SÁVIO SOARES

Cinema e música.

“Apesar dos meus pensamentos de morte, o passeio é a vida.” – Anthony Quinn em sua autobiografia “Tango Solo”

“Não venham me dizer que o propósito da vida não é a vida. Nem que estamos aqui para ponderar sobre o mistério da criação. Aconteceu e acontecerá, mas só me interesso pelo parênteses. É só o que posso controlar e para isso peciso sobreviver, ir em frente. Quero ouvir as vozes dos meus filhos, ver o sorriso saciado no rosto da minha mulher. Quero tudo – as dores e os medos também -, porque tudo isso significa estar vivo.”

O grande ator mexicano Anthony Quinn em sua autobiografia “Tango Solo”, na qual narra todo o seu sofrimento decorrente de uma família extremamente pobre e os fantasmas da infância, as amizades, os amores, as reflexões de uma rica vida e o sucesso em Hollywood. Sem dúvida, um ótimo livro.

03/07/2012 Posted by | Uncategorized | , | 3 Comentários

Nina Simone em livro…

Uma das grandes divas do jazz é retratada David Brun-Lambert em uma biografia. Nina Simone teve uma vida turbulenta (o que não é novidade no meio do jazz…)

O início de sua existência na Carolina do Norte até a sua morte no sul da França em 2003, nada escapa nesta ótima biografia sobre uma das divas do jazz.

Uma curiosidade: A pianista e cantora, cujo nome verdadeiro era Eunice Waymon, se tonou Nina por causa de um apelido pelo qual era chamada por um namorado latino, “Niña”, e Simone como homenagem a Simone Signoret, atriz francesa.

18/06/2012 Posted by | Uncategorized | , , | Deixe um comentário

Luiz Gonzaga – “O Sanfoneiro do Riacho da Brígida”, livro do escritor paraibano Sinval Sá. Chegou o momento de reeditar este belo e tocante livro sobre o “Rei do Baião”.

Não é fácil vencer preconceito de décadas, mas às vezes o tempo se encarrega disso. Os fãs, predominantemente nordestinos, não estavam preocupados com os ditos críticos de música. Não era apenas para matar saudade da terra  distante, Luiz Gonzaga era a voz que acalentava toda tristeza do retirante nordestino.

Passar a admirar Luiz Gonzaga não significa apenas recordar o longínquo Nordeste e familiares, mas constatar um talento, uma genialidade que ultrapassa qualquer classe, região ou mesmo estilo musical.

O escritor Sinval Sá, com mais de 90 anos, autor do ótimo livro “O Sanfoneiro do Riacho da Brígida” fez um trabalho maravilhoso narrando “causos” do “mestre Lua”, durante toda a sua trajetória, além disso, no referido livro encontramos letras de vários sucessos que estão na boca do povo e até hoje são lembrados e regravados por cantores da nova geração.

Sinval Sá é paraibano de Conceição do Piancó e atualmente reside em Brasília. Para minha tristeza, conforme informações do amigo Antonio Raimundo Mapurunga, o escritor luta para conseguir apoio de patrocinadores no intuito de relançar este fabuloso livro sobre “O Rei do Baião”. Não há momento mais oportuno do que este, no centenário de Luiz Gonzaga. Torcemos que obtenha sucesso.

Trechos do programa Proposta com Luiz Gonzaga e participação de Gonzaguinha no quadro Arquivo do Radiola na TV Cultura.

14/06/2012 Posted by | Uncategorized | , | 3 Comentários

Titanic – Os momentos finais…trecho do livro “Titanic – A História Completa” (2011) de Philippe Masson. Impressionantes relatos de sobreviventes…

Em 15 de abril de 1912, o Titanic da White Star, o maior e mais luxuoso transatlântico do mundo, desaparecia nas águas do Atlântico, durante a travessia inaugural, depois de se chocar com um icerberg. O Titanic é muito mais do que uma tragédia no mar. A noite de 15 de abril de 1912 passou a ser uma lenda, um mito, que ainda provoca extraordinária repercussão. Eis um trecho do ótimo livro do historiador especializado na Marinha, Philippe Masson:

Com a partida das últimas embarcações, uma calma estranha, sobrenatural, reina a bordo. Centenas de passageiros ligados, a partir de então, ao destino do navio demonstram um desprendimento surpreendente. Sem gritos, sem pânicos. A orquestra continua a tocar, a bombordo, ao lado da segunda chaminé, diante da escadaria… ragtimes, a melodia “Outono”.

 …O casco agora está na vertical. Ergue-se como um menir (bloco de pedras) que se desenha à perfeição sobre um céu coalhado de milhares de estrelas. Alguns não podem suportar o espetáculo. Desviam o olhar ou escondem o rosto com as mãos. Após alguns minutos intermináveis, o Titanic afunda e desaparece nas profundezas. Sem turbilhão, sem nenhum movimento de sucção. São 2h20.

Assim que o navio desapareceu, um imenso clamor se fez ouvir, o que assombrará durante anos as noites dos sobreviventes. São os gritos de sofrimento, de aflição, de centenas de passageiros jogados brutalmente no mar, mergulhados numa água glacial, no limite do congelamento. “Socorro, ajuda, meu Deus”. Durante mais de uma hora, diminuindo aos poucos de intensidade, esses gritos dilacerantes vão se fazer ouvir.

O livro impressiona pela narrativa de cinema, com fotos reais e depoimentos de sobreviventes, apenas 15 náufragos são recolhidos pelas 18 embarcações que cercam o local da catástrofe. Trata-se de homens extremamente fortes que tiveram força para nadar 200 ou 300 metros nas águas geladas do Atlântico Norte. Na verdade, este livro esclarece bem mais sobre o naufrágio do Titanic do que o filme açucarado de James Cameron…

29/04/2012 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

“1001 Noites no Cinema” – Pauline Kael.

Infelizmente este livro está fora de catálogo, mas você pode ainda pode adquirí-lo através de alguns sites da Internet ou sebos de algumas cidades. É essencial aos admiradores da Sétima Arte.

 Trata-se de uma obra-prima. O livro reúne resenhas escritas por Pauline Kael ao longo de três décadas, período em que ela garantiu sua posição de crítica cinematográfica mais respeitada dos Estados Unidos.

06/01/2012 Posted by | Uncategorized | | 5 Comentários

O livro “A Bossa do Lobo”de Denilson Monteiro.

Comecei a ler ontem e terminei hoje o livro sobre Ronaldo Bôscoli, um dos maiores representantes da nossa melhor música, a Bossa Nova. Denilson Monteiro, o autor, já havia escrito uma ótima biografia sobre Carlos Imperial. Novamente acertou em cheio. Denilson também está preparando um documentário sobre o biografado com a ajuda do filho deste , Bernardo Bôscoli.

Namorou beldades de todas as épocas e era capaz de ternuras e de grosserias incomensuráveis. Ronaldo Bôscoli podia perder o amigo, mas jamais perdia a piada. O humor negro também era o seu forte. Dizem que pichava todo mundo. Nos bares todos tinham medo de sair antes do “Lobo”. Um dos desafetos do Bôscoli foi Marlene Mattos a ex-poderosa produtora da Xuxa, que proibiu uma biografia feita pelo Ronaldo sobre a loura. No livro, sobre o tema:

Certa ocasião, quando se comentava sobre um longa-metragem sobre a vida da Xuxa, com a morena Patrícia França cogitada para interpretar Marlene Mattos, Bôscoli publicou que seria mais conveniente contratarem o goleiro Higuita da seleção da Colômbia para o papel…

24/12/2011 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

José Carlos Oliveira – o Carlinhos Oliveira.

“Sou Carlinhos Oliveira, o bem-amado,o mulherengo, o espirituoso, o imprevisível.” – Na crônica “A Volta de Carlinhos Oliveira.”

Só Carlinhos Oliveira escrevia como Carlinhos Oliveira. Não era do cinema nem da música, mas convivia e era amigo dos maiores da sua época. Com Vinicius e Tom viveu histórias no lendário Bar do Antonio’s. Personagem ímpar de uma festiva Ipanema das décadas de 60 e 70. Cronista e romancista. Diariamente escreveu num Jornal carioca, de 1961 a 1983, e nos quatro romances que fez poucos felizardos leram, pois as tiragens não obtiveram o retorno financeiro desejado pelas editoras.

Uma crônica que destaco foi a que escreveu no dia 29 de outubro de 1966 para a Revista Manchete – atual até os dias de hoje. Está no livro “O Homem Na Varanda do Antonio’s” (Ed. Civilização Brasileira, 2004)

 Receita de Viver

 Para viver bem é preciso chegar aos 30 anos com a satisfação de se ter permitido todas as loucuras imagináveis na juventude. E só freqüentar os amigos que suportam os nossos defeitos.

Recomenda-se também uma boa gargalhada, à sós, no momento de se erguer da cama: “Quanta bobagem tenho feito neste mundo! Quá, quá, quá!” A serenidade imperturbável conduz ao fanatismo, e este dá câncer.

 Nenhuma preocupação burguesa ou pequeno-burguesa, como por exemplo o medo de perder o emprego ou os bens; nenhuma ambição material, fora as indispensáveis (casa, comida, roupa lavada), ou então que seja gratuita: juntar dinheiro para algum dia comprar um iate ou passar dois anos zanzando pela Europa.

 Nunca ferir uma mulher a ponto de fazer-se odiado por ela. O homem inteligente é o que sabe transformar antigos amores em sólidas amizades.

 Estar sempre em condições morais de perder tudo e começar tudo outra vez. Interessar-se por tudo, principalmente por aquilo que não nos diz respeito. Amar apenas uma mulher de cada vez. Dizer sempre a verdade, seja qual for e doa a quem doer. Conhecer um por um os nossos defeitos, curar-se dos que não são naturais e cultivar aqueles que mais nos agradam.

 Evitar ao máximo o paletó e a gravata, os chatos que falam no ouvido, as mulheres que resolvem tudo pelo telefone, os bêbados que mudam de personalidade quando lúcidos, os vizinhos muito prestativos e todo papo do qual participem mais de três pessoas.

 Longa caminhada solitária pelo menos uma vez por semana. Não discutir preços – é melhor ir embora sem comprar. Não guardar ódios a ninguém. Dormir oito horas e, acordando, continuar na cama enquanto puder. Recusar-se terminantemente a beber uísque que não seja escocês legítimo, preferindo a cachaça como alternativa. (Isto vale apenas para quem gosta de beber e bebe freqüentemente, como é o caso do autor dessa receita. Neste caso, a aceitação de qualquer bebida é moralmente inquietante, pois atravessa a fronteira que separa o prazer do vício.)

Ser condescendente com o comportamento sexual dos outros. Tentar compreender cada pessoa, evitando julgá-la. Saber exatamente o momento em que os amigos gostariam de estar sós. Ter caráter bastante para reconhecer as qualidades positivas de um eventual inimigo. Treinar, como quem faz ginástica, para ser sinceramente modesto. Saber contar com irreverência histórias em que faz papel de bobo, e que tenham acontecido realmente.

Viver tão intensamente que possa dizer à morte, quando vier: “Já veio tarde.”

As histórias vividas por Carlinhos de Oliveira, o maior boêmio do Antonio’s, dariam um filme sensacional. 

05/02/2010 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

Você acordou de mau-humor? Imagine se tivesse que escovar os dentes como o ator Michael J. Fox.

Michael J. Fox se considera um sortudo. Na sua última biografia “Um Otimista Incorrigível” (Always Looking Up: The Adventures of an incurable optimist, 2009), retrata a sua luta diária nos últimos dez anos que trava contra o Mal de Parkinson, doença que o acomete há mais de onze anos. O livro trata de um tema delicado, mas J. Fox conduz bem – há momentos emocionantes e passagens angustiantes, mas com pitadas de humor, quando, por exemplo, na batalha do ator para realizar o ato simples de escovar os dentes pela manhã.

Pegar a pasta dental não é nada comparado ao esforço feito para coordenar o trabalho nas duas mãos, uma segurando a escova e a outra tentando colocar uma linha de pasta nas cerdas. Agora, a minha mão direita já está levantada e fazendo movimentos circulares com meu punho, perfeito para o que farei em seguida. Minha mão esquerda guia a direita até a boca e, quando a parte de trás da escova toca a gengiva atrás do lábio superior, eu a solto. É como soltar o elástico de um estilingue e comparando, é tão poderoso quanto a melhor escova elétrica que existe no mercado.

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Conforme relata no livro, Michael J. Fox acorda pela manhã, se olha no espelho e vê um homem trêmulo, enrugado, embaraçado e curvado e se pergunta: “Do que você está rindo?”. Ele diz saber a resposta. Apresenta uma cara de satisfação e diz pra si mesmo:

“A partir de agora o dia vai melhorar”.

11/11/2009 Posted by | Uncategorized | , , | 6 Comentários