, visualmente arrebatador, o filme mistura magia, romance, beleza e dor. Não é a toa que é considerado um dos filmes mais belos do cinema e o momento maior da beleza de Ava Gardner. (Rubens Ewald Filho, crítico de cinema)

Pandora (Ava Gardner) é o objeto de desejo dos homens em um belo porto espanhol. Porém seu coração só é conquistado quando surge um misterioso capitão holandês (o ótimo ator James Mason). Trata-se de uma drama romântico de ótima qualidade e foi um dos poucos filmes dirigidos por Albert Lewin, o homem de confiança do todo-poderoso da Metro  Irving Thauberg.

O filme é baseado em duas lenda: Da mitologia grega, a de Pandora, a mulher que recebe dos deuses uma caixa com todos os males do ser humano e devido a imensa curiosidade, abri-lhe e espalha os males pelo mundo. E a do holândes voador, o navio fantasma que vaga pelos mares com seu capitão amaldiçoado, até que encontre uma beldade disposta a morrer por ele.

Lewin juntou tudo num pacote só: trama romântica e sobrenatural, estrelada por Ava (1922-90) em seu primeiro filme a cores, esplendidamente fotografada em Technicolor pelo grande inglês Jack Cardiff (1914-2009). Foi por causa desse filme que Ava se encantou pela Espanha (tendo caso com o toureiro de verdade, Cabré, que está no filme) e onde moraria durante anos (isso enlouqueceu Sinatra e ajudou a destruir o casamento dos dois)

Uma curiosidade: Lewin chamou seu amigo, o famoso artista e fotógrafo surrealista Man Ray para fazer o retrato de Ava Gardner que fora usado no filme. Abaixo, a famosa estátua de Ava Gardner, quando do filme “Pandora”…em Tossa de Mar, Espanha…

22/07/2012 Posted by | Uncategorized | , , | Deixe um comentário

“Desencanto” (Brief Encounter, 1945)

“Desencanto” me impressiona… como o filme é bonito, como é rigoroso – e como David Lean usa bem a música, o segundo concerto para piano de Rachmaninoff. Triste como é o filme – a história de um casal que vive um breve romance, que nunca é consumado, a partir de seus encontros numa estação de trens.

Os atores principais, Celia Johnson e Trevor Howard, dão uma aula de interpretação. Celia disse a Noel Coward que não queria fazer o papel porque se achava muito velha para viver a personagem. Noel a convenceu de que ela estava errada. Na verdade, Johnson já não era jovem à época, mas continuava muito bonita e absolutamente adequada para o filme.

Trailer do filme

Quando Celia está caminhando durante a noite enfrentando conflitos morais, tentando agir da maneira que supõe ser a correta,  um policial a aborda suspeitando de prostituição – Nesta cena, observa-se uma bela aula de interpretação. Ocorre o triunfo moral no final, mas se isto é bom ou ruim não cabe a mim julgar, mas achei o final espetacular. Na verdade, é um filme desesperadamente triste, com suas visões de uma grande paixão sumindo…sumindo…sumiu…

O concerto para piano n.2 de Rachmaninov tornou-se famoso quando foi usado por David Lean neste filme.

21/07/2012 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

A irresistível Audrey Hepburn em “Sabrina” (1954)…classe e talento acima da média…

“Não era preciso dirigir Audrey Hepburn, bastava dar-lhe uma boa pista“, disse o diretor Billy Wilder de sua protagonista no romântico “Sabrina” (1954).

No filme, Sabrina (Hepburn) volta de Paris vestindo Givenchy, uma idéia da própria Hepburn, ainda que a lendária figurinista Edith Head tenha recebido um Oscar pelo figurino. Numa visita a Paris, Audrey havia encontrado seu estilo nas roupas de Hubert de Givenchy, e os dois tornaram-se amigos para o resto de suas vidas.

Sabrina foi rodado em locações em Glen Clove, Long Island, em Manhattan e na Paramount, em Hollywood, de setembro a novembro de 1953 e foi lançado em outubro de 1954. A abertura com narração “Era uma vez” de Audrey Hepburn, como ela mesma em vez de Sabrina, define o tom de conto de fadas da história. A família Larrabee é apresentada pela narração enquanto posa para um retrato de família. No final do conto de fadas, Sabrina pode ser a senhora da mansão e parte daquele retrato.

Apesar de frio empresário, Linus (Bogart) não resiste a Sabrina (Hepburn) – e quem resistiria?

Entre os que gostavam de Sabrina estava Sidney Sheldon, que classificou-o como um filme absolutamente perfeito”. Sidney Pollack gostava tanto que o refilmou em 1995, com Julia Ormond como Sabrina, Harrison Ford no papel de Linus e Greg Kinnear como David. A refilmagem é agradável, mas perde longe para o original.

29/05/2012 Posted by | Uncategorized | , , , , | Deixe um comentário

“Corações Enamorados” (Young At Heart, 1954)

Neste filme da década de 50, Frank Sinatra solta a voz em Just One Of Those Things, One For My Baby e Young at Heart. As três preciosidades musicais seriam suficientes para torná-lo interessantíssimo. Porém, há algo mais: a presença da talentosa Doris Day. A loura está no auge, com uma voz excepcional e um carisma impressionante.

Sinatra, quando aparece na casa do personagem vivido por Doris Day, representa um solitário, amargurado e deseperançoso e demonstra o máximo de rebeldia da época (período pré-Elvis Presley) com o seu chapéu de lado, cigarro na boca e gravata frouxa. Bons tempos…

Os astros coadjuvantes preenchem com maestria os espaços deixados pela dupla romântica. Atenção para o dueto no final do filme com Frank e Doris arrebentando…uma pérola! Para ver e rever…

26/05/2012 Posted by | Uncategorized | , , | 4 Comentários

A inesquecível dança sensual de William Holden e Kim Novak em “Férias de Amor” (Picnic, 1955)

Acho que dá para saber tudo de um homem depois que se dança com ele”, suspira Madge (Kim Novak) para Hal (William Holden) em “Férias de Amor” (Picnic, 1955), baseado na peça de William Inge. “Alguns rapazes – quando nos tiram para dançar – não conseguem nos deixar à vontade. Mas, com você – eu tinha a sensação de que você sabia exatamente o que eu estava fazendo, e que era só te seguir.”

O interessante dessa cena é que ninguém sabia dançar…mas ninguém se importou nem um pouco. Ao som da linda e lânguida canção “Moonglow”, a tremenda sensualidade da sequência de dança em Picnic continua a ser o principal motivo, entre tantos, pelo qual esse filme não sai da cabeça dos que o viram.

George Duning (músico e compositor, falecido em 2000) usou magistralmente source music nesse filme, quando William Holden e Kim Novak dançam “Moonglow”, tornando-a ainda mais romântica e sensual por contramelodia do próprio Duning. Um esclarecimento: source music é aquela cena em que não só os espectadores, mas também os personagens do filme estão ouvindo.

Trata-se de uma das cenas mais românticas da história do cinema. O casal Bill Holden e Kim Novak, se apaixonando, no auge de sua beleza física.

08/05/2012 Posted by | Uncategorized | , , , | 2 Comentários

“Love Story – Uma História de Amor” (1970)” – Este filme romântico mas extremamente triste marcou o início da década de 70…o produtor Robert Evans disse que “Love Story” foi responsável por uma explosão na quantidade de mulheres grávidas nos Estados Unidos…

Vários aspectos fizeram “Love Story” arrecadar milhões e levar um grande público aos cinemas. Cito três:

1. O tema, casal jovem e bonito com um futuro pela frente se depara com uma tragédia;

2. O carisma  e a química do par central (Ryan O’Neil e Ali MacGraw);

3. Uma canção marcante.

Imagino que este filme não obteria um sucesso estrondoso se não fosse pela tragédia, mas se pensarmos somente por esse ângulo, o que seria do clássico romântico “Casablanca”, no qual Rick (Bogart)  e Ilsa (Ingrid Bergman) seguem caminhos diferentes?  A magia do cinema surpreende a todos…

04/05/2012 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

“Um Dia em Nova York” (On The Town, 1949)

Quando este musical finalmente chegou às telas de cinema, em 1949, não era apenas que a guerra havia findado, ela parecia não ter deixado vestígio. Ao que parece, algum todo- poderoso do cinema tomou uma decisão de que um só golpe anulou toda a profundidade da peça de Leonard Bernstein que estreou na Broadway e que se transformou em filme.  Sem vestígios de uma guerra com a Alemanha, não há razão para se incomodar com a vida dos nossos heróis.

Os marinheiros Gabey (Gene Kelly), Chip (Frank Sinatra) e Ozzie (Jules Munshin) aproveitam a folga para passar um dia inteiro e Nova York e cada um deles já traçou um plano para aproveitar a folga.

A aventura dos três marinheiros começa quando, em um túnel do metrô, Gabey vê a fotografia da bela modelo Ivy Smith ( Abela Vera-Ellen)) e diz ter encontrado a mulher de seus sonhos, arrastando seus amigos na busca de sua paixão. Nesta aventura regada a música e dança, desfilam seus talentos como cantores, atores e dançarinos.

No filme, Sinatra diz de modo brincalhão: “O que faz uma garota dirigindo um táxi? A guerra acabou.” Mal sonha ele que a garota vai levá-lo direto para a alcova dela; Sinatra procura mantê-la à distância, mas não por muito tempo… Este passa a ser o sentido do pós-guerra – amor livre, sem preocupação ou mesmo compromisso.

“On The Town” (escrita por Leonard Bernstein e letra de Betty Comden e Adolph Green), um clássico em homenagem à Cidade Que Nunca Dorme…

27/04/2012 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

“A Malvada” (All about Eve, 1950), filmes de Hollywood e novelas tupiniquins não se cansam de copiá-lo…

Diálogos extraordinários, personagens instigantes, direção inteligente e uma pontinha de Marilyn Monroe: tudo é perfeito neste clássico dirigido por Joseph L. Mankiewicz. A ambiciosa aspirante a atriz Eve Harrington (Anne Baxter) se aproxima da grande e temperamental estrela do teatro Margo Channing (Bette Davis) numa tentativa de ocupar seu lugar na Broadway, manipulando sua vida e a de seus amigos mais próximos. Todos acham que Eve é apenas uma humilde e ingênua fã de Margo, a não ser o cínico crítico Addison DeWitt (George Sanders). Um filme obrigatório, para ver e rever.

A interpretação de Bette Davis ainda impressiona. Copiada por muitas atrizes, esta entrevista demonstra a postura que uma atriz deve ter quanto ao seu personagem…

22/04/2012 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

“Nascido Para Matar” (Born To Kill, 1947)

O filme parece sugerir que a falta de dinheiro transforma um indivíduo normal em uma máquina de ganância, diposto a tudo para obtê-lo. A compunção de Sam, a fraqueza de Helen, a corrupção fácil de Arnett: tudo são sinais de baixo caráter e falta de moralidade – um núcleo podre que está vinculado à sua falta de riqueza.

O trabalho de Robert Wise em noir foi, sem dúvida, forjado por suas associações frutíferas com Val Lewton e Orson Welles, com quem desenvolveu a marca visual nos anos 1940 – o belo expressionismo gótico. “Nascido para Matar” é um melodrama brutal com uma base sexual fortemente presente, e um nível de amoralidade singular no ciclo noir.

Lawrence Tierney interpreta um dos personagens mais hediondos de todo o cinema, um exemplo de definição de um sociopata. O desempenho extraordinário do filme, porém, é de Claire Trevor – seu melhor desempenho no cinema (apesar de sua fama em Key Largo). Neste belo clássico noir, a psique humana é explorada com uma ferocidade implacável, mostrando o pior que um ser humano pode expor.

26/02/2012 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário