SÁVIO SOARES

Cinema e música.

Final de tarde, domingo…Tolice! Peggy Lee e Toots Thielemans são ótimos em qualquer hora.

Peggy Lee e o mestre da gaita Toots Thielemans: Música adulta e de qualidade – não tem hora nem preço.

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29/11/2009 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

Marujo Intrépido (Captains Corageous, 1937)

 

O filme é uma adaptação de um livro do escritor Rudyard Kipling  – infelizmente não viveu o suficiente para assistí-lo, faleceu em 1936.

A trama se passa em alto-mar. Um menino rico e mimado viaja em um transatlântico com o pai, quando por uma desobediência, fatalmente, cai no mar. Após ser resgatado por um barco pesqueiro, passa a lidar com a luta diária dos pescadores, onde não significa nada a riqueza, o poder e os mimos.

Um dos pescadores, o valoroso português Manuel Fidello, interpretado pelo grande ator Spencer Tracy (ganhou o Oscar de ator principal naquele ano), apesar da implicância dos outros colegas, cria laços de amizade com o mimado garoto que passa a admirá-lo e a valorizar o trabalho. Há cenas emocionantes e inesquecíveis – o reencontro com o pai, o laço de amizade com os pescadores e um tocante funeral.

O elenco do filme é do primeiro time da época:

O ator Spencer Tracy foi um dos maiores da história do cinema norte-americano, respeitado pelos colegas, críticos e jornalistas – por respeito não divulgavam o relacionamento com a atriz Katherine Hepburn, sua amante durante anos (católico fervoroso nunca se separou da esposa) e que estava ao seu lado quando teve o enfarte fatal aos 67 anos.

Spencer tinha um amigo inseparável, o Johnny Walker. (“era o cachorro engarrafado dele”, diria, se vivo estivesse, Vinicius de Moraes) O alcoolismo que tentou tratar, sem sucesso, lhe deixava em situações embaraçosas – o ator britânico David Niven o observou numa festa recusando-se a comer os pãezinhos: “Posso cair em tentação e molhá-los no uísque.” Recebeu nove indicações ao Oscar (recordista ao lado do ator Laurence Olivier) e levou a premiação duas vezes.

 

O ator infantil Freddie Bartholomew está perfeito interpretando o garoto mimado Harvey, o qual, algumas vezes, é detestável e, em outros momentos, envolvente. Freddie foi o mais famoso astro mirim da década de 30. Criado por uma tia, quando adquiriu fama os pais tentaram administrar a fortuna do filho judicialmente – após diversas batalhas judiciais o astro perdeu muito dinheiro. A sua carreira no cinema encerrou na década de 50. No lado profissional e na vida pessoal há bastante semelhança com o astro infantil da década de 90, Macaulay Culkin.

O filme dirigido por Victor Fleming (um dos diretores de E O Vento Levou, 1939) tem ainda no elenco Lionel Barrymore, Melvyn Douglas e o imortal Mickey Rooney, na ativa aos 89 anos de idade!

Considero “Marujo Intrépido” o melhor filme infantil já produzido em Hollywood.

29/11/2009 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

Frank Sinatra era quase tudo que falavam, mas tinha algo mais.

Os que não conhecem um pouco mais sobre Frank Sinatra o associam imediatamente às ligações com a Máfia, ao temperamento siciliano, às belas mulheres e, logicamente, à voz. (não tenho dúvida: é a voz que Deus escuta quando quer relaxar)

Mas existia um lado sinatriano totalmente divorciado do que era exposto nos jornais sensacionalistas da época. Dois grandes astros de Hollywood que não eram do círculo de amizades do cantor disseram em poucas palavras o que pensavam sobre o Frankie.

 

Não conheço Frank direito, mas sinto admiração por ele. Tem grande firmeza e está sempre pronto a ajudar os amigos, inclusive as ex-mulheres. Respeito muitíssimo esse tipo de lealdade. – John Huston.

Tantas coisas foram escritas sobre Sinatra, sobre seu talento, sua generosidade, sua rudeza, sua amabilidade, seu gregarismo e seus rumorosos casos de ligação com a Máfia que eu nada posso contribuir a não ser por dizer, que ele é uma das poucas pessoas no mundo em que instintivamente eu pensaria se necessitasse de qualquer tipo de ajuda. Já pensei nele uma vez quando estava em maus lençóis: o socorro chegou imediatamente e total, sem que nenhuma pergunta fosse feita. E, acidentalmente, não era dinheiro. – David Niven. (pertenceu ao primeiro Rat Pack, mas era ligado a Bogart e não a Sinatra)

28/11/2009 Posted by | Uncategorized | | 8 Comentários

Do you feel lucky, punk?

“Michael Moore e eu temos muito em comum, nós dois apreciamos viver em um país com grande liberdade de expressão. Mas Michael, se você chegar na frente da minha casa com uma câmera, eu irei matar você” – Piadinha do Clint Eastwood com Michael Moore sobre a controversa entrevista do ator Charlton Heston no documentário “Tiros em Columbine” (2002)

Um dos últimos dinossauros na ativa (grande na atuação e na direção) interpretou o policial, linha dura, “Dirty Harry” em filmes nas décadas de 70 e 80. Bons tempos em que o politicamente correto não estava em voga – era bala por cima de bala, mas sem a barulheira característica dos filmes adolescentes atuais.

Após a trilogia sensacional dos faroestes italianos com Sergio Leone, Clint estava com grana suficiente para tornar-se um milionário: incorporou um personagem durão e doido por sangue. Eram filmes que já sabíamos o final, mas eram deliciosos. Puro entretenimento!

Me recordo de uma entrevista que o ator concedeu ao programa 60 minutes, o entrevistador ousou perguntar sobre os seus filhos e, de repente, a fisionomia do Clint lembrou a do Detetive Harry Callahan – simplesmente encarou o repórter como se este fosse o pior psicopata dos filmes e, por uns bons minutos, deixou o entrevistador totalmente sem graça.

Na direção, Clint Eastwood é de uma simplicidade impressionante. Alguns atores que participaram de filmes do diretor disseram que ele os deixa à vontade, não faz exigências idiotas e respeita o tempo e a improvisação (desde que seja para melhorar, lógico). Ganhou “só” 4 Oscars –  diretor e melhor filme, duas vezes cada.

Na vida pessoal é um profundo conhecedor de jazz e possui uma grande coleção de discos de vinil.

O Detetive vivido nas telas  por Clint Eastwood não alisava – quanto mais cruel o bandido, mais sabíamos que a vítima teria a sua morte vingada de forma exemplar.  

27/11/2009 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

O “Boêmio” concedeu uma entrevista genial à Revista Playboy.

O inesquecível Nelson Gonçalves concedeu (não diria “deu”, porque esta palavra não soaria bem aos seus ouvidos) uma entrevista à Revista Playboy em março de 1998 e foi um grande sucesso. Não se intimidou e respondeu com sinceridade sobre temas delicados – drogas, desgraças, mulheres, sexo e declínio. Nelson fez declarações surpreendentes, as quais, hoje em dia, dificilmente são reveladas do mesmo modo pelos astros da modernidade.

Em algumas respostas diretas (bem diretas!) às perguntas do jornalista, Nelson Gonçalves não mediu palavras, falou o que foi perguntado. Sinceramente, ele não estava preocupado.

 “[Sobre óculos escuros] Eu considero coisa de veado mesmo. Esse pessoal, quando começa a fazer sucesso, faz o que pode para ser entrevistado. Mas depois bota óculos escuros, tampando a cara.”“O Frank Sinatra foi me ouvir, e depois veio falar comigo. Disse: ‘Wonderful, Wonderful! Your voice is the best of the world’. Imagine o Sinatra me dizer que minha voz era a melhor do mundo.”

 [Sobre o assédio das mulheres]”Algumas eu não conseguia evitar mesmo. Dava uma ou duas com elas e caía fora. Vou lhe dizer uma coisa: tenho 78 anos e me sinto com 25. Está dito tudo, certo?

 O jornalista que o entrevistou, Bob Jungmann, após 12 horas de muito papo, disse que a entrevista rendeu principalmente porque Nelson não era de meias palavras (“às vezes a sinceridade chegava a ser incômoda, áspera”, mas depois percebeu que eram palavras honestas e despudoradas sem nenhuma preocupação com tratos ou refinamentos) Ao final da entrevista, o jornalista estava maravilhado e, sobre o grande Nelson, disse o seguinte:

A melhor definição de Nelson Gonçalves, no entanto, colhi num táxi entre o Aeroporto Santos Dumont e a Gávea. O motorista, entrado nos 60 anos, fino no gosto musical, resolveu me agradar colocando uma gravação de Betty Carter no toca-fitas. Perguntou se eu gostava e eu disse que a achava muito boa. “E de Nélson Gonçalves, você gosta?”, provoquei. Ele apertou um botão que cuspiu a fita para fora, vasculhou as lembranças por alguns instantes e batucou no painel, numa entonação quase correta: ‘…Eu quero esse corpo / que a plebe deseja / embora ele seja / prenúncio do mal’. Achou que eu não conhecia a música. Feliz ao descobrir o contrário, passou a contar casos que tinha vivido embalado ‘pela música do homem’, entremeando as passagens mais picantes com trechos antológicos da famosíssima parceria Nelson-Adelino Moreira, que se arrastou por mais de quarenta anos.

Cantarolei também alguns pedaços de música, sem me dar conta do quase ridículo da situação – passageiro e motorista soltando a voz num trânsito pesado e modorrento. Já na Rua do Horto, próximo às majestosas palmeiras imperiais do Jardim Botânico, ele lembrou uma passagem de uma música de que só me recordava vagamente (Meu Triste Long Play), e que mais tarde tive que pesquisar para reproduzir aqui, em alta fidelidade: ‘Ligue a sua eletrola / vista o seu négligé / deite-se, acabe o cigarro / que eu no cinzeiro deixei / quero sentir que você / na maciez do seu ninho / dormiu ouvindo bem baixinho / o meu triste long play’.

Virou-se então para trás, com aquela cara de quem carrega uma certeza absoluta, e sentenciou: ‘O homem é foda!’

Tem toda razão: é.

24/11/2009 Posted by | Uncategorized | , | 2 Comentários

O maestro Tom Jobim e suas frases geniais.

(Sobre política): “Quando me perguntaram: “O senhor é comunista?”, respondi: “Não, sou violonista”.

 (Sobre os apartamentos de pé-direito baixo): “Pé-direito bom é aquele em que você entra montado a cavalo e dá vivas à República tirando da cabeça o chapéu de mexicano.”

 (Sobre a morte): É mais confortável morrer em português. Como é que você vai dizer para o médico gringo, em inglês: “Tô com uma dor no peito que responde na cacunda?”

 (Sobre o Rio de Janeiro): “A diferença entre Nova York e o Rio é que lá é bom, mas é uma merda. Aqui é uma merda, mas é tão bom.”

23/11/2009 Posted by | Uncategorized | , | 2 Comentários

“Only The Lonely” – Frank Sinatra

 

Frank Sinatra Sings for Only The Lonely (Capitol, 1958)

 

 

Não, este não é o melhor disco de fossa da década de 50. Trata-se, simplesmente, do melhor álbum de canções para amantes solitários, amores perdidos e boêmios do século 20. Na capa do disco o cantor está com uma lágrima escorrendo pelo rosto pintado de palhaço. Curiosamente, o único prêmio (Grammy) que ganhou foi pela capa do disco. No verso do álbum encontramos uma gravura bem ao estilo Edward Hopper: Um homem urbano comum, solitário num banco de praça, bem próximo a um lampião estilo anos 50.

 A seleção musical é um caso à parte – o clima de fim de noite, de melancolia e de tristeza é imediatamente estabelecido pela música de abertura (Only The Lonely) e segue com Angel Eyes, Whats New (fenomenal!), Guess I’ll Hang My Tears Out To Dry e One For My Baby, entre outras, interpretadas por um Sinatra extremamente comovente.

 Os arranjos e a condução da orquestra foram de Nelson Riddle, formando com Frank Sinatra uma das parcerias mais certeiras da história da música popular norte-americana. Entre os meus amigos sinatrófilos há uma disputa quente em comparação ao também fabuloso álbum conceitual In The Wee Small Hours Of The Morning de 1955, mas, para mim, o disco Only The Lonely é insuperável, ganha por una cabeza.

21/11/2009 Posted by | Uncategorized | , , | 4 Comentários

“Olhe para o alto Hannah! Olhe para o alto!” – Pediu Charles Chaplin para a atriz Paulette Goddard no clássico “O Grande Ditador” – não precisava pedir…

Ela olhou para o alto, não apenas no clássico “O Grande Ditador”, mas também na vida real – Paulette Goddard, nascida Marion Levy, possuía uma beleza impressionante, bom humor, inteligência e muita ambição.

 

Quando retornou a Hollywood, após um período de afastamento, a atriz já estava separada de um milionário e havia saído do divórcio com cem mil dólares na conta e dirigindo um sesa Duesembeg de dezoito mil dólares.

 Aos 21 anos Marion Levy (nome de nascimento) já havia feito pontas nos filmes de Laurel e Hardy, de Hal Roach, já tinha se casado e divorciado quando conheceu Chaplin a bordo de um iate. O maior gênio da comédia ficou encantado pelo “conjunto” da atriz, mas estava ressabiado com a má-fama de conquistador de garotinhas. (era a mais pura verdade)

Ao conhecê-la comprou o contrato dela e a contratou para atuar no filme “Tempos Modernos” (1936) e depois, apesar de já estarem separados, Chaplin a convidou para o clássico “O Grande Ditador” (1940), no qual a atriz viveu o papel da judia Hannah.

 No livro “Cidade das Redes” (1986), o escritor Otto Friedrich revela que Paulette era tão ambiciosa que deixou o total controle da carreira artística nas mãos do comediante. Mas o que ocasionou o rompimento do casal foi quando Paulette se apresentou a Selznick para o papel de Scarlett O’Hara – Chaplin ficou chateado e ela ficou sentida por ele ter ficado chateado.

A atriz Paulette Goddard, além de um rosto belíssimo, inteligência e humor, possuía um corpo escultural.

 

 Apesar da ambição da bela atriz, quando houve a separação, Chaplin se deu conta, pela primeira vez, de que perdera uma pessoa de valor. Segundo consta nos livros os dois eram extremamente parecidos: belos, engraçados, inteligentes e, talvez a razão da separação, ambiciosos demais. Paulette atuou na década de 40 nos estúdios da Paramount, mas foi despedida, aparentemente, sem justa causa. Teve diversos casos amorosos com astros de Hollywood e faleceu em 1990 aos 79 anos. Deixou uma coleção de jóias avaliada em 10 milhões de dólares pela Sotheby’s, entre as peças havia um diamante valiosíssimo, presente de Charles Chaplin.

Paulette Goddard foi musa inspiradora e atriz principal de Chaplin em dois dos seus grandes clássicos – o que não é pouco.

21/11/2009 Posted by | Uncategorized | , , | 4 Comentários

“Mr. Swoonatra” – Ele chegou antes do Elvis Presley e dos Beatles.

 

“Desta vez, elas lançaram mais do que rosas, elas jogavam suas calcinhas e sutiãs”. (Nick Sevano – amigo e empresário de Frank Sinatra)

 

O Século Sinatriano teve início com a primeira temporada no Teatro Paramount, em dezembro de 1942, quando o jovem Frankie foi anunciado como atração extra da Orquestra de Benny Goodman. Mas a sua fama já vinha crescendo havia mais de três anos antes da explosiva temporada no Paramount.

A mídia apelidou Sinatra de “Mr. Swoonatra” devido aos desmaios e as histerias que ele provocava nas fãs. Os agentes de publicidade contrataram modelos para gritar quando Sinatra emitisse sensualmente uma nota. Mas não era preciso, segundo um dos agentes outras centenas que não contratamos gritaram mais alto. Outras mais esganiçavam-se, uivavam, beijavam suas fotografias com lábios pintados de batom e o mantinham prisioneiro no seu camarim. Era uma loucura totalmente incontrolável. 

  O escritor Jon Savage no livro “A Criação da Juventude” escreveu sobre a histeria causada pelo jovem Sinatra nas americanas quando este iniciou a sua terceira temporada no Paramount Theatre de Nova York em 12 de outubro de 1944. No livro, Jon Savage comenta sobre a loucura que foi a terceira temporada do mito: (através de reportagens feitas por um fotógrafo e jornalista, à época, para o New York Daily News)

A fila em frente o Paramount Theather na Broadway começa a se formar à meia-noite. Às quatro da manhã são mais de quinhentas garotas, elas vestem meias-soquete, é claro. Às oito da manhã há uma enorme multidão agitada…o teatro logo se  enche…então chega o grande momento. Sinatra aparece no palco – gritos histéricos de Frankie…Frankie…você deve ter escutado os gritos agudos pelo rádio quando ele canta…Multiplique isto umas mil vezes e terá idéia do barulho ensurdecedor…

 Sinatra canta alguns números e deixa o palco às pressas, mas isso não é o fim: uma grande multidão está esperando na porta dos fundos…ele não ousa sair…então ele fica ilhado dentro do teatro…

A ousadia das fãs não tinha limites, quando o teatro fechava, às duas da manhã, era necessária uma vistoria no prédio, para retirar algumas fãs que, mesmo estando lá dia e noite e tendo assistido aos cinco shows do Frank, tentavam se esconder no banheiro feminino e eram expulsas pelas zeladoras. Diz o escritor que o chão e as poltronas do teatro eram lavados constantemente devido ao cheiro insuportável de urina das fãs que não iam ao banheiro com receio de perderem os lugares nos assentos do teatro.

O jovem e franzino Frank Sinatra também teve a fase de ídolo das adolescentes, mas, sem querer menosprezar os outros dois mitos, ele foi mais distante…

19/11/2009 Posted by | Uncategorized | , | 8 Comentários

Errol Flynn: Aventura era com ele – dentro e fora das telas.

O ator britânico David Niven era amigo e companheiro de farras do galã Errol Flynn nas décadas de 30 e 40. No livro Cavalos de Raça, mulheres de classe (Bring On The Empty Horses, 1978), Niven nos conta histórias divertidas e emocionantes vividas na época de ouro de Hollywood. Flynn tem destaque especial não só pela amizade, mas também porque era um aventureiro na vida real.

Errol Flynn tinha um porte atlético, exímio espadachim, bom de briga dentro e fora das telas, o que foi bem aproveitado nos filmes de aventura em que protagonizou: Capitão Blood (Captain Blood, 1935), A Carga da Brigada Ligeira (The Charge of the Light Brigade, 1936) e As Aventuras de Robin Hood (The Adventures of Robin Hood, 1938), entre outros.

Era extremamente boêmio, teve vários casamentos, namoradas adolescentes e um processo de estupro. (do qual foi absolvido)

 Na época, em Hollywood, o ator Robert Mitchum teve o azar de ser preso por fumar maconha e Errol introduziu este hábito em sua vida mais ou menos no mesmo período. Ele veio com a droga quando voltou de uma viagem que havia feito ao norte da África e assim, gentilmente a oferecia aos que freqüentavam a sua casa em Beverly Hills – já naquele tempo, apesar de ganhar bem mais, dividia o aluguel com o amigo David Niven.

 Sobre as loucas histórias do ator de Capitão Blood, em determinado trecho do seu livro, Niven nos conta o seguinte:

Em pouco tempo renunciei a ela (maconha), creio que principalmente por já ter sido fisgado por uma coisa provavelmente muito mais fatal – o uísque escocês – mas Flynn  continuou insistindo, e vinte anos depois em nosso último encontro, contou-me que excetuando a heroína ele se viciara em tudo, incluindo um afrodisíaco: apenas uma pitada de cocaína na extremidade do pênis.

Depois dessa época Flynn foi morar em uma montanha, e lá bem no alto em Mulholland Drive, construiu uma casa térrea luxuosa e própria para um solteirão. Tinha uma sauna finlandesa, uma cama – seu campo de batalha – com um espelho no teto. No livro, David Niven diz ainda que as paisagens do Vale San Fernando eram belíssimas e incluía ainda na mansão um ginásio para briga de galos. Além disso, havia sempre várias garotas, principalmente ninfetas e de acordo com o próprio Flynn, ela tornou-se a meca dos homossexuais, marginais, jogadores, e de toda espécie de impostores.

 A turma era da pesada: além de Errol Flynn e David Niven havia John Barrymore (avô da atriz Drew Barrymore, que se drogou e quase morreu quando ainda era criança). Segundo David Niven, quando Barrymore morreu todos sentiram um grande alívio, pois puderam invernizar novamente a moldura da janela do living, porque durante sua permanência ele adquirira o hábito de urinar dali, alegando que tinha esperança de regar os estúdios da Warner Brothers no vale que ficava abaixo.

Errol Flynn em sua escuna “Zaca” – bebidas, festas e orgias à vontade.

O ator John Barrymore era um alcoólatra maluco e insuportável. Quando morreu a turma resolveu fazer uma brincadeira: (um “agrado” que eu não gostaria de receber dos meus amigos…), David Niven disse o seguinte sobre o fato:

 …Errol gostava de contar que chegou em casa bêbado, tentando afogar a tristeza que sentia pela morte de Barrymore. Quando entrou na escuridão da sala de estar com suas janelas apresentando uma vista panorâmica do Vale de San Fernando, viu o ator John Barrymore sentado em sua cadeira habitual com um drinque em uma das mãos. Pensara que fosse um fantasma, mas após examina-lo melhor, afirmara tratar-se do cadáver do ator, que fora emprestado (!) pelo proprietário da casa funerária aos seus “queridos” amigos…

 Na década de 50, Errol Flynn estava acabado e descobriu a vodka, passando a bebê-la como se fosse desaparecer do mercado. O ritual começava às sete da manhã. Insatisfeito com os estúdios que só o queriam como ator de filmes de aventura, alternava momentos de depressão e outros de festas no veleiro “Sirocco” e depois na escuna “Zaca”. Em dias de depressão era visto com uma garrafa de vodka em uma mão e um revólver na outra.

 No último encontro com David Niven em 1958, o amigo estava diferente…

 …Errol Flynn estava com um rosto balofo e todo manchado e a mão, que um dia empunhara o arco de Robin Hood, não poderia mais atirar uma flecha no Taj Mahal a dez passos de distância. Mas aparentava um semblante que emanava paz e sinceridade no que dizia…

 – Descobri um livro grandioso, e vivo lendo-o. Está cheio de coisa maravilhosas – disse Errol. Eu o olhei com curiosidade. – Se eu contar, e você zombar, te dou um soco nestes malditos dentes!

– Prometo que não farei isso – respondi.

– É a Bíblia – confessou Flynn.  

Trailer original de Robin Hood – Errol em ação – nenhum ator foi tão perfeito vivendo um ladrão aventureiro ou pirata. Errol também foi um grande espadachim. (De brinde vem a belíssima atriz Olívia de Havilland, ainda viva aos 93 anos)

Um tributo a Errol Flynn que morreu em 1959 aos 49 anos de idade – um mito de Hollywood que enfrentou perigosos inimigos nas telas, mas nenhuma aventura foi maior do que a própria vida.

16/11/2009 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário