SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Bob Eberly e Helen O’Connell…crooners maravilhosos…

Chesterfield Show – Magnífico arranjo de Jimmy Dorsey para Green Eyes” com a fantástica dupla de crooners Bob Eberly e Helen O’Connell e a orquestra de Ray Anthony. Isto foi em 1953, sempre patrocinados por uma marca de cigarro – neste caso os famosos e mortais Chesterfield.

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25/07/2012 Posted by | Uncategorized | | 2 Comentários

Com vocês, o crooner Buddy Clark…

Nascido Samuel Goldberg, filho de judeus, Buddy Clark teve uma carreira curta: Faleceu 37 anos de idade, após sofrer uma trágico acidente aéreo. Foi um dos cantores mais populares dos Estados Unidos entre as décadas de 30 e 40.

 

Em 1946, Buddy Clark assinou com a Columbia Records e gravou o seu maior sucesso, a canção “Linda”, escrita por Nee Eastman que pensou na sua filha de seis anos de idade. Uma curiosidade: a garotinha homenageada tornaria-se no futuro a esposa do Beatle Paul McCartney.

Em 1949, gravou esta pérola com Doris Day, vendendo milhões de discos e atingindo grande popularidade, exatamente no ano em que veio a falecer. Buddy Clark tinha uma voz preciosa e provavelmente seria mais prestigiado se não tivesse partido tão jovem.

25/03/2012 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

Helen Forrest – Uma das maiores intérpretes da música popular americana.

Helen Forrest foi talvez a cantora que mais cantou com as big bands. No início da carreira artística usava o pseudônimo de Bonnie Blue, The Blue Lady e Marlene, acompanhada muitas vezes da orquestra do irmão.

 

Em 1938, aos 30 anos, passa a crooner da Orquestra de Artie Shaw, transferindo-se, no ano seguinte, para a orquestra de Benny Goodman, nela permanecendo exatamente de dezembro de 1939 a agosto de 1941. Em 1943 inicia sua carreira-solo, apresentando-se em teatros e casas noturnas. No final de 1944, realiza programas de rádio de grande audiência ao lado de Dick Haymes. No cinema atua em filmes como “Minha Secretária Brasileira” (1942), ao lado da nossa Carmen Miranda, “Duas Pequenas e um Martujo” (1944), “Melodia de Amor (1944) e “Escola de Sereias” (1945).

Na década de 50, Helen não aparece tanto na mídia, diminuindo as suas apresentações, mas retorna na década seguinte realizando diversas excursões. Já na década de 70, exibe-se em clubes noturnos e na televisão, recordando os seus grandes sucessos nas big bands e carreira-solo.

Helen Forrest – Sem dúvida, uma das grandes intérpretes da história da música popular americana.

05/10/2011 Posted by | Uncategorized | | 5 Comentários

Bing Crosby – Bela voz. Morreu milionário, mas teve uma vida familiar envolta em tragédias.

O corretor ortográfico do Word sublinha com uma ondinha vermelha o nome de Bing Crosby quando você escreve. Ou seja: para o World, Bing Crosby é um “erro”. – Ruy Castro.

 

Bing Crosby tinha um estilo único que conquistou milhões de fãs. É recordista de bilheteria e de vendagem de discos: fez mais de cem filmes; em 1980 ultrapassou a vendagem de 400 milhões de discos e gravou mais de 2.600 músicas – uma delas o clássico White Christmans, única canção a permanecer nas paradas por 20 anos –  de 1942 a 1962 – e tornou-se canção-símbolo do Natal, vendendo nada mais, nada menos, do que 30 milhões de cópias.

 

Destaco os seguintes filmes: O Bom Pastor (Oscar de melhor ator de 1944), Os Sinos de Santa Maria (1945), Romance Inacabado (1946), Natal Branco (1954), Amar é Sofrer (1954) e Alta Sociedade (com o “rival” Frank Sinatra, 1956). Em 1966 fez seu último filme, A Última Diligência e passou a dedicar-se aos especiais de TV e cuidar dos milionários negócios particulares.

 Apesar de todo o sucesso e da voz fabulosa, no seio familiar, segundo relatos, Bing não era fácil de lidar: pai carrasco, filhos problemáticos (segundo o escritor Ruy Castro, os fãs questionam o fato de que só os filhos do seu primeiro casamento tiveram uma vida tresloucada, pois a primeira esposa também seria uma mãe severa). Somente anos mais tarde o lado sinistro de Bing Crosby foi revelado. Sua ex-mulher, Dixie, quando agonizava de um câncer no ovário, dissera a amigos que Bing a negligenciava. Após sua morte, Bing se tornou um pai solteiro e um disciplinador severo. Dois de seus filhos, Lindsay e Dennis, cometeram suicídio.

 

Ao morrer, em 1977, aos 76 anos, durante uma partida de golfe – sua grande paixão, o crooner deixou para sua última esposa, a atriz Kathryn Grant e os sete filhos uma fortuna incalculável, obtida como artista e multiplicada pelos empreendimentos diversos: mineração, cavalos de corrida, ranchos, times de baseball e indústria de suco de laranja.

  

Apesar da personalidade complexa e das tragédias familiares, nada disso interferiu na trajetória profissional vitoriosa – Bing Crosby foi um dos maiores (e para muitos críticos e fãs, o maior) cantores do Século 20. Nada mal, para quem declarou certa vez que nunca estudou canto em toda a vida e não distinguia o diafragma da laringe.

21/02/2010 Posted by | Uncategorized | , | 4 Comentários

É Carnaval! Sendo assim, vou atacar de Nat King Cole, um dos meus cantores favoritos…

Nat King Cole é aquele cantor que eu gostaria de tê-lo escutado tranquilamente num piano-bar dos anos 50.

A cena se passa no filme Istambul (1957) refilmagem, com o mito Errol Flynn, do clássico “Singapure” de 1947. – Bom Carnaval…

14/02/2010 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

Dinah Washington é 10.

Solte a voz Dinah, você é perfeita para este final de tarde.

 

Ela dizia: “Posso cantar qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo: jazz, pop, rhythm & blues, gospel.” Podia sim…

29/01/2010 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

Nat King Cole – provou que enquanto houver música, haverá vida.

Obrigado a utilizar talco para disfarçar a cor escura, sofreu discriminações, mas rompeu barreiras. Apresentou um programa na TV de sucesso na época que o preconceito racial estava no auge da ignorância. O programa saiu do ar por falta de patrocinadores, pois estes não queriam associar o produto à imagem de um negro. (Já pensou, hoje em dia, alguém recusando Nat King Cole para garoto propaganda de qualquer marca?)

 Nunca abandonou o cigarro, fumava mais de três maços de cigarro por dia. Dizia que melhorava a voz. Provavelmente o responsável por morrer tão jovem de câncer no pulmão – aos 45 anos de idade em 1965.

Exímio pianista de jazz, Nat tocava de um modo especial, um pouco de lado, sem olhar para as teclas. Tornou-se cantor por acaso e o mundo, então, agradeceu.

19/01/2010 Posted by | Uncategorized | , | 2 Comentários

Tony Bennett é um caso raro no showbusiness: os próprios filhos ajudaram e levantaram o pai famoso no momento mais difícil.

Geralmente os filhos de astros só servem para provocar escândalos familiares e expor os pais nas manchetes sensacionalistas – por não possuírem o talento dos genitores famosos ou por serem mimados demais, vivem apenas para dilapidar o patrimônio e/ou desmoralizar o legado artístico dos pais famosos.

No caso do mito Tony Bennett há uma exceção: os filhos simplesmente não apenas o ajudaram a sair do buraco, mas engrenaram a carreira do cantor e encheram os bolsos dele como em nenhuma outra época.

 No final dos anos 70, Bennett estava falido. Gastava mais do que ganhava, não tinha gravadora e passara a usar cocaína para aliviar a dor causada pela perda mãe. O momento mais angustiante foi quando um contador ligou avisando ao cantor que a Receita Federal estava começando um processo para despejá-lo da sua casa, ele não resistiu e desmaio dentro da banheira com a torneira aberta. Sua mulher suspeitou da demora e quando entrou no banheiro, encontrou Bennett inconsciente. Chamou imediatamente a emergência médica que o salvou por questão de minutos.

 

Após o episódio dramático, Tony Bennett saiu mais forte, adquiriu a confiança perdida e pediu ajuda aos filhos.  Os filhos, Danny e Dae Bennett cresceram no meio dos astros e possuem enormes talentos: Danny para empresariar o pai e Dae para cuidar da sua produção musical. Negociaram a dívida com a Receita Federal e reinventaram a carreira do pai. Cuidaram do imenso legado e apresentaram o talentoso Tony Bennett para públicos jovens que nunca o tinham ouvido cantar.

 O empresário Tom Breitling, um dos proprietários do Cassino Golden Nugget é amigo pessoal do cantor e conhece bem os filhos dele. No livro “O Dobro ou Nada” (Doublé or Nothing, 2008) em que conta como ele e um amigo arriscaram tudo para comprar o lendário Cassino, disse o seguinte sobre Danny Bennett:

 Ele fizera mais do que reativar a carreira do pai. Dera a Tony a liberdade de cantar e fazer o que bem entendesse sem nunca mais ter que se preocupar com dinheiro. Protegia de tal maneira a integridade do pai que o Tony podia cantar e pintar com a consciência totalmente liberada. Dera a um artista o tempo e a liberdade para ser um artista.

 A liberdade, proporcionada pelo filho empreendedor, despertou em Tony Bennett uma capacidade artística impressionante, além da voz, Tony emociona através da pintura. Ele possui quadros expostos em galerias e museus do mundo todo.

O pintor Tony bennett – Aquarela da ponte Golden Gate

O crooner resiste ao tempo – aos 83 anos de idade continua a nos presentear com uma belíssima voz. Mas sem os devaneios de cantores que exigem de tudo um pouco para se apresentarem – Tony, simplesmente, faz um pedido: apenas garrafas de água mineral.

Tony Bennett em ação

31/12/2009 Posted by | Uncategorized | , | 4 Comentários

Porque hoje é sábado…

Prepare uma bela dose de bourbon e ponha em seu som a voz de Diana Krall e Chet Baker. Uma mistura que fiz e deu certo.

Diana é uma cantora que não tem nada a ver com as Celine Dion, Mariah Carey, Reba McEntire, Shania Twain e tantas outras que azucrinam nossa sensibilidade musical.

Incorpora pequenas frases jazzísticas com sonoridade e musicalidade sem exageros. Lembra Jeri Southern que fazia isso muito bem. Além disso, a loura é bonita e tem um it danado.

Chet Baker, para mim, é o maior cantor cool do jazz. Tinha uma voz suave, relaxada e não exagerava. Vida louca, pela margem, característica de muitos do jazz. O submundo era o seu planeta. Belíssimo quando jovem, mas devido às drogas e brigas com traficantes (numa delas perdeu os dentes e não pôde tocar mais tão bem o trompete) ficou, conforme disse Jô Soares, a cara do Jack Palance. 

Música de excelência, uma bebida adulta e, logicamente, uma ótima companhia – três motivos contundentes para você fugir dos axés, forrós, pagodes, e outros ruídos de baixa qualidade.

05/12/2009 Posted by | Uncategorized | , , , | 2 Comentários

O “Boêmio” concedeu uma entrevista genial à Revista Playboy.

O inesquecível Nelson Gonçalves concedeu (não diria “deu”, porque esta palavra não soaria bem aos seus ouvidos) uma entrevista à Revista Playboy em março de 1998 e foi um grande sucesso. Não se intimidou e respondeu com sinceridade sobre temas delicados – drogas, desgraças, mulheres, sexo e declínio. Nelson fez declarações surpreendentes, as quais, hoje em dia, dificilmente são reveladas do mesmo modo pelos astros da modernidade.

Em algumas respostas diretas (bem diretas!) às perguntas do jornalista, Nelson Gonçalves não mediu palavras, falou o que foi perguntado. Sinceramente, ele não estava preocupado.

 “[Sobre óculos escuros] Eu considero coisa de veado mesmo. Esse pessoal, quando começa a fazer sucesso, faz o que pode para ser entrevistado. Mas depois bota óculos escuros, tampando a cara.”“O Frank Sinatra foi me ouvir, e depois veio falar comigo. Disse: ‘Wonderful, Wonderful! Your voice is the best of the world’. Imagine o Sinatra me dizer que minha voz era a melhor do mundo.”

 [Sobre o assédio das mulheres]”Algumas eu não conseguia evitar mesmo. Dava uma ou duas com elas e caía fora. Vou lhe dizer uma coisa: tenho 78 anos e me sinto com 25. Está dito tudo, certo?

 O jornalista que o entrevistou, Bob Jungmann, após 12 horas de muito papo, disse que a entrevista rendeu principalmente porque Nelson não era de meias palavras (“às vezes a sinceridade chegava a ser incômoda, áspera”, mas depois percebeu que eram palavras honestas e despudoradas sem nenhuma preocupação com tratos ou refinamentos) Ao final da entrevista, o jornalista estava maravilhado e, sobre o grande Nelson, disse o seguinte:

A melhor definição de Nelson Gonçalves, no entanto, colhi num táxi entre o Aeroporto Santos Dumont e a Gávea. O motorista, entrado nos 60 anos, fino no gosto musical, resolveu me agradar colocando uma gravação de Betty Carter no toca-fitas. Perguntou se eu gostava e eu disse que a achava muito boa. “E de Nélson Gonçalves, você gosta?”, provoquei. Ele apertou um botão que cuspiu a fita para fora, vasculhou as lembranças por alguns instantes e batucou no painel, numa entonação quase correta: ‘…Eu quero esse corpo / que a plebe deseja / embora ele seja / prenúncio do mal’. Achou que eu não conhecia a música. Feliz ao descobrir o contrário, passou a contar casos que tinha vivido embalado ‘pela música do homem’, entremeando as passagens mais picantes com trechos antológicos da famosíssima parceria Nelson-Adelino Moreira, que se arrastou por mais de quarenta anos.

Cantarolei também alguns pedaços de música, sem me dar conta do quase ridículo da situação – passageiro e motorista soltando a voz num trânsito pesado e modorrento. Já na Rua do Horto, próximo às majestosas palmeiras imperiais do Jardim Botânico, ele lembrou uma passagem de uma música de que só me recordava vagamente (Meu Triste Long Play), e que mais tarde tive que pesquisar para reproduzir aqui, em alta fidelidade: ‘Ligue a sua eletrola / vista o seu négligé / deite-se, acabe o cigarro / que eu no cinzeiro deixei / quero sentir que você / na maciez do seu ninho / dormiu ouvindo bem baixinho / o meu triste long play’.

Virou-se então para trás, com aquela cara de quem carrega uma certeza absoluta, e sentenciou: ‘O homem é foda!’

Tem toda razão: é.

24/11/2009 Posted by | Uncategorized | , | 2 Comentários